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5 habilidades de sobrevivência que aprendi com meu avô

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Quando era mais jovem tinha costume de ficar na chácara do meu avô todos os finais de semana e férias escolares. Lá eu corria e me sujava até cair de cansaço, mas além disso, tive a oportunidade de conhecer um modo simples de viver a vida que moldou a minha personalidade. Hoje vou compartilhar cinco habilidades que aprendi lá naquele tempo e que me ajudam a ser um sobrevivencialista mais completo.

1. Lidar com a dor

Correndo para cima e para baixo, machucados eram uma coisa certa. Me pendurava em árvores, fazia armadilhas usando espinhos de bocaiúva, construía brinquedos de madeira usando pregos, martelos e serras… Enfim, se tem algo que colecionei durante a infância foram cicatrizes de artes mal sucedidas.

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A parte mais valiosa deste meu aprendizado era que quando eu me machucava, ninguém vinha correndo para me acudir. Eu ia choramingando até o adulto mais próximo (Geralmente meu pai ou meu avô) e mostrava o acidente. Logo em seguida sempre ouvia uma frase mais ou menos assim: “Fica tranquilo, sentir dor todo mundo sente, mas aguentar ela é que te faz um homem de verdade”.

Pode parecer bobeira, mas para uma criança essa frase era realmente forte. Foi por conta dela que aprendi a não reclamar quando me sinto mal fisicamente, seja por um ralado, bolha no pé ou algo do tipo… Dificilmente você me verá irritado ou desmotivado por estar com dor em alguma parte do corpo.

Esse “endurecimento” foi importantíssimo para me deixar mais preparado para enfrentar as pancadas que levamos por aí. Claro, não sou nenhum Rambo, mas você não me verá bravo, mal humorado ou chorando por que me cortei.

A lição é simples: Sentir dor faz parte da vida, se entregar a ela ou superá-la é uma questão de escolha.

2. Dar tempo ao tempo

Imediatismo é um grande mal na juventude atual. Se o fulano quer alguma coisa, quer para AGORA. Curiosamente, o ambiente rural te ensina que a vida tem o ritmo que ela quer e você só tem uma escolha… a de se adequar a ele.

Sementes plantadas, terreno capinado... Agora é esperar.

Pode parecer algo bem longe da realidade dos grandes centros urbanos, mas de fato, é muito legal conhecer o ritmo “rural” da vida. Isso quer dizer que por mais que você queira comer uma bela alface na sua salada, você tem que esperar ela ficar pronta e torcer para crescer sem ter pragas ou problemas no solo.

Lembro que todo final de tarde ia até a horta da chácara e ficava esperançoso para ver se o que eu tinha plantado estava crescendo. Sempre que ficava ansioso meu avô dizia: “Caaaalma… Deixa a mudinha crescer”. No começo essa demora era extremamente frustrante pois queria colher logo o resultado do que eu tinha plantado, mas com o tempo percebi que me estressar não ia mudar a velocidade com que a horta crescia.

Tudo que se refere a criação de animais e plantação envolve trabalho persistente, paciente e planejado, caso contrário você vai se frustrar rapidamente. Muitos sobrevivencialistas acham que chegarão em um local selvagem levando sementes e farão ali uma bela horta ou pomar em pouco tempo… E lhes garanto, não vai rolar.

Mais do que plantas ou animais, aprendi que a vida tem um fluxo bastante bonito de se ver quando conseguimos enxergá-lo. Sentar na varanda tomando um Tereré (bebida aqui de minha região, uma espécie de chimarrão gelado) e vendo sol se por depois de fechar o galinheiro e irrigar a horta desperta em nós uma ligação muito grande com a terra e a natureza como um todo. Pode soar poesia, mas aqueles que já calejaram as mãos com uma enxada sabem do que estou falando.

Outra lição muito simples: Algumas vezes temos de esperar as coisas acontecerem, elas simplesmente não podem ser aceleradas.

3. Enfrentar o ato de matar

Hoje muitos chegam no mercado e compram um pedaço de carne sem sequer ter a noção de que aquilo veio de um ser vivo. A industrialização nos dá a chance de simplesmente esquecer que, para todo garfo que entra na sua boca, algo teve de ser sacrificado.

Aposto que se todos tivessem que matar os animais que comem em suas refeições nós teríamos um número muito maior de vegetarianos no mundo. Não estou dizendo isso para ofender alguém, mas entenda que é fácil proclamar a verdade óbvia de que “matar é necessário para que eu possa me alimentar”. Difícil é tirar a vida de um animal que não lhe fez nada e que você criou desde filhote.

Isso é algo que poucos homem sabem fazer de maneira eficiente e ética.

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Algumas pessoas dizem que dar “carinho” para os animais pode ser perigoso visto que você cria apego emocional com os bichos, então o melhor seria tratá-los com indiferença e apenas como recursos de alimento. Eu concordo com essa dica quando se trata de pessoas mais velhas e que nunca tiveram experiências rurais antes, mas meu avô me mostrou uma forma diferente.

Todos os animais da chácara eram cuidados da melhor forma possível e tinham até nomes. Eram quase que como animais de estimação. Contudo, a relação com estes animais não era de apenas amizade, mas sim de gratidão. Gratidão pois eles estavam ali simplesmente para sanar as nossas necessidades, e isso é extremamente nobre.

Então, quando tive de matar minha primeira galinha fiquei assustado e não queria fazer aquilo. Era cruel. Ainda assim, meu avô insistiu e me explicou como fazer isso da forma mais correta possível. Ele disse: “Agradeça este animal por dar a vida dele para você e seja rápido”.

E assim foi. A primeira vez que matei um animal tive aquela sensação de estranhamento, de algo fora do lugar… Mas você acaba compreendendo que isso é parte da vida e o mínimo que deve fazer é agradecer e evitar/diminuir qualquer sofrimento do bicho.

A lição aqui é: A morte é algo inerente à vida. Para continuar vivo você deve matar, porém deve prezar por fazer isso da forma mais rápida e limpa possível.

4. Fazer trocas

Se há algo que sempre cai bem no meio rural é a permuta. Dinheiro é muito importante, mas algumas vezes você consegue as coisas que você precisa trocando por algo que você produz na sua terra.

Todo ano parte da produção do pomar era trocada por outros itens

Apesar de gostar muito da chácara, durante as semanas comuns eu ficava em um condomínio apertado e a única coisa que sabia fazer era jogar no computador. Como qualquer “guri de cidade”, entendia que se eu precisava de algo eu tinha de ter dinheiro para comprar aquilo e ponto final.

O meio rural me ensinou que existe um mercado muito maior do que o que se baseia somente em dinheiro de papel.

Sempre havia o comercio entre os vizinhos! Fulano dizia que estava precisando de sementes de tal planta e que tinha tal item sobrando, aí se tivéssemos as sementes, fazíamos a troca. Lembro que uma vez meu avô apareceu com três galinhas de angola na chácara e disse que havia trocado por um punhado de mudas que tinha.

No entanto, não era necessário ter alguma coisa para conseguir trocar. Aprendi também que o trabalho é uma moeda muito boa para conseguir o que você precisa! Ajudar a carnear uma vaca, tirar ervas daninhas da horta… Tudo isso pode ser remunerado com produtos que você precisa. Basta saber conversar, ser educado e ter palavra que ótimos negócios podem ser feitos.

Uma lição valiosíssima: Trocar produtos ou serviços é sempre uma alternativa quando não se tem dinheiro. Enquanto houver vontade de trabalhar, há como viver dignamente.

5. Família

Pode parecer clichê falar da importância da família, mas em um mundo bagunçado como o nosso muitas pessoas simplesmente não percebem quem são os verdadeiros companheiros para comemorar os tempos bons e suportar os tempos ruins.

Eu, a "gurizada" e meu avô

Nunca fui muito de me reunir com a família, confesso. Mas é na chácara que consigo ficar mais próximo de todos aqueles que fazem parte da minha vida. Batemos papo quando estamos sentados na varanda, atiramos com carabinas de pressão em latinhas… Na loucura do dia a dia é fácil esquecer das coisas mais importantes e nos focarmos nos detalhes. Lembramos das contas, dos compromissos, das pendências… E nossos familiares estão ali, do nosso lado, pedindo um pouco de atenção.

Um dia perguntei ao meu avô por que ele insistia em manter a chácara, sendo que ela só dava maiores gastos mensais para ele. Ele disse: “Pois aqui eu consigo reunir todos vocês, consigo manter a família unida”. Por conta deste esforço dele, hoje a chácara ainda existe ainda tenho a sorte de ter todos meus familiares próximos a mim.

A lição quase não precisa ser dita, mas vamos lá: Valorize seus familiares. Pode haver um ou outro conflito, mas são eles o seu bem mais precioso na vida, não espere perdê-los para perceber isso.

Espero que tenham gostado desse “pedaço de história” que escrevi. Confesso que foi muito legal relembrar vários causos que vivenciei enquanto escrevia este texto e espero ter passado algum conhecimento de valia para vocês.

Caso queiram ver a nossa chácara atual, basta visitar este vídeo do nosso canal. Apesar de meio antigo, continua bastante fiel com o estado atual da propriedade.

Até.

5 habilidades de sobrevivência que aprendi com meu avô

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Sobre Max Rangel

Servo do Eterno, Casado com Arlete Vieira, Pai de 2 filhas, Analista de Sistemas, Fundador e Colunista do site www.religiaopura.com.br.

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