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REFLEXÕES SOBRE A IGREJA DOS PRIMEIROS SÉCULOS

No primeiro século, a ceia do Senhor era o centro do culto cristão. Os irmãos se reuniam com o objetivo de comemorar, por meio do partir do pão, a morte expiatória do Filho de Deus e a Sua gloriosa ressurreição.

Era uma reunião eminentemente fraternal, com a participação efetiva de todos, onde a comunhão plena e o uso dons espirituais para edificação mútua eram uma característica indissociável. Os pastores, também chamados de anciões, bispos ou presbíteros, que atuavam no seio das congregações, não assumiam nenhum caráter clerical ou sacerdotal, mas tinham a plena consciência que eram encarregados pelo Espírito de Deus para exortar e ensinar a doutrina de Jesus Cristo em amor, como irmãos mais experientes e como servos dos demais.

Todos tomavam livremente parte no culto, seja fazendo uso da palavra, seja orando, indicando algum salmo ou hino para ser entoado por todos. Não havia uma importância maior de uns sobre os outros. Não havia “cargos” ou “posições”, mas sim “dons” e “ministérios”. O que presidia o culto não o monopolizava, mas estava ali para cuidar da boa ordem do mesmo. Tudo era feito com o acordo de todos. Não havia a supremacia de uns sobre os outros, pois isso havia sido diretamente condenado pelo Mestre. O Senhor Jesus ensinou um conceito de hierarquia totalmente distinto do humano (Mateus 20: 20-28, Mateus 23:1-11)

Não havia cerimonialismo. Não havia exibicionismos. Todos se conheciam e compartilhavam suas alegrias e tristezas. Na realidade, a reunião daqueles irmãos era apenas um prosseguimento do que faziam durante o dia. O Senhor Jesus, através de Sua própria vida, ensinou aos discípulos que eles não deviam dividir suas vidas em “vida profissional”, “vida familiar”, “vida eclesiástica”, etc, mas que em todas as áreas da vida da pessoa o Evangelho tivesse a direção.

O Mestre não dizia aos discípulos: Ouçam, daqui a duas horas faremos o culto, por isso precisamos colocar uma roupa especial e ir àquele lugar especial… Não! Sua vida já era um culto a Deus. Ele ensinava em qualquer lugar, na praia, nas casas, no templo em Jerusalém, num monte, etc. Ele não se escondia das pessoas, mas conversava com todos os que O buscavam e convidavam. Jesus vivenciava o Evangelho 24 horas por dia e assim deve ser conosco também. A santidade do Senhor não era religiosa, como a dos fariseus. Não era baseada nas aparências, mas sim no Espírito que habitava Nele. Assim devemos ser.

A leitura das Escrituras era uma parte importante do culto no primeiro século. Como não existia a divisão de capítulos e versículos, às vezes livros inteiros eram lidos numa só reunião, principalmente tratando-se de uma epístola apostólica. O Antigo Testamento era recebido como divinamente inspirado. Não existia o que hoje chamamos de “Novo Testamento”. Existiam as cartas escritas pelos apóstolos, que hoje fazem parte do que chamamos de Novo Testamento.

Era um tesouro sem preço poder ter todo o Antigo Testamento junto, assim como as cartas neotestamentárias. Depois da leitura era feita a pregação ou explanação, a qual era um desenvolvimento ou explicação prática da porção lida, ao estilo daquelas que eram feitas nas sinagogas. Havia profecias e outros dons na reunião e o ensino de Paulo é que tudo isso se faça com ordem e decência, dando sempre prioridade aos outros em vez de si mesmos. Não deve haver descontrole, pois o Senhor é Deus de ordem. Porém, ao mesmo tempo, não deve haver liturgia, pois Deus é liberdade.

O que todos precisamos é buscar a maturidade espiritual, a qual nos mostrará como devemos agir em qualquer situação ou lugar, até mesmo no culto. Quem tem o discernimento espiritual e vive segundo a mente de Cristo, não necessita de regras humanas de conduta (I Corintios 2:15-16). Nos tempos da perseguição dos primeiros séculos, a pregação buscava dar ânimo aos irmãos, afim de que, na hora da prova, eles se achassem fortes. Muitos discursos tinham como objetivo lembrar os sofrimentos e o valor dos mártires e havia exortação para imitar as virtudes daqueles que haviam sido fiéis até a morte.

Assuntos controversos e falsos ensinos não eram desconhecidos. As pregações apologéticas tinham o objetivo de ensinar aos que estavam começando as verdades da fé que eles iam professar publicamente e que com muita freqüência teriam que defender diante dos ataques do paganismo e do próprio governo imperial de Roma. Essa classe de discursos nunca entrava no culto propriamente dito e geralmente faziam parte de epístolas.

Voltando à reunião dos primeiros irmãos, o canto era também uma parte importante. Eram cantados salmos de Davi e hinos compostos pelos irmãos, os quais faziam referência às verdades da Graça do novo pacto. A oração era uma das partes essenciais do culto. Os cristãos se reuniam não somente para ouvir falar de Deus, mas para falar com Deus e ouvi-lo falar. A linguagem da oração era austera, evitando toda retórica desnecessária. As orações estavam cheias da linguagem das Escrituras, especialmente dos salmos e profetas. As orações não eram longas, evitando-se toda vã repetição. A oração pertencia a toda a assembléia e era dirigida numa língua inteligível.

Você leu sobre algumas características do culto primitivo, de acordo com relatos da época. Podemos aprender que em tudo prevalecia a simplicidade. O Senhor era adorado em Espírito e em Verdade, sem os rituais, cerimônias e pompas que caracterizavam o paganismo. Os dons espirituais eram colocados em prática para a edificação de todos, não para exibicionismos pessoais. A palavra que melhor define o culto é COMUNHÃO. Basta lembrar esses costumes para ter uma ideia do amor que unia a todos os que eram irmãos em Cristo (Apology, Tertuliano, capítulo XXXIX).

Para que haja um culto, não são necessários templos ou estruturas, mas sim servos do Senhor que O amem sobre todas as coisas. O Senhor disse que onde estivessem 2 ou 3 reunidos em Seu nome, ali Ele estaria e ali haveria autoridade para tomar decisões dentro da Igreja, que é o Seu Corpo. Para que haja crescimento na Igreja, não é necessário idealizar e colocar em prática estratégias de marketing, mas cumprir nossa tarefa de pregar o Evangelho e deixar que o Espírito santo de Deus faça crescer a semente que plantamos.

Havia problemas nas reuniões primitivas? Sim, havia. Esses problemas são corrigidos por Paulo e outros apóstolos em suas cartas. Nas ekklesias se reúnem pessoas justificadas, mas que, ao mesmo tempo, estão em processo de crescimento e maturidade. É possível que surjam dificuldades. Porém, tais dificuldades serão resolvidas pelo próprio Espírito do Pai Eterno, se realmente houver comunhão sincera entre os irmãos. Um dos principais propósitos da comunhão é esse: que os mais fortes, experientes e sábios possam ajudar, apoiar e ensinar aos menos.  Pode haver diferença de idéias e opiniões entre os irmãos? Sim, é possível.

Pedro e Paulo tiveram diferentes posições sobre como comportar-se diante dos judeus legalistas (Gálatas 2:11-16) . Porém, quando há comunhão e quando se reconhece que a Igreja é do Senhor e que Ele é a cabeça, as posições humanas perdem força e quem está errado, através do Espírito e da humildade, reconhece seu erro. O grande problema é quando a ESSÊNCIA da Igreja e do Evangelho é perdida, fazendo com que valores e princípios humanos sejam colocados em seu lugar. Isso começou a ocorrer a partir do século 4º, como veremos a seguir.

Nos séculos segundo e terceiro, o conservava ainda esse caráter que mostramos, mas já se sentia ameaçado pelo clericalismo de alguns bispos e pelo espírito cerimonial. No século 4º, como já estava profetizado, começaram a entrar nas ekklesias (igrejas) ensinamentos estranhos e líderes falsos. O imperador romano Constantino, oficializou o “cristianismo” como religião do Império. Jesus Cristo nunca buscou o poder político. Constantino, numa atitude política, começou a construir grandes templos, pois dizia que as outras religiões tinham grandes templos e a Igreja deveria ter também.

Jesus Cristo não ensinou a Seus discípulos a construírem nenhum templo, nem estruturas espetaculares, já que o Evangelho fora revelado para ser vivido em nossas vidas, as 24 horas do dia, e as reuniões entre os irmãos podem ser feitas em qualquer lugar (João 4:19-24). Não estamos aqui afirmando que um templo ou local determinado para a reunião entre os irmãos seja um erro. Quando se considera um templo como um lugar físico como qualquer outro lugar para reunir-nos, não há divergência alguma com o Evangelho vivido pelos irmãos primitivos, embora eles não fizessem questão alguma de construir templos nos 3 primeiros séculos, mesmo contando com milhares de irmãos em algumas cidades.

Isso é fato histórico. Não havia a necessidade de ter esses milhares reunidos numa só localidade num determinado momento, pois o elo espiritual é o que verdadeiramente une o Corpo. O que existe sim é a necessidade constante de congregar num nível relacional e de comunhão sincera, onde cada irmão conhece verdadeiramente os outros com que congrega e compartilha com eles a caminhada com Cristo.

É muito mais fácil compartilhar nossa caminhada com um grupo de irmãos que verdadeiramente conhecemos e temos genuína comunhão, do que ir a um local com 1.000 ou 2.000 pessoas que nem sequer sabemos o nome. O que estamos abordando aqui tem a ver com discernimento espiritual e não com ser contra ou a favor de algo, como se tivéssemos que escolher entre um “modelo” de Igreja e outro. A Igreja não deve seguir nenhum modelo, mas sim a Sua cabeça, que é o próprio Senhor.

É na experiência do Senhor em Sua caminhada com os Seus discípulos que devemos pautar nossa caminhada como Igreja! Vemos, na Palavra, que nem sequer o Senhor Jesus fez questão de manter fisicamente todos ao seu lado (Marcos 9:38-40). Então, não podemos afirmar, como o fazem alguns, que o simples fato de discípulos do Senhor se reunirem num templo, numa reunião com 5.000 ou 10.000 pessoas seja um erro. Não! Apenas estamos apontando para a experiência da Igreja nas primeiras décadas, onde se deu um grande crescimento em todos os sentidos sem a necessidade de grandes estruturas institucionais centralizadoras. Essa experiência foi pautada pela proximidade histórica com o ministério do Senhor e devemos estar atentos a isso.

O grande problema em relação ao templo é que se começou a considerar o templo como um LOCAL ESPECIAL E SUPERIOR AOS OUTROS, nos moldes das religiões existentes na época. Ao mesmo tempo, o líder da ekklesia romana começou a ser considerado “superior” aos demais irmãos e a ser chamado de “papa”.  O Senhor havia ensinado que todos somos irmãos e que não deve existir nenhuma hierarquia humana nem tentativa de assumir a direção da Igreja, mas sim uma comunhão baseada no serviço, considerando os outros como superiores a nós mesmos (Lucas 9:46-48, Mateus 20:26). Também ensinou que não devemos conhecer as pessoas pelos seus “títulos” religiosos (Mateus 23:8).

Cremos que Pedro, caso voltasse a nossos dias e descobrisse que lhe construíram um espetacular templo no Vaticano (“A Basílica de São Pedro”) e que a autoridade máxima dessa igreja (papa) se denomina um “sucessor” de Pedro, choraria amargamente ao ver a triste realidade em que se transformou a igreja romana. O processo de apostasia foi se aprofundando como uma enfermidade. As cartas dos apóstolos, que eram lidas para todos os irmãos nos primeiros séculos, e toda a Bíblia, começaram a ser proibidos para as pessoas “comuns”  e somente aqueles autorizados pela Igreja Romana podiam ler e “interpretar” a Palavra.  Assim começou a Igreja Católica Romana.

A igreja romana começou a envolver-se com os interesses políticos, os líderes começaram a receber dinheiro do Império a ali começou a apostasia que já fora profetizada pelo Senhor e pelos apóstolos. Observamos que, no momento em que a Igreja começou a afastar-se dos ensinamentos do Senhor, começou a cair. É claro que grupos de irmãos, que conheciam a Verdade do Evangelho, permaneceram fiéis naqueles dias, porém foram cruelmente perseguidos pela Igreja Romana durante séculos e muitos de seus registros históricos foram apagados pela Igreja Romana.

Esse processo de apostasia chegou a um ponto tal que, em determinado momento, a Igreja Romana,  através de seus representantes, partiu para vender “indulgências”, o seja,  vender perdão e lugar nos céus. Após 11 séculos de ter sido “criada” por Constantino, a Igreja Romana, que se dizia “cristã” e chamava para si a exclusividade da salvação dos homens, estava vendendo perdão e lugares nos céus para as pessoas, fazendo essas pessoas se dobrarem diante de outros homens, vivos ou mortos e proibindo que as pessoas tivessem acesso à Palavra, quando a mensagem central do Evangelho é o da salvação gratuita em Cristo, da igualdade entre os irmãos e do livre acesso que todo nascido de novo tem ao Pai no santíssimo lugar!

Logo depois, graças ao Senhor, veio Reforma Protestante, que trouxe de volta a crença original da salvação através da fé e possibilitou também o acesso de todos, em seus próprios idiomas, à Bíblia. Porém, apesar desses princípios positivos trazidos de volta pela Reforma, algumas estruturas permaneceram… Os templos continuaram sendo considerados como “lugares especiais de culto”. Os pastores, a exemplo do que já havia ocorrido com os padres e o clero católico, começaram a ser considerados homens “diferentes” do resto da Igreja.

O envolvimento e interdependência com o poder político continuaram, pois alguns Estados e países assumiram o protestantismo como “religião oficial” para oporem-se politicamente à Igreja Romana. A necessidade de ter uma estrutura visível também continuou. A Reforma trouxe coisas maravilhosas e abençoadas, mas não rompeu totalmente com todos os sofismas e enganos estruturais do catolicismo romano.

As igrejas protestantes herdaram muitas concepções e sutilezas da Igreja Católica Romana. É triste, mas atualmente vemos que muitas igrejas (denominações) evangélicas, que são herdeiras do protestantismo, estão indo pelo mesmo caminho da ekklesia em Roma no século 4º: Grandes estruturas, templos riquíssimos, pessoas que vão a um “local especial”, num “dia especial”, para ouvir um “homem especial”, mas que não estão dispostas a viver o Evangelho em sua plenitude, como testemunhas do Senhor neste mundo, em qualquer lugar e nas 24 horas do dia.

Denominações que fazem acordos com os poderes políticos, transformando as igrejas em verdadeiros currais eleitorais. Ensinos que estimulam o paganismo daqueles que apenas querem algo da Divindade em troca de “algo” dado pela pessoa. Em muitos lugares, embora não se diga abertamente, as bênçãos são vendidas, pregando-se a ideia que, enquanto maior for a oferta e/ou o sacrifício, maior será a benção a ser adquirida. Em outros lugares, se repartem ou se vendem “objetos sagrados” ou “objetos ungidos”.

Ensinos que estimulam os irmãos a buscarem a prosperidade material para viver de acordo com os esteriótipos do mundo. Líderes que exercem manipulações e domínio humano sobre o resto dos irmãos. Igrejas que baseiam sua relação com o Senhor em regras humanas de comportamento, quando o apóstolo Paulo diz que essas regras não têm nenhum valor diante dos desejos carnais, os quais devem ser vencidos através do crescimento e maturidade espirituais de cada um em Cristo (Colossenses 2:20-23).

Pessoas que estão tão comprometidas com a religião, que dizem que um culto doméstico ou um culto com 2 ou 3 irmãos numa casa, numa praça ou em qualquer lugar, apesar do Senhor ter prometido que estaria pessoalmente nessa reunião e da Palavra revelar que nós mesmos somos Templos do Espírito, é um culto “inferior” ou “de segunda categoria”, somente porque não foi realizado no templo ou “lugar especial”. Quando comparamos o que foi ensinado e vivido pelo Senhor e pelos Seus apóstolos, e aquilo que está sendo ensinado e vivido hoje em dia em muitas estruturas e instituições que se denominam cristãs, veremos uma grande diferença!

O Senhor Jesus não veio com o propósito de fundar denominações. Não veio estabelecer estruturas espetaculares. Ele veio estabelecer um povo, que não pode ser denominado, nem dividido em “segmentos”. Isso tem trazido muitas disputas no seio da Igreja. Se cada um seguisse a Cristo em Espírito e em Verdade, e estivesse apenas ocupado em obedecer ao Senhor e em amar a seus irmãos, não haveria contendas ou divisões. Ninguém chamaria para si o controle e gerenciamento de nenhum desses segmentos. Porém, o próprio conceito de “denominação” já é uma divisão…

Uma denominação é um grupo que já se dividiu de um grupo anterior… Por isso, não devemos caminhar presos a essas coisas. O Evangelho não precisa de denominações. Não precisa de templos. Não precisa da ajuda do governo. Não precisa de marketing nem de sistemas humanos de gerenciamento. Não precisa de dinheiro para manter uma estrutura, pois estruturas não são necessárias.  O Evangelho precisa de pessoas que tenham como o motivo essencial de suas vidas andar somente dentro daquilo que o Evangelho e a Graça de Deus os oferece como Caminho.

O Evangelho precisa de pessoas que tenham compromisso com Deus de levar as boas novas a todos, sendo sal e luz neste mundo. O Evangelho requer que haja constante comunhão entre os irmãos. Quando falamos de “irmãos”, estamos falando de todos os irmãos, sem exceções nem rótulos. Somos livres para congregar com aqueles que estão onde o Espírito de Deus nos enviar.

Somos livres para usar os dons que o Espírito Santo nos dá. Já não devemos estar presos a estruturas inventadas pelo homem. Isso parece difícil e realmente será para aqueles que ainda vivem como crianças espirituais. Busquemos do Senhor maturidade em Sua Palavra. Busquemos do Senhor direção para que Ele nos guie a ser verdadeiros servos Dele, para que juntos possamos crescer na Graça e no Conhecimento.

Voltar à vida ensinada pelo Senhor e vivida pelos irmãos primitivos não é levar os conceitos  da denominação e da religião para nossa casa o para qualquer outro lugar. Não é apenas uma mudança de local físico. Também não é fazer exatamente tudo o que os irmãos primitivos faziam, pois há diferenças históricas e culturais entre eles e nós.

Voltar aos princípios do Evangelho significa entregar-se completamente ao que foi ensinado pelo Senhor e vivido por Ele e seus primeiros discípulos, como uma essência que nasce no coração e se manifesta naturalmente em todas as nossas ações. Não é seguir um “modelo”, “script” ou “visão” de igreja, mas sim seguir ao Senhor no Caminho que Ele já mostrou em Sua própria caminhada entre nós. Ao mesmo tempo, é rejeitar completamente tudo o que se oponha ou que tente “melhorar” ou deturpar o que foi ensinado pelo Senhor e Seus apóstolos.

Nossa missão é pregar as boas novas para todas as pessoas e ensinar a essas pessoas a serem maduras em Cristo, para que elas também sejam testemunhas Dele neste mundo. Não é nossa missão fazer com que a Igreja cresça numericamente. O verdadeiro crescimento quem dá é Deus. Temos que lançar a semente do Evangelho em todo tempo, circunstância e lugar. O Espírito Santo fará o restante. Por isso, devemos descansar em Deus, sem preocupar-nos com resultados ou metas. Não devemos preocupar-nos com estruturas e aparências, mas sim com as necessidades de cada irmão, para que nada falte a nenhum deles.

Devemos estar atentos também a toda a profundidade das revelações que Paulo recebeu sobre a Graça de Deus. Se nos tempos da lei a relação entre Deus e o Seu povo (Israel) se baseava permissões e proibições, através de regras (nós sabemos que ninguém se justificou diante de Deus por essas obras da lei e que somente o Senhor Jesus a cumpriu perfeitamente), depois do sacrifício Dele, nós somos justificados pela fé em Seu sacrifício na cruz.

Já não devemos relacionar-nos com o Pai através de regras, como “não toque”, “não vista”, “não fale”, “não veja”, pois o apóstolo Paulo nos ensina que tudo nos é lícito. Porém, ele também ensina que nem tudo nos convém ou edifica (Corintios 10:23). Ou seja, já não somos mais crianças espirituais para que vivamos através de regras, de proibições, do que podemos ou não podemos fazer, pensar, vestir, tocar, etc.

Devemos sim ter a maturidade no Espírito Santo para discernir o que convém ou não, o que edifica ou não, o que é agradável ao Senhor ou não, o que faz parte de Sua natureza ou não. Por isso, não devemos basear nossa santidade em regras, mas no discernimento espiritual que cada um de nós deve ter em Cristo. O grande problema é que as pessoas não são ensinadas a amadurecer na fé, a caminhar com Cristo em liberdade, a crescer na Graça e no Conhecimento.

A maior parte das grandes instituições e denominações eclesiásticas, apesar de falarem muito em “maturidade cristã”, na realidade freiam esse progresso espiritual das pessoas, deixando-as sempre sujeitas às regras e determinações da instituição, às vezes com o propósito determinado de manter as pessoas sempre dependentes. Não é raro que o medo seja usado como arma para manter as pessoas sob controle.

Porém, a liberdade do Evangelho nos leva a buscar crescimento e santidade em Cristo e não nas regras impostas por homens em nome de Cristo. Não seremos mais santos obedecendo a regras humanas de comportamento e bons costumes, mas obedeceremos a real vontade de Deus para todas as áreas de nossas vidas quando deixarmos que o Espírito do Deus vivo seja o Senhor de todas as nossas ações. Isso nos levará à verdadeira santidade.

O Senhor Jesus está conosco, pois Ele prometeu que estaria todos os dias, até a consumação dos séculos. Vamos congregar entendendo o verdadeiro significado disso e atentos ao que diz nosso Senhor:

“Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim”(Mateus 24:46)

Amém!

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