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Judeus ou Romanos? Quem foram responsáveis pela morte de Cristo?

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CONTEXTUALIZAÇÃO: Há algumas passagens bíblicas que não podem ser totalmente compreendidas a menos que tenhamos algum conhecimento do Santuário e suas cerimônias. Um exemplo se encontra em Mateus 26:63-65. Perante a declaração do Senhor Jesus afirmando ser o Messias, o sumo sacerdote Caifás rasgou as suas vestes, atitude que lhe era proibida sob pena de morte (Levítico 21:10 e 10:6). Temos então que o verdadeiro condenado a morte era Caifás e não Jesus (Na verdade, este fato já invalidava o sacerdócio Levítico para ser substituído pelo sacerdócio eterno do Senhor Jesus Cristo). 

O julgamento de Jesus

Em segundo lugar, por ser o sistema cerimonial uma representação tridimensional do Evangelho, compreendemos que seu estudo pode significar um maior entendimento de verdades eternas, especialmente, da obra que Cristo realizou e está realizando em nosso favor.

 

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O que a Bíblia nos conta?

O Senhor Jesus no sinédrio

Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus convocaram uma reunião do Sinédrio. “O que faremos?”, perguntaram eles. “porquanto este homem vem operando muitos sinais” (João 11.47).

O Sinédrio era composto pelo sumo sacerdote, que o presidia, por outras pessoas importantes de famílias sacerdotais, por um grupo de homens notáveis das famílias não-sacerdotais (os anciãos) e por um grupo de mestres da Lei, até completar o número 71. Tinha autoridade em questões internas dos judeus, especialmente religiosas.

É muito significativo, neste ponto, que o sinédrio não mais procurava autenticar ou negar os sinais feitos por Jesus; mas antes, seus membros só se interessavam por tomar alguma medida que fizesse cessar os seus milagres, através de sua execução.

O medo de perder o lugar

“Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação” (João 11.48).

É muito possível que a interpretação central, neste caso, seja simplesmente que temiam a perda de sua autoridade, e que os romanos passariam a governar a nação de Israel de maneira absoluta; e também é possível que tudo não tenha passado de uma profecia inconsciente (como a de Caifás que aparece logo em seguida), sobre a destruição de Jerusalém, o que efetivamente ocorreu, no ano 70 d.C.

Caifás maquinando o plano

“E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis” (João 11.49).

Caifás. Sumo sacerdote por volta de 18-36 d.C. Era genro de Anás (João 18.13), que tinha sido deposto do sumo sacerdócio pelos romanos em 15 d.C. naquele ano era o sumo sacerdote. Significa “era o sumo sacerdote na ocasião”. O sumo sacerdócio não era cargo anual, mas devia ser vitalício. Nada sabeis. Observação típica da grosseria dos saduceus (Caifás, como sumo sacerdote, era saduceu).

O jogo de interesses

“Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação” (João 11.50).

Melhor. Caifás interessava-se pelas vantagens políticas, não por questões de culpa e inocência. Acreditava que um só homem, por mais inocente que fosse, devia perecer para que a nação inteira não sofresse riscos. Por ironia, embora os judeus dessem prosseguimento à execução de Jesus, em 70 d.C. a nação pereceu da mesma forma.

Caifás, pois, relembrou aos seus colegas que lhes seria vantajosa a morte de Jesus, porquanto, na qualidade de sacerdotes, levitas, fariseus, saduceus, etc., na qualidade de autoridades eclesiásticas e de membros do sinédrio, haveriam de sofrer a perda de sua posição, autoridade, rendas, impostos, terras, propriedades, honra e sabe lá o que mais…

A profecia

“Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação” (João 11.51).

Sendo o sumo sacerdote. Caifás não era cidadão comum – era o sumo sacerdote da parte de Deus, e Deus fez valer a sua soberania naquilo que foi dito. Suas palavras eram verdadeiras, de modo tal que ele nem sequer podia imaginar. Profecia nas Escrituras é transmissão de verdade divinamente revelada. O significado real das palavras de Caifás era que a morte de Jesus seria em prol da nação, não com o fim dos distúrbios políticos, mas com a eliminação dos pecados de quem nele cresse.

A profecia continua… A morte em prol da humanidade

“E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos” (João 11.52).

Ver também I João 2.2, onde se lê: “…e Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”. Nisso tudo vemos o universalismo cristão, condicionado à fé ou confiança em Cristo – a potencialidade é universal, o poder de efetivar o resultado é universal, porquanto Cristo é o Senhor universal, e o seu evangelho é um anúncio enviado a todos os homens.

Estava resolvido: morte

“Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem” (João 11.53).

Quando o Senhor Jesus começou a sofrer as horríveis pressões de uma pena de morte que já lhe fora arbitrariamente imposta, os seus discípulos puderam entender que a grande crise não estava distante, especialmente no caso de indivíduos como Nicodemos e José de Arimateia, que estavam presentes quando essa decisão foi decretada pelas autoridades religiosas do sinédrio.

O Senhor Jesus perante Pilatos

Acusado pelos chefes dos sacerdotes e pelos líderes religiosos, Ele nada respondeu. – Então Pilatos lhe perguntou: “Você não ouve a acusação que eles estão fazendo contra você?” – Quando Pilatos percebeu que não estava obtendo nenhum resultado, mas, ao contrário, estava se iniciando um tumulto, mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão e disse: “Estou inocente do sangue deste homem; a responsabilidade é de vocês” (Mateus 27.12,13,24).

Pilatos era o governador romano presente em Jerusalém na época da Páscoa. O Senhor Jesus foi levado a ele porque, de conformidade com a lei romana, os judeus não tinham autoridade para decretar pena de morte. Pilatos tornou-se o símbolo dos que tomam decisões religiosas à base da conveniência política, e não à base da verdade e justiça. Todo cristão deve tomar cuidado para não transigir com a Palavra de Deus. Ele deve tomar posição por aquilo que é justo, e não por coisas que servirão apenas a suas ambições egoístas.

A voz do povo

Então perguntou o governador: “Qual dos dois vocês querem que eu lhes solte?” Responderam eles “Barrabás!” – Perguntou Pilatos: “Que farei então com Jesus, chamado Cristo?” Todos responderam: “Crucifica-o!” – Todo o povo respondeu: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos!” – Então Pilatos soltou-lhes Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para ser crucificado. (Mateus 27.21,22, 25, 26).

“Responderam eles Barrabás”. As autoridades religiosas estavam solicitando o apoio do povo, na condenação de Jesus. Era uma multidão ao mesmo tempo maleável e tremendamente pervertida.

“Que farei então de Jesus…” É a pergunta central da existência humana. Alguns, como aquela multidão, desprezam-no, e não percebem necessidade de pensar nele.

Açoitar. Os açoites, antes da crucificação, eram um brutal costume romano, o qual fazia parte da punição capital. O açoite era feito de uma forte tira de couro, na ponta da qual havia um pedacinho de chumbo ou de outro metal, ou de osso. O número de açoites dependia do capricho do cruel executor. Com frequência esse espancamento reduzia o corpo a uma massa de carne sangrenta. O Senhor Jesus foi entregue aos soldados, a fim de que recebesse esse castigo cruel.

E nós nesta história?

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.3).

Ao assim dizer, naturalmente Paulo tinha a mente fixa nas profecias do Antigo Testamento, que deveriam ser cumpridas nesse particular. Portanto, a palavra “vós” em Atos 2.23, (…vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos) em última análise envolve todos os homens, embora o ato real da crucificação tenha sido realizado por uns poucos judeus e romanos, tendo sido decretada humanamente por um menor número ainda, reclamada em altos brados por uma multidão que, em relação aos bilhões de criaturas da humanidade, representava uma fração desprezível. Porém, nesses, todos nós estávamos representados.

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; (Romanos 3:23)

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome;
Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. (João 1:12,13)

 

O que a história secular nos conta?

EL PAÍS – Ainda não sabemos quem nem por que mataram Jesus

Existem, entre os quatro evangelhos canônicos, até sete versões diferentes e contrastantes de algumas passagens da crucificação.

Os cristãos se perguntam quem condenou Jesus e sob quais acusações concretas. Foram os judeus que o levaram para a cruz ou os romanos, que naquele tempo dominavam a Palestina e o consideravam um subversivo?

“Oremos pelos pérfidos judeus” … “Ouve, Deus, nossa oração pela obcecação desse povo para que seja libertado das trevas”. Essa oração foi rezada por milhões de católicos na liturgia da Sexta-Feira Santa desde 1570, quando o papa Pio V criou o Missal Romano.

Aquela oração injuriosa para a religião judaica, levava implícito (e assim era entendido pelos fiéis) que tinham sido os judeus que mataram Jesus. O escritor israelense Amos Oz diz abertamente: “Durante milênios a Igreja Católica dedicou-se a classificar os judeus como assassinos de Deus”.

Hoje, porém, os historiadores se inclinam a reconhecer que foram os romanos, e não os judeus, que mataram o profeta rebelde.

Os historiadores se inclinam a reconhecer que foram os romanos, e não os judeus, que mataram o profeta.

Foi o papa João XXIII que, em 1959, mandou tirar da oração da Sexta-Feira Santa a expressão “pérfidos judeus” e a “obcecação desse povo” que se negava a reconhecer a divindade de Jesus.

Paulo VI, que sucedeu João XXIII, deu mais um passo e tirou também a oração para que os “cegos judeus” se convertessem à fé.

A oração foi mudada no sentido positivo, e nela se rezava pelos judeus, “a quem o Senhor elegeu como os primeiros entre todos os homens para receber a sua palavra”.

Foi o papa alemão Bento 16 que permitiu aos católicos conservadores, contradizendo o Concílio Vaticano II, voltar à antiga liturgia em latim. E foi ele quem voltou a introduzir na oração da Sexta-Feira Santa a ideia de que os judeus devem se converter à fé cristã: “Oremos pelos judeus: Que Deus ilumine seus corações e reconheçam Jesus Cristo”. Foi uma volta atrás, e agora se espera que Francisco, o papa que mais respeitou e até manifestou admiração pela religião judaica, volte a retirar das orações dos cristãos qualquer vislumbre sobre a necessidade de que os judeus (a primeira grande religião monoteísta da história) precisem se converter a outra fé que não seja a deles.

Na verdade, desde as disputas dos primeiros cristãos no século II se começou a tentar colocar sobre os judeus o peso de terem condenado à morte o maior inocente da história, para se congraçar com os romanos, que, em princípio, perseguiram os cristãos e depois os conquistaram enchendo a Igreja de privilégios.

Se foram os romanos que, segundo os historiadores modernos, crucificaram Jesus, o que ainda não está claro são os motivos de sua sentença. No entanto, se a condenação à morte na cruz era destinada aos rebeldes políticos, não resta dúvida de que Pilatos e o poder romano daquele tempo se convenceram de que o profeta que desafiava os poderosos, que chegou a chamar o rei Herodes de “raposa” e que arrastava consigo uma multidão de desprezados pelo poder, tinha que ser crucificado como subversivo político.

Foi o papa alemão Bento 16 que permitiu aos católicos conservadores, contradizendo o Concílio Vaticano II, voltar à antiga liturgia em latim.

A inscrição colocada em sua cruz confirmaria: “Jesus, o rei dos judeus”, escrita para zombar dele por ter se proclamado, segundo os romanos, como o novo líder desse povo.

Assim como não sabemos pelos evangelhos oficiais nem onde nem quando Jesus nasceu, também não sabemos com certeza absoluta nem quem, nem quando nem porque crucificaram aquele profeta andarilho.

Jesus era um judeu que “curava todos”, que se proclamou sempre fiel seguidor da religião de seus pais e que, antecipando-se aos tempos, queria que a grande religião judaica não ficasse restrita apenas a um povo, mas que se abrisse também aos gentios e pagãos, aos não circuncidados, para que chegasse o dia –como disse à mulher samaritana– em que os homens e as mulheres não precisassem render culto nem no templo dos judeus nem no dos samaritanos, mas “em espírito e em verdade”.

Ali Jesus inaugurou o ecumenismo moderno, que vê na fidelidade à própria consciência o único templo verdadeiro onde podem se reunir, sem distinção nem guerras de religião, todos os seres humanos.

Talvez em nenhum outro momento da vida de Jesus os quatro evangelistas insistam tanto como na narração dos fatos da paixão e morte de Jesus. E, no entanto, ao mesmo tempo, em nenhum outro momento de sua biografia existem tantas diferenças e discrepâncias entre os quatro evangelhos oficiais da Igreja.

Mesmo sendo verdade que os evangelistas não tentaram escrever história no sentido moderno, mas sim “comunicar uma mensagem religiosa”, como explica Winter e confirma outro especialista, Martin Dibelius, também é fato que dentro desses relatos (mesmo discrepantes entre eles) existe escondida uma verdade histórica que exige um grande esforço hermenêutico para se descobrir.

Existem, entre os quatro evangelistas, até sete versões diferentes de alguns momentos da descrição da crucificação.

Pilatos e o poder romano daquele tempo se convenceram de que o profeta que desafiava os poderosos e tinha que ser crucificado como subversivo político.

E, no entanto, do fundo daqueles fatos ainda obscuros, surgiu um dos grandes movimentos (não apenas religioso, mas também político, humanista e até jurídico) da história. E nela segue ressonando como reflexão a pergunta de Pilatos a Jesus durante o interrogatório do processo: “Que é a verdade?”.

6Assegurou-lhes Jesus: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. 7Se vós, de fato, tivésseis me conhecido, teríeis conhecido também a meu Pai; e desde agora vós o conheceis e o vistes.” (João 14)

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Sobre Max Rangel

Servo do Eterno, Casado com Arlete Vieira, Pai de 2 filhas, Analista de Sistemas, Fundador e Colunista do site www.religiaopura.com.br.

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