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Conheça a História do Criacionismo da Terra Jovem e Plana que a IASD e Michelson Borges tentam esconder — Parte 2

Continuação do texto: Conheça a História do Criacionismo da Terra Jovem e Plana que a IASD e Michelson Borges tentam esconder — Parte 1

História dos defensores da Terra plana

A primeira grande batalha envolvendo Cristianismo e ciência envolveu a forma da Terra. A esfericidade da Terra era bem conhecida na cultura helenística, na qual o Cristianismo se desenvolveu. Muito antes, Aristóteles forneceu três provas de que a Terra  tem uma forma de globo:  (1) navios que deixam os portos desaparecem no horizonte; (2) quando alguém viaja para o sul, estrelas que não são visíveis na Grécia aparecem no horizonte sul; e (3) durante um eclipse, a sombra da Terra sobre a Lua é visivelmente curvada. Desafortunadamente, este modelo esférico, entra em conflito com a forma pela qual a Terra é descrita na Bíblia.

Os antigos hebreus, como seus mais antigos e mais poderosos vizinhos, babilônios e egípcios, achavam que a Terra era plana. A cosmologia hebraica não estaria na Bíblia descrita como está hoje, se os hebreus não tivessem conhecimento do sistema babilônico, sobre o qual é embasado, como pode ser visto nas linhas do Antigo Testamento. A história da criação em Gênesis por si mesma sugere o tamanho e importância relativa da Terra e outros corpos celestes, ao especificar sua ordem de criação. A Terra teria sido criada no primeiro dia, e era “sem forma e vazia” (Gênesis 1:2). No segundo dia uma abóbada – o “firmamento” na tradução King James – foi criado para dividir as águas, uma parte acima e outra abaixo da abóbada (Gênesis 1:6-8). Não antes do quarto dia foram criados o Sol, Lua e estrelas, e estes foram colocados “na” abóbada, não “acima” dela (Gênesis 1:14-17). Os tamanhos desses corpos celestes não são especificados, mas deviam ser pequenos, para que Josué pudesse depois mandar o Sol parar “em Gibeon” e a Lua “no vale de Aijalon” (Josué 10:12).

A bíblia várias vezes fala dos “extremos” da Terra. Às vezes a palavra em hebraico é ephes, que significa “fim, limites extremos,  nada”. Em outras vezes, é qatsah ou qetsev, que significa, de novo, “final, extremidade.” Em Deuteronômio 13:7, usa-se a expressão “de uma extremidade da Terra à outra extremidade.” A mesma expressão, ou uma referência ao “final da Terra”, ocorre em Deuteronômio 28:49,64; 33:17; 1 Samuel 2:10; Salmos 19:4; 22:27; 46:9; 48:10; 59:13; 65:5; 67:7; 98:3; 135:7; Provérbios 17:24; 30:4; Jó 28:24; 37:3; Isaías 5:26; 24:16; 40:28; 41:5; 42:10; 45:22; 48:20; 49:6; 52:10; 62:11; Jeremias 10:13; 16:19; 25:33; Miquéias 5:4. Não apenas a Bíblia indica que a Terra é plana e tem extremos, mas também ensina que tem cantos. Isaías 11:12 diz que Deus vai “reunir os dispersos de Judá dos quatro cantos da Terra.” Esequiel 7:2 diz que “o fim está próximo nos quatros cantos da Terra.” Veja também Apocalipse 7:1; 20:8, etc.

Outras passagens completam a imagem. Deus “se assenta sobre a abóbada da Terra, cujos habitantes são como gafanhotos” (Isaías 40:21-22; 45:12; 48:13). Ele também caminha de um lado para o outro sobre a abóbada celeste” (Jó 22:12-14), sendo que esta abóbada é “dura como um espelho de metal” (Jó 37:18 cf 9:8). O teto do céu tem “janelas” que Deus pode abrir para deixar as águas que estão acima da abóbada caírem na superfície da Terra na forma de chuva. A bíblia fala claramente sobre “janelas” do céu (Gênesis 7:10; 8:2; 2 Reis 7:2, 19; Isaías 24:18; Jeremias 51:15; Malaquias 3:10); as “portas” do céu estão “fechadas” (1 Reis 8:35; 2 Crônicas 6:26; 7:13; Salmos 78:2; Apocalipse 4:1; 11:6; 19:11); o céu tem “portões” (Gênesis 28:17; Levítico 26:19) e  escadas (Amós 9:6). Um estudo dessas passagens indicarão que chuva e alimento vinham dessas janelas do céu, etc. (Obviamente isso é provavelmente linguagem simbólica ou “fenomenológica”, como a maioria dos especialistas bíblicos e exegetas concluem, e esse tipo de linguagem não deve ser interpretado literalmente).

A topografia da Terra não é especificada, mas Daniel fala de “uma árvore de grande altura que fica no centro da Terra, e que alcança o céu com seu topo e é visível desde os confins da Terra” ou “até o final da Terra” (Daniel 4:10-11). Tal visibilidade não seria possível numa Terra esférica, mas apenas se a Terra fosse plana.

Aqui o Frei Stanley Jaki, O.S.B., um físico húngaro importante e teólogo beneditino, fala sobre a Terra plana e fixa da Bíblia:

“Quando perguntado sobre seu meio físico ou o mundo físico em geral, o israelita típico poderia dar uma resposta que seria irritante para uma mentalidade moderna. É irritante, no mínimo, ouvir que a Terra é como um disco chato, o céu, uma pesada abóbada invertida, e que os dois formam uma gigantesca estrutura em forma de tenda. Claro, outros habitantes da região teriam respostas similares…. Com certeza, o mesmo ocorreria com um egípcio típico da antiguidade, ou um babilônio… A dureza do céu, mas especialmente a imobilidade da Terra, tende a parecer um fato físico divinamente ordenado, pois de acordo com a Bíblia, um simples homem, Josué, pode ser autorizado por Deus a parar o Sol e a Lua e, aparentemente, por um dia inteiro…  Obviamente, para olhares modernos acostumados com naves espaciais viajando além das “linhas do mundo” segundo a cosmologia quadridimensional de Einstein, nada pode ser mais ofensivo que o mundo físico descrito na Bíblia, que seria pouco mais do que uma tenda glorificada. Nesta tenda, a bíblia assinala que o céu seria sua cobertura, e o solo, o seu piso, embora não de forma consistente. Em Gênesis 1 o céu é um firmamento, isso é, uma abóbada dura de metal, ao passo que em Salmos 104  e Isaías 45:24, parece mais com uma tela que pode ser esticada….Aqui reside um dos aspectos incomuns e não científicos do mundo como é descrito na Bíblia… Muito antes do advento da ciência moderna, e também antes do heliocentrismo, o contraste entre este mundo bíblico em forma de tenda, e o mundo do geocentrismo Aristotélico-Ptolomaico, é enorme.” (Stanley Jaki, Bible and Science, pages 19-25)

Um texto bíblico que supostamente sugere que a Terra é esférica, segundo alguns “cientistas bíblicos” criacionistas, é Isaías 40:22

Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar;

Uma análise de hebraico feita por Robert J. Schneider, num artigo para uma organização cristã, a American Scientific Affiliation (www.asa3.org) —

“A linha crítica em hebraico (de Isaías 40:22) lê-se (transliterada e omitindo as vogais): hyshb ‘l hwg h’rtz, o que foi traduzido por meu colega, Dr. Robert Suder como: ‘aquele que habita no círculo/horizonte da terra.”  Uma pesquisa no léxico hebraico e em livros teológicos nos fornece muita informação sobre a palavra chave hwg (chûgh)…. Todos, exceto um dos contextos (onde essa palavra hebraica aparece), são cosmológicos, e de fato, quatro dos cinco usos dessa palavra ocorrem em hinos sobre a criação. Isaías 40:22 descreve Deus como estando sentado/habitando sobre “o círculo da Terra”, que foi desenhado por Deus com um compasso, como em Jó 26:10 e Provérbios 8:27 sugerem, onde os versículos descrevem o ato de inscrever um círculo que fixa o limite entre a Terra e o abismo…   Juntando essas duas formas de uso, penso que é difícil alguém atribuir a essa palavra em Isaías 40:22 o sentido de “esférica”… se os tradutores )da LXX) estavam familiarizados com o conceito de uma terra esférica ensinado no Museu de Alexandria. na época o centro científico da Grécia, não dão nenhuma dica a respeito disso, na tradução que fizeram dessa palavra…”

“….um círculo não é uma esfera na Escritura assim como não é na geometria. A preponderância das evidências filológicas e as traduções dos estudiosos da antiguidade e especialistas modernos, testemunham de que Isaías 40:22 não se refere a uma Terra esférica. Simplesmente não existe embasamento para Eastman, Sarfati e Morris (criacionistas de Terra jovem proeminentes) para declarar, em contrário ao bom senso e em violação do domínio semântico, que chûgh literalmente significa esfericidade.” (Robert J. Schneider, essay for the [Christian] American Scientific Affiliation, September 2001)

Leia Does the Bible Teach a Spherical Earth? por Robert J. Schneider

Estas passagens, além da mais explícita seção astronômica do não-canônico Livro de Enoch (1 Enoch capítulos 33-34, Charles, 1913), levam os cristãos mais literalistas a rejeitar a ideia de uma Terra esférica como uma heresia. Portanto, essa teoria da Terra plana está associada ao Cristianismo desde o início. Alguns dos assim chamados “pais da igreja” acreditavam nisso, como Lactâncio, Tertuliano, Clemente de Alexandria (White 1955, p. 92). Gradualmente, eles desenvolveram um sistema de Terra plana “científico” para se opor à astronomia de Ptolomeu, que começava a se popularizar.

Jeffrey Burton Russell, historiador e autor de Inventing the Flat Earth, esclarece esses pontos:

“É preciso primeiro, reiterar que com extraordinárias poucas exceções, nenhuma pessoa instruída ao longo da história civilização ocidental a partir do terceiro século antes de Cristo em diante, acreditava que a Terra era plana. Uma Terra esférica apareceu pela primeira vez no sexto século antes de Cristo, com Pitágoras, o qual foi seguido por Aristóteles, Euclides e Aristarco, entre outros, que também observaram que a Terra era esférica. Embora houvesse poucos dissidentes – Leukippos e Demokritos por exemplo – na época de Erastosthenes (século 3 antes de Cristo), seguido por Crates (século 2 antes de Cristo), Strabo (século 3 antes de Cristo), e Ptolomeu (primeiro século antes de Cristo), a forma esférica da Terra era aceita  por todos os gregos e romanos educados. Essa situação não mudou com o advento do cristianismo. Poucos – talvez dois ou no máximo cinco – dos pais da igreja negavam que a Terra fosse esférica, se baseando em passagens como Salmos 104:2-3 como indicações geográficas e não metafóricas. Por outro lado, dezenas de milhares de teólogos cristãos, poetas, artistas e cientistas,  consideraram a Terra como esférica nos primeiros séculos, nos tempos medievais e também nos tempos da igreja moderna. Nenhuma pessoa educada acreditava no contrário.” (Russell, essay for the [Christian] American Scientific Affiliation, August 1997)

Veja The Myth of the Flat Earth por Jeffrey Burton Russell

A obra Almagest, de Cladius Ptolomeu, escrita aproximadamente em 140 depois de Cristo, foi o ápice de mais de seis séculos da astronomia grega. Não foi antes de 550 depois de Cristo, que Cosmas Indicopleustes publicou sua teoria alternativa da Terra plana, no seu livro Christian Topography. Cosmas, um monge egípcio, ofereceu muitos dos mesmos argumentos usados por outros que defendem que a Terra é plana atualmente, mas chegou a uma conclusão diferente sobre a forma da Terra.  Pinçando citações das Escrituras e de obras dos pais da igreja, Cosmas tentou mostrar que a Terra é um retângulo plano com dimensões norte-sul e leste-oeste. O nascer e o pôr do Sol, segundo ele, eram causados por uma montanha muito alta que ficava localizada no extremo norte (Cosmas 550 AD).

Cosmas lutou uma batalha já perdida, e a antiga ideia da Terra plana rapidamente perdeu terreno. O sistema ptolomaico de astronomia, baseado numa Terra esférica, trabalhava razoavelmente bem. Por volta do século XII, a ideia de uma Terra plana estava totalmente morta no Ocidente.

Embora a bíblia não especifique a forma plana da Terra, repetidamente afirma que a Terra não se move:

Trema diante dele toda a terra; o mundo se acha firmado, de modo que se não pode abalar.– 1 Crônicas 16:30

Reina o SENHOR. Revestiu-se de majestade; de poder se revestiu o SENHOR e se cingiu. Firmou o mundo, que não vacila. — Salmos 93:1

Dizei entre as nações: O Senhor reina; ele firmou o mundo, de modo que não pode ser abalado. Ele julgará os povos com retidão.— Salmos 96:10

Lançou os fundamentos da terra; ela não vacilará em tempo algum.– Salmos 104:5

(ver também Salmos 8:4; 19:4-7; 104:19; 119:90; Eclesiastes 1:5; 2 Reis 20:9-11; 2 Crônicas 32:24; Isaías 38:7-8; 45:18; Josué 10:12-14; Juízes 5:31; Jó 9:7; Habacuque 3:11; Tiago 1:11-12; e os deuterocanônicos Eclesiástico 43:1-10; 46:3-4; Sabedoria 7:18-19)

Estes mesmos clérigos que acharam fácil ignorar seus conceitos de Terra plana e adotar o sistema geocêntrico porém esférico de Ptolomeu foram fortemente abalados por Copérnico e Galileu. A reação da igreja católica a Galileu é bem conhecida. É menos conhecida a reação dos reformadores protestantes – Lutero, Calvino, Wesley – que também rejeitaram o sistema de Copérnico por causa da Bíblia (White 1955, p. 125ff). Poucos cientistas bíblicos protestantes têm lutado contra o sistema heliocêntrico desde então.

Ver Geocentrism: Flogging a Pink Unicorn por Alec MacAndrew

Defensores modernos da Terra plana

O movimento moderno em defesa da Terra plana, começou na Inglaterra em 1849, com a publicação de um panfleto de dezesseis páginas, chamado Zetetic Astronomy: A Description of Several Experiments which Prove that the Surface of the Sea is a Perfect Plane and that the Earth is Not a Globe! por “Parallax.” Nos 35 anos seguintes, Parallax – seu nome verdadeiro era Samuel Birley Rowbotham — atravessou a Inglaterra, atacando o sistema esférico em palestras públicas. Seu sistema, completamente original, conhecido por seus aderentes como “zetetic astronomy,” é melhor descrito na segunda edição, com 430 páginas, do seu livro Earth Not a Globe, publicado em 1873 also usando o pseudônimo de Parallax (1873a).

A essência da astronomia zetética é a seguinte: o mundo conhecido é um vasto plano circular, com o pólo norte no centro e 150 pés de uma parede de gelo no limite sul. O equador é um círculo cortado ao meio. O sol, lua e planetas giram em torno da Terra na região do Equador numa altitude de 600 milhas. O movimento de “nascer” e “se por” é uma ilusão de ótica causada pela refração atmosférica e a lei zetética de perspectiva. A última lei também explica porque os navios desaparecem no horizonte quando entram em mar alto.  A lua tem luz própria, e é ocasionalmente eclipsada quando um corpo invisível e escuro passa diante dela. Todo o universo conhecido é literalmente coberto pelo “firmamento” (abóbada) que é descrito na Bíblia.

Rowbotham (Parallax) e seus seguidores encontraram terreno fértil e o movimento da Terra plana “pegou” por volta de 1860, logo depois que  The Origin of Species de Charles Darwin, foi publicado. Clérigos conservadores que acreditavam que todos os geólogos estavam errados, não tiveram problemas em acreditar que o mesmo acontecia com todos os astrônomos. Como a maioria dos mais sinceros cientistas bíblicos da época, os da Terra plana fizeram da “astronomia zetética” a bola da vez na Inglaterra Vitoriana. Antes do final do século XIX, o movimento se espalhou para a América e para o resto do mundo de língua inglesa. Poucos acadêmicos profissionais aderiram, os que aderiam eram exceções.  Alexander McInnes da Glasgow University era um defensor veemente da Terra plana, assim como Arthur V. White da University of Toronto. A maioria dos defensores dessa teoria de Terra plana que podiam mostrar “credenciais”, eram clérigos ou engenheiros.

Na América, a Terra plana tornou-se doutrina central  da Wilbur Glenn Voliva‘s Igreja Católica Apostólica em Zion, Illinois. Durante os anos 1920 e 1930, milhares de residentes de Zion eram pelo menos nominalmente, crentes na Terra plana. Em algumas famílias, três gerações aprenderam a doutrina da Terra plana nas escolas paroquiais de Zion. Em todas as estações de rádio, Voliva esbravejou contra os “trigêmeos do diabo”, “evolução, crítica bíblica e astronomia moderna.” A popularidade desse surto de “Terra-planismo” declinou na América, depois da morte de Voliva em 1942, mas o movimento ainda vive e bem, e tem sede em Lancaster, Califórnia.

Liberal, Moderado, Conservador: Terra jovem, geocentristas, Terra plana

Embora o “Terra-planismo” fosse tão bem suportado biblicamente e cientificamente quanto o criacionismo, os criacionistas não querem se ver associados com os Terra-planistas. Num debate público com Duane T. Gish, diretor associado do Institute for Creation Research, o paleontologista Michael Voorhies sugeriu que o Creation Research Society é parecido com o Flat Earth Society. De acordo com um relato sobre o debate, publicado em uma “newsletter” do ICR de maio de 1979, Acts and Facts, Gish respondeu “nem um único membro da Creation Research Society era membro da Flat Earth Society e que a tentativa de associar as duas associações não era nada mais do que um borrão.” Gish citou uma réplica na edição de setembro de 1979 da The Flat Earth News por um leitor que escreveu uma carta indignada (identificado apenas como G.J.D.), que tinha lido a matéria de Acts and Facts. G.J.D. contestou a alegação de Gish de que não havia membros da Flat Earth Society entre os membros da Creation Research Society, concluindo, “Ele não sabe do que está falando, pois eu mesmo sou membro de ambas, e estou escrevendo a ele para mostrar a ele que está errado.” Ironicamente, Gish pode ter criado um caso. Para protestar pelo ataque desferido contra os “terra-planistas”, G.J.D. deixou de ser membro do Creation Research Society.

Picture to the right: The Mars Orbiter Camera (MOC) aboard NASA’s Mars Global Surveyor (MGS) spacecraft currently orbiting the red planet photographed Earth, the moon and Jupiter, as seen in the evening sky of Mars, at 9 am EDT, May 8, 2003. This is the first image of Earth ever taken from another planet that actually shows our home as a planetary disk. Because Earth and the Moon are closer to the Sun than Mars, they exhibit phases, just as the Moon, Venus, and Mercury do when viewed from Earth. The MOC Earth/Moon image has been specially processed to allow both Earth (with an apparent magnitude of -2.5) and the much darker Moon (with an apparent magnitude of +0.9) to be visible together. The bright area at the top of the image of Earth is cloud cover over central and eastern North America. Below that, a darker area includes Central America and the Gulf of Mexico. The bright feature near the center-right of the crescent Earth consists of clouds over northern South America.

Havendo ou não “terra-planistas” entre os membros da Creation Research Society, o criacionismo de Terra Jovem estava associado de perto com o movimento da Terra plana.  De fato, criacionismo Terra Jovem, Geocentrismo e Terra-planismo eram respectivamente os setores liberais, moderados e conservadores da árvore da “ciência bíblica”. A intensa hostilidade expressa pelos criacionistas científicos contra os “terra-planistas” não se estendia aos geocentristas modernos, que eram respeitados entre os criacionistas. Embora a bíblia esteja, de Gênesis ao Apocalipse, referindo-se a uma Terra plana, os geocentristas combinaram forças com os criacionistas “liberais” para atirar os “terra-planistas” ao obscurecimento.

Apesar da sua guerra mortífera, os “cientistas bíblicos” estão de acordo em bom número de assuntos. Eles concordam que a bíblia é útil como texto científico, concordam sobre a fraqueza de meras “teorias”, sobre a duplicidade dos cientistas e sobre o fracasso da ciência convencional.  O termo “ciência bíblica” é interpretado no seu sentido mais literal. Para participar do Creation Research Society, todos precisam assinar uma profissão de fé que diz:

“A Bíblia é palavra escrita de Deus, e porque nós acreditamos que ela seja inspirada totalmente, todas as suas afirmações são historicamente e cientificamente verdadeiras em todos os originais. Para o estudante da natureza, isso significa que a narrativa da criação em Gênesis é uma apresentação factual de simples verdades históricas.”

Henry M. Morris coloca isso de forma mais forte:

“A questão, é que a Bíblia é ao mesmo tempo verdade verbalmente e literalmente inspirada.  Sempre que ela lida com questões científicas ou históricas, significa que é exatamente o que ela diz e que é completamente acurada. Quando figuras de linguagem são usadas, seu significado é evidente no contexto, como em qualquer outro livro. Não existe nenhuma falácia científica na Bíblia como um todo. Ciência é “conhecimento”, e a bíblia é um livro de conhecimento verdadeiro e factual, em qualquer assunto sobre o qual trate. A bíblia é um livro científico! (1974a, p. 229)

Samuel Birley Rowbotham, fundador do movimento moderno da Terra plana, concorda totalmente com Morris:

“Dizer que a Escritura não pretendiam ensinar ciência de forma exata, é, em resumo, declarar que Deus comissionou seus profetas a ensinar coisas que são totalmente falsas.” (Parallax 1873a, p. 357)

Sentimentos semelhantes são expressos pelo “terra-planista” David Wardlaw Scott, que escreveu,

“Ela [Bíblia] nunca contradiz os fatos, e, para o verdadeiro estudante cristão, ensina ciência mais real do que todas as escolas e colégios do mundo.” (1901, p. 284)

Em outra parte, Scott diz em seu livro,

“Pode ser que essas páginas satisfaçam a necessidade de muitos, que não tenham sido totalmente enganados por fantasias improváveis, que ficarão felizes em saber que a narrativa bíblica da criação, é acima de tudo, a única que se sustenta, e que a Astronomia Moderna, assim como sua parente teoria da evolução, nada mais são do que zombarias, ilusões, e laços.”(1901, p. iii)

Enquanto as teorias são a espinha dorsal da ciência convencional, a frase de Scott “fantasias improváveis” parece resumir o que os cientistas bíblicos pensam sobre a ciência convencional. Eles não querem nada além dos “fatos”. Como, certa vez, Gish contou para sua audiência,

“Ainda não encontrei um fato científico que contradiga a bíblia, a palavra de Deus. Agora eu e você estamos ambos conscientes de muitas teorias científicas que contrariam a bíblia. Quando separarmos aquelas que são meramente opiniões ou teorias ou ideias do que é fato, não haverá mais nenhuma contradição.” (1978)

Outros criacionistas expressaram a mesma opinião. Em seu prefácio para o livro didático criacionista Biology: A Search for Order in Complexity, John N. Moore afirma que “verdadeira ciência” requer que os dados sejam apresentados como eles são” e que um ponto de vista filosófico sobre as origens” não pode ser ciência. (Moore & Slusher 1974).

Qualquer Terra-planista concordaria. Com efeito, em suas palestras e escritos, Samuel Birley Rowbotham repetidamente enfatiza a importância de se respeitar os “fatos”.  Ele chama o seu sistema de “astronomia zetética” (do verbo grego vetetikos, que significa buscar ou inquirir) porque ele se baseia somente em fatos e não em meras teorias como as de  Copérnico e Newton. Rowbotham devotou o primeiro capítulo inteiro da sua “obra magna” a elogiar os fatos em detrimento das teorias, concluindo,

“Deixe a prática de teorizar ser abandonada como opressiva aos poderes da razão, fatal ao total desenvolvimento da verdade, e, em todos os sentidos, inimiga do sólido progresso do que chamamos filosofia.” (Parallax 1873a, p. 8)

O fato é que esses cientistas bíblicos suspeitavam da duplicidade dos cientistas teóricos. Criacionistas científicos raramente expressavam suas suspeitas em “português claro”, mas eles fortemente afirmavam que muito da ciência moderna – a datação radiométrica por exemplo – era uma fraude. Um geocentrista proeminente, também astrônomo e cientista computacional, James N. Hanson, é mais sincero. Numa palestra pública, ele disse sobre os astrônomos não-geocêntricos, “Eles mentem muito” (Hanson 1979). Charles K. Johnson, presidente da Flat Earth Society, é absolutamente veemente sobre a desonestidade dos cientistas. Nas páginas do he Flat Earth News, ele regularmente chama os cientistas de “mentirosos” e “amigos dementes dopados” e ainda afirma que o programa espacial é um “jogo”.

Além de concordarem nas interpretações científicas, muitos cientistas bíblicos compartilhavam certas ideias teológicas. Tais como:

(1) a evolução (e/ou a teoria esférica) não pode ser reconciliada com a Bíblia;

(2) a evolução (e/ou a teoria esférica) nega o Deus pessoal e leva à degradação moral;

(3) foi por essas razões que Satã inventou a evolução (e/ou a teoria esférica).

Muitos cristãos aceitam a evolução como um método que Deus usou na criação, um conceito chamado “evolução teísta”. Duane Gish explicitamente rejeita essa ideia.

“Nem por um momento eu creio que a teoria da evolução possa ser reconciliada com a bíblia. Evolução teísta é um desastre tanto biblicamente quanto cientificamente. É má ciência e má teologia.” E “Você realmente não pode acreditar na Bíblia e na teoria da evolução ao mesmo tempo.” (Gish 1978)

Rowbotham disse o mesmo a respeito da teoria esférica: “Esses filósofos Newtonianos que ainda sustentam que a Escritura Sagrada é palavra de Deus, estão num dilema terrível. Como podem dois sistemas tão diretamente opostos ser reconciliados?” (Parallax 1873a, p. 357) John Hampden colocou isso de forma mais clara: “Ninguém pode acreditar numa única doutrina ou dogma que seja da astronomia moderna, e aceitar as Escrituras como revelação divina” (citado by Rectangle 1899). Assim como os Terra-planistas, Hampden também aceitava a doutrina da criação em seis dias literais, e levava essa opinião às últimas consequências, escrevendo “Se pode provar… que dias não se referem a dias, então os infiéis estão totalmente justificados em rir com escárnio de qualquer outra frase ou qualquer outra afirmação, desde o primeiro até o último versículo da Bíblia.” (Rectangle 1899).

Os cientistas bíblicos tipicamente sentem que a ciência ortodoxa ameaça a doutrina de um Deus pessoal. Como Duane Gish coloca, “se eles (cientistas convencionais) acreditam que Deus existe, Ele está lá fora em algum lugar, e não tem participação alguma na origem do universo” (1978). Henry Morris diz o mesmo de forma diferente: “A grande maioria das pessoas, principalmente os intelectuais, preferem uma teoria evolucionista das origens, porque isso, consciente ou inconscientemente, relega o Criador a um papel secundário, indefinido ou ilusório no universo, e nas vidas dos homens que estão em rebelião moral contra Ele.” (Morris 1963, p. 92-93). Albert Smith, o então editor de Earth — Not a Globe — Review, expressou a mesma insegurança dos modernos criacionistas:

“Na hipótese astronômica, o mundo é como um órfão sem cuidado, ou um andarilho desolado: Deus é removido para longe o suficiente para não ter mais nenhuma utilidade; e a idéia da Eternidade é tão vaga, que em tal lugar, se é que existe mesmo, pode ser em qualquer lugar ou lugar nenhum.”  (citado por Rectangle 1899, p. 161)

Quem poderia ser…. SATÃ?

Desde o começo, Henry M. Morris foi citado afirmando que Satã revelou a evolução a Nimrod na Torre de Babel. Em outra parte, ele repetidamente argumenta que os evolucionistas são guiados pela mão de Satã, cujo conceito de evolução é tão antigo quanto Babel.

“Por trás de ambos os grupos de evolucionistas (teístas e ateístas) qualquer um pode discernir a influência da velha serpente chamada Diabo, Satã, que engana todo mundo (Apocalipse 12:9) Como vimos, pode ter sido o próprio engano da evolução que levou Satã a se rebelar contra Deus, e foi essencialmente com a mesma mentira que ele enganou Eva, e com a qual ele continua a enganar o mundo inteiro.”(Morris, 1963, p. 93)

As palavras de Morris soam familiares aos Terra-planistas. “Eu acredito que a real fonte da Astronomia Moderna foi SATANÁS”, escreveu o Terra-planista David Wardlaw Scott (1901, p. 287). “Desde a primeira tentação de Eva no Jardim do Éden, até hoje, seu grande objetivo é lançar descrédito sobre a Verdade de Deus.” John Hampden concordou, chamando a teoria esférica de “aquele instrumento satânico que fala sobre um globo em movimento, que desafia a Escritura, a razão e os fatos.” (1886, p. 60).

Em sua apaixonada batalha contra Satã, os criacionistas adotaram exatamente as mesmas táticas que os Terra-planistas britânicos tinham usado um século antes. Estas eram essencialmente táticas políticas, voltadas diretamente para as igrejas. Ativistas locais vendem livros e panfletos e escrevem “cartas ao editor”. Um grupo de docentes qualificados cruzavam o país falando em igrejas, organizações religiosas, ou em qualquer lugar onde obtivessem uma sala e uma multidão.  Em ambos, literatura e as palestras, a mensagem é a mesma: os cientistas estão tentando destruir a religião. Como a inglesa Universal Zetetic Society, o Institute for Creation Research atua com edição, preparação de aulas, e usando meios de comunicação para todas essas atividades.

No início dos anos 1970, os membros do Institute for Creation Research começaram a debater evolucionismo sempre que era possível. Nesses debates, os criacionistas usavam textos do Terra-planista John Hampden, quem disse certa vez a um crítico,

“Não fomos nós que aparecemos ao público oferecendo um tipo de novidade atraente e apelando por patrocínio. Nada desse tipo. Você e o público estão na defensiva. Nós somos seus acusadores. A novidade foi introduzida por vocês, e vocês é que têm que justificar suas interferências com o que estava perfeito antes.” (1886, p. 64)

Os criacionistas esperam seus oponentes defenderem a evolução, para então atirar pedras neles, e com frequência os adversários entram no jogo. O infeliz evolucionista, diante de um debatedor criacionista experiente, parece muitas vezes um homem desarmado tentando invadir uma fortaleza.  Muitos dos Terra-planistas eram bons debatedores. George Bernard Shaw descreveu um fórum público no qual um terra-planista enfrentou um esférico e resistiu à sua oposição (Gardner 1957). Rowbotham era como um tigre no palco, raramente era superado. Os bons cidadãos de Leeds, Inglaterra, correram para fora, sendo incapazes de dar uma resposta mais efetiva aos seus argumentos pela Terra plana (Parallax 1873b). Em In Brockport, New York, em março de 1887,  dois cavalheiros cientistas defenderam a esfericidade da Terra contra a forma plana defendida por M.C. Flanders, por três noites consecutivas.  Quando o “grande debate” terminou, cinco jurados escolheram o vencedor num veredito unânime. Seu relatório, publicado no Brockport Democrat, declarou claramente e enfaticamente sua opinião de que a balança de evidências pendeu para o lado do Terra-planista (Hampden 1887).

Desafios a dinheiro eram outra forma que os cientistas bíblicos usavam contra seus oponentes. No final do século, Koresh (Cyrus Reed Teed), um cientista bíblico de  Chicago, ofereceu um prêmio de 5 mil dólares a quem refutasse sua teoria de que a Terra era oca e que nós vivemos dentro dela. Ninguém venceu. Nos anos 1920 e 1930, Wilbur Glenn Voliva ofereceu um prêmio de 5 mil dólares a quem provasse para ele que a Terra não era plana. Ninguém conseguiu. Na época em que esse artigo foi escrito (1982), o engenheiro criacionista R.G. Elmendorf ofereceu 5 mil dólares a quem provasse a ele que a evolução é possível (1976). Como Elmendorf é também um tipo de geocentrista, ele ofeceu mil dólares a quem provasse que a Terra se movia (1980).

Conclusão

Em muitos aspectos, os criacionistas de Terra jovem diferem da maioria dos “cientistas bíblicos” do passado. Suas doutrinas possuem um apelo emocional que o Terra-planismo e o geocentrimo não tinham. Mais importante, os criacionistas possuem poder político significante, o qual eles estão sempre ansiosos por usar. Enquanto esse artigo era escrito, Louisiana elaborou uma lei que obriga que as doutrinas “científicas” dos criacionistas sejam ensinadas nas escolas públicas, junto com a teoria da evolução. (Em 22 de novembro de 1982, essa lei da Louisiana foi derrubada porque a legislação do estado não tem autoridade para determinar o currículo escolar). Agitação significante tem ocorrido em outros estados (dos EUA).

Algumas doutrinas dos “cientistas bíblicos” evoluíram, mas em outros aspectos eles continuam presos num círculo vicioso, e muitos querem dar às suas doutrinas bíblicas, força de lei.

Referências

Charles, R.H. 1913. The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament, vol 2, Oxford: Clarendon Press.

Cosmas Indicopleustes, c. 550 AD Topographia Christiana. Trans by J.W. McCrindle, London: Hakluty Society (1897).

Elmendorf, R.G. 1976. $5,000 reward and a challenge to evolution. (Flyer dated 1 Sept 1976).

_____ 1980. $1,000 reward for scientific proof-positive that the earth moves. (Flyer dated 10 March 1980).

Gardner, Martin. 1957. Fads and Fallacies in the Name of Science. NY: Dover.

Gish, Duane T. 1978. Tape of a lecture to the Lutheran Evangelistic Conference in Minneapolis, 23 Jan 1978.

Hampden, John. 1886. The Earth: Scripturally, rationally, and practically described. A geographical, philosophical, and educational review, nautical guide, and general student’s manual, #8. 11 December.

_____ 1887. ibid, #17, 1 November.

Hanson, James N. 1979. Tape of geocentric lecture delivered in Texas.

Moore, John N. and Slusher, Harold S. 1974. Biology: a search for order in complexity. Rev ed, Grand Rapids: Zondervan.

Morris, Henry M. 1963. The Twilight of Evolution. Grand Rapids: Baker Books.

_____ 1974a. Many Infallible Proofs. San Diego: Creation-Life Pub.

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_____ 1975. The Troubled Waters of Evolution. San Diego: Creation-Life Pub.

Parallax (Samuel Birley Rowbotham). 1949. Zetetic Astronomy: a description of several experiments which prove that the surface of the sea is a perfect plane and that the earth is not a globe! Birm, England: W. Cornish.

_____ 1873a. Earth Not a Globe. London: John B. Day.

_____ 1873b. The Zetetic. vol 2, no 2, p. 39.

Rectangle (Thomas Winship). 1899. Zetetic Cosmogony; or conclusive evidence that the world is not a rotating, revolving globe, but a stationary plane circle, 2nd ed. Durban, South Africa: T.L. Cullingworth.

Scott, David Wardlaw. 1901. Terra Firma: The Earth not a Planet. London: Simpkin, Marshall, and Co.

Sloan, Robert. 1980. Personal communication.

Whitcomb, John C. and Morris, Henry M. 1961. The Genesis Flood. NJ: Presbyterian and Reformed Pub.

White, Andrew D. 1955. A History of the Warfare of Science with Theology in Christendom, vol 1. NY: George Braziller (orig 1900).

O texto acima, em tradução livre efetuada por mim, encontra-se em sua fonte original, em inglês, no link seguinte:

The evolution of “Bible-Science – Young Earthers, Geocentrists & Flat Earthers

Fonte da tradução: Conheça a História do “Ciencía-Bíblica”: Criacionistas da Terra Jovem, Geocentristas e Terra-planistas.

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About Max Rangel

Servo do Eterno, Casado com Arlete Vieira, Pai de 2 filhas, Analista de Sistemas, Fundador e Colunista do site www.religiaopura.com.br.

Além disso, veja também:

A longevidade e a ciência na antiguidade bíblica

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