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Remédio contra Covid19 está bem mais próximo do que você imagina!

A busca por um tratamento contra a Covid-19 levou os cientistas a revisitar remédios que já são usados para outros fins e testá-los contra a nova doença. A escolha não é indiscriminada. Os pesquisadores partem de estudos publicados anteriormente e pinçam os químicos que têm a maior chance de combater o novo coronavírus.

A notícia de que Donald Trump pediu pressa para o FDA (Food and Drug Administration), órgão que regula os medicamentos nos EUA, aprovar o uso da hidroxicloroquina para tratar a covid-19 trouxe esperança para a luta contra a pandemia de coronavírus.

A hidroxicloroquina, usada em casos de malária, lúpus e artrite reumatoide, entre outros, está sob os holofotes desde quinta (19), quando o presidente americano Donald Trump disse que a FDA, agência americana de regulamentação de alimentos e remédios, havia aprovado o uso de cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes do coronavírus.

Após serem citados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como possíveis tratamentos contra o novo coronavírus, os remédios a base de hidroxicloroquina e cloroquina estão em falta em todo o Brasil. As substâncias ganharam notoriedade após ordem de Trump para que a entidade reguladora de medicamentos dos EUA acelerem a liberação dos remédios contra a Covid-19. No discurso, o presidente norte-americano citou especificamente esses dois medicamentos.

A hidroxicloroquina é um derivado menos tóxico da cloroquina, mas com efeitos semelhantes no corpo humano.

A decisão norte-americana se baseia em estudos feitos com os remédios e que já tiveram os resultados publicados. Mas, entre artigos frágeis e robustos, especialistas da área concordam que as pesquisas são ainda muito preliminares e carecem de novas coletas de dados.

Uma dessas pesquisas, realizada in vitro, foi publicada por cientistas chineses na revista científica Nature na quarta (18) e trouxe resultados promissores do uso da hidroxicloroquina para combater o novo coronavírus em células do rim de uma espécie de macacos.

O artigo sugere que o remédio seria capaz de travar o mecanismo pelo qual o vírus entra na célula. Sem contato com o citoplasma — o fluido que fica ao redor do núcleo celular — o vírus não consegue fazer com que a célula produza mais cópias dele mesmo, que serviriam para contaminar outras células.

O que é a cloroquina

A cloroquina é um medicamento utilizado para tratar malária há mais de 70 anos. Porém, em 1970, observou-se resistência ao medicamento. Por isso, hoje ela é usada para somente um tipo de malária, a vivax, mais comum no Brasil. O remédio está disponível em duas apresentações no país: o sal de cloroquina (ou disfosfato de cloroquina) e a hidroxocloroquina, que também é indicada para doenças reumatológicas como o lúpus e a artrite reumatóide.

Segundo Claudio Marinho, imunologista do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Universidade de São Paulo), um dos efeitos do remédio é modificar o pH de vesículas que estão no interior das células. Isso prejudica a produção de partículas que um vírus precisa para se multiplicar. Assim, ele acaba não se reproduzindo e a infecção é controlada.

A Hidroxicloroquina (HCQ)

O cientista Itamar Braga diz que o medicamento Hidroxicloroquina (HCQ) é usado para combater a malária e reumatismo desde os anos 50, está disponível nacionalmente no Brasil, é seguro (com pouquíssimos efeitos colaterais), e é muito barato. Atualmente, o brasileiro Itamar Braga Dias está no último semestre de seu mestrado em Medicina Molecular e Inovações Terapêuticas (MMIT) na Universidade de Groningen, na Holanda.

Na verdade, há 400 anos, os índios já usavam o quinino contra a malária, segundo Itamar.

“Não era o mesmo material que temos hoje, sintético, mas era o mesmo composto. Eles tiravam da casca da árvore e faziam xaropes”, explicou Itamar.

Segundo Itamar, a HCQ é um derivativo sintético com efeitos menos tóxicos do que o encontrado no Quinino natural extraído da árvore Cinchona, um membro da família Rubiáceas. Esse produto é conhecido como forte agente imunoregulador, e a indicação inicial dele é como produto antimalárico, mas também é indicado para outras doenças como artrite reumatoide (AR), síndrome de Sjogren (SS), e lúpus eritematoso sistêmico (LES).

Água tônica de quinino

Do que é feita a água tônica?

Água com gás, açúcar e hidrocloreto de quinino, um sal. Sal? Isso mesmo, o que diferencia a água tônica dos outros refrigerantes é justamente o sal, que dá aquele gostinho amargo característico da tônica. O quinino, que compõe o sal usado na bebida, é uma das substâncias ministradas no tratamento da malária, o que leva muita gente a acreditar que a tônica pode ser ingerida como remédio. Mas isso é um tremendo engano, porque, além de a quantidade de quinino na tônica ser pequena demais para ter propriedades farmacológicas -– o refrigerante tem 5 miligramas por litro, enquanto no tratamento da malária usa-se 1,5 grama por dia –, o quinino do remédio apresenta-se em uma composição diferente –- em sulfato ou cloridrato, enquanto na tônica é hidrocloreto. Por isso, não existem restrições para o consumo da bebida nem mesmo por gestantes –- o sulfato de quinino tem propriedades abortivas. Mas nem sempre foi assim.

De fato, a tônica surgiu como um remédio e, justamente pela propriedade revigorante da mistura de água com quinino, ela recebeu esse nome. A mistura surgiu na Índia e tornou-se popular graças aos ingleses que viviam por lá – a Índia era colônia inglesa – e levaram a fórmula para as fábricas de refrigerantes da sua terra natal. A bebida foi patenteada em Londres, em 1858. — Fonte: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/do-que-e-feita-a-agua-tonica/

Antes de tudo, é preciso entender que a água tônica é um refrigerante e o açúcar também faz parte da sua composição, ainda que em menor quantidade. Porém, a água tônica é composta por outros elementos que fazem muita diferença. E exste uma versão dela sem açúcar! (foto acima)

Lendo este artigo, você irá conhecer alguns benefícios desta bebida enquanto aprende como melhorar a sua saúde!

A mistura de água gasosa e quinino, utilizada na Índia contra doenças graves como a malária deu origem ao que mais tarde foi lançado pelos ingleses como água tônica (1858). Por isso, associamos a água tônica à cura de doenças e febres.

Apesar de não curar doenças graves, a água tônica possui muitos outros benefícios, devido ao sal de quinina presente hoje em dia na bebida.

A ÁGUA TÔNICA É BASICAMENTE COMPOSTA DE:
– Soda; 
– Açúcar; 
– Quinina (substância extraída da árvore cinchona, comum na Amazônia).

Os benefícios que a água tônica apresenta, na verdade, vêm do pó de quinina e é essa substância natural que interfere positivamente no nosso organismo e na nossa saúde.

O gosto amargo característico junto com a sua leveza atrai muitas pessoas. O consumo da água tônica pura ou misturada com um gin em um refrescante drinque tem sido cada vez mais comum. Conheça as vantagens que a água tônica pode trazer para a sua saúde!

AUXILIA A DIGESTÃO

É a quinina presente na bebida que facilita a digestão, pois estimula a produção de saliva que contém substâncias essenciais não só para a digestão, mas também para a nossa saúde bucal por possuir ação antibacteriana.

A água tônica também acaba favorecendo as glândulas gástricas, gerando um grande alívio em queimações, náuseas e naquelas sensações desagradáveis de peso no estômago.

DESINTOXICAÇÃO

Ao consumir a água tônica, você estará, simultaneamente, limpando o seu corpo. Isso mesmo, essa bebida contribui com a eliminação das toxinas que acabam ficando no nosso organismo devido ao consumo de corantes, conservantes e até a constante exposição à poluição.

As toxinas prejudicam as nossas células, acelerando o processo de envelhecimento e podem causar inchaços. Também atrapalham bastante o processo de emagrecimento!

CICATRIZANTE

Essa substância presente na água tônica tem uma característica muito importante: é antioxidante. É essa característica da quinina que favorece a cicatrização, já que atua neutralizando radicais livres responsáveis pela oxidação das nossas células.

A presença da quinina na água tônica favorece a regeneração da pele, reduzindo a acne e as rugas, auxilia na circulação do sangue, melhora a saúde do cabelo, entre outros benefícios.

Você conheceu alguns dos benefícios que a água tônica pode trazer para a sua saúde, existem outros, pois a quinina, além de tudo também é uma substância anti-inflamatória.

Não se esqueça de que a água tônica não é uma medicação, mas sempre que você consumir contribuirá para manter o seu organismo mais equilibrado. Como dificilmente iremos fugir dos corantes e da poluição, todo cuidado é válido.

Na Wikipedia…

Água tónica (pt) ou tônica (pt-BR) é um refrigerante que originalmente continha apenas soda, açúcar e quinina. A água tônica é feita com um pó branco extraído da casca da árvore de cinchona (hidrocloreto de quinina) que dá o gosto amargo ao produto.

História

Diversas versões sobre o descobrimento da quinina, principal substância da água tônica, foram apresentadas. Uma delas data o ano de 1638, quando a Condessa de Chinchon, esposa do vice-rei espanhol que estava no Peru, adoeceu com a febre terçã (Malária). Índios, então prepararam uma poção feita com a casca de uma árvore chamada Kina (nome indígena), resultando na cura. Posteriormente, a árvore foi batizada de Cinchona em homenagem à condessa. [1]

A água tônica, como conhecemos, surgiu na Índia, no período colonial do Império Britânico. Os ingleses levaram a fórmula para as fábricas de refrigerantes na Inglaterra, que foi patenteada no ano de 1858.[2]

No início ela foi somente utilizada como medicamento no combate à malária. A quinina ainda hoje é empregada no tratamento,[3] mas a água tônica atualmente industrializada e distribuída no mercado não possui propriedades medicamentosas sendo apenas um refrigerante de gosto amargo. Possui quantidades mínimas de quinina, cerca de 5 miligramas por litro (mg/l), enquanto para o tratamento da doença é necessário em torno de 1,5 g ao dia.[2]

A água tónica é muito usada como uma bebida de mistura para coquetéis, especialmente os que são feitos com gim (por exemplo gim tónico). A água tónica com adição de limão ou lima é conhecida como bitter lemon, “limão amargo” ou bitter lime, respectivamente.

Composição

A quinina é a principal substância na composição da água tônica, sendo um composto fluorescente, isto é, se for incidido luz ultravioleta na água tônica, ela brilhará.

Referências

  1.  OLIVEIRA, Alfredo Ricardo Marques de, SZCZERBOWSKI, Daiane. «Quinina: 470 anos de história, controvérsias e desenvolvimento»
  2. ↑ Ir para:a b LOUBACK, Artur. «Do que é feita a água tônica?»Revista Mundo Estranho. Arquivado do original em 4 de fevereiro de 2009
  3.  RAMOS, Maria. «Segredos da floresta»

Lendas, mistério e muita controvérsia envolvem a descoberta da casca de uma árvore chamada cinchona, nativa da região dos Andes da América do Sul. O quinino, um pó branco extraído dessa casca, foi o primeiro medicamento usado em larga escala no combate à malária – uma doença terrível que matou entre 150 e 300 milhões de pessoas somente nos últimos 100 anos! Atualmente mais de um milhão de pessoas morrem da doença a cada ano, a maioria crianças africanas com menos de cinco anos.

A transmissão da malária se dá pela picada de mosquitos do gênero Anopheles contaminados com um parasita, o plasmódio. No organismo humano, o plasmódio destrói as células vermelhas do sangue (hemácias) e provoca acessos intensos de febre a cada dois ou três dias, seguidos de calafrios, dores de cabeça e no corpo, vômitos e suor excessivo. O quinino, além de controlar a febre e aliviar as dores, mata também os parasitas.

Apesar do surgimento de outros medicamentos, como a cloroquina e a primaquina, até hoje o quinino é um remédio muito usado, principalmente, contra a malária causada pelo Plasmodium falciparum. Mas as propriedades do pó da cinchona não param por aí: ele é usado ainda em câimbras musculares, distúrbios do coração e até mesmo na água tônica, dando o sabor amargo à bebida.

Histórias e lendas

A história da casca de cinchona tem mais de 350 anos. Os europeus descobriram a casca entre os séculos XVI e XVII durante a conquista do Império Inca, na região do Peru. Historiadores, no entanto, debatem se foram os indígenas ou os europeus que desenvolveram o medicamento.

Evidências sugerem que a malária não existia na América antes da chegada dos espanhóis. Contudo, muitos anos se passaram da chegada dos europeus (e presumivelmente da malária) e os primeiros registros da cinchona. Aparentemente durante esse intervalo, sugerem historiadores, os nativos teriam desenvolvido a cura.

Os que defendem esse argumento reforçam que os curandeiros nativos usavam uma vasta coleção de plantas medicinais, e realmente muitas dessas plantas foram levadas para a Europa. Soma-se a isso o fato de que, na época, a medicina dos indígenas era, para muitas doenças, mais eficaz do que os tratamentos europeus.

Mas se por um lado faltam documentos que comprovem como se deu a descoberta da casca da cinchona, por outro não faltam lendas que contam com detalhes essa história. Uma diz que nativos teriam notado que suçuaranas (também chamadas de pumas ou leões da montanha) doentes mordiam a casca de certas árvores e ficavam curadas. Assim, indígenas com malária teriam usado aquelas cascas e descoberto as propriedades medicinais da cinchona.

Já os espanhóis têm outra versão para a descoberta. Conta a lenda que um soldado espanhol, acometido de malária, foi deixado para trás para morrer por seus companheiros. Torturado pela sede, ele rastejou até um pequeno lago, bebeu água e caiu no sono. Ao acordar, percebeu que a febre tinha desaparecido. Então, lembrou-se de que a água tinha um gosto amargo e que um grande tronco de árvore, rachado por um relâmpago, estava caído no lago. A casca dessa árvore, o soldado concluiu, tinha o extraordinário poder de curar a malária.

Para que serve a planta Quina e como usar

A quinina é uma substância natural retirada da casca de uma planta medicinal chamada Cinchona calisaya, também conhecida por diversos nomes como quina, quina-amarela, quineira, chichona vermelha, casca peruana e casca dos jesuítas.

As árvores desta planta medicinal são originadas de florestas da América do sul, e suas partes mais utilizadas são as suas folhas e as cascas da raiz, dos ramos e do tronco, principalmente, para fazer chás com diversas propriedades como febrífugas, antimaláricas, digestivas e cicatrizantes.

A quinina é o composto ativo do quinino, medicamento utilizado para tratamento da malária, no entanto, somente o uso da planta, bebidas ou de suplementos que contenham quinina não são recomendados como remédio desta doença, mas apenas como forma de complementar o tratamento. Saiba mais sobre o remédio para malária: Quinino.

Além disso, pequenas quantidades de quinina também são encontradas na água tônica vendida em lanchonetes e padarias, mas não têm efeitos terapêuticos, sendo apenas um ingrediente para contribuir para o sabor da água tônica.

Para que serve a planta Quina e como usarPara que serve a planta Quina e como usar

Para que serve

A quinina e as propriedades medicinais da planta Quina são úteis para;

  • Melhorar a digestão;
  • Ajudar a desintoxicar o fígado e o organismo;
  • Ter ação antisséptica e anti-inflamatória;
  • Auxiliar no tratamento da malária;
  • Combater a febre;
  • Reduzir dores no corpo;
  • Combater a queda de cabelo e a caspa.

O principal uso da quinina é para combater a malária, no entanto, deve-se lembrar que as plantas medicinais não devem ser utilizadas para combater a infecção neste caso, exceto se recomendado pelo médico. Além disso, somente no remédio comprado na farmácia fornecerá a dose adequada para combater a infecção.

Como usar

As folhas e cascas da planta medicinal da Quina são usadas, principalmente, na forma de chá. Para preparar o chá de Quina deve-se misturar 1 litro de água e 2 colheres da casca da planta, e deixar ferver por 10 minutos. Em seguida, deixar descansar por 10 minutos e beber no máximo de 2 a 3 xícaras por dia.

Além disso, a quinina presente na planta Quina pode ser encontrada na forma de cápsulas, no entanto, é importante ressaltar que este medicamento só deve ser utilizado após a liberação médica, já que existem contra-indicações e para evitar o surgimento de efeitos colaterais.

Quem não deve utilizar

A quinina está contra-indicada para grávidas, crianças, assim como pacientes com depressão, problemas de coagulação do sangue ou doenças hepáticas.

Além disso, o uso de Quinina deve ser avaliado quando o paciente utiliza outros remédios, como Cisaprida, Heparina, Rifamicina ou Carbamazepina.

Possíveis efeitos colaterais

Os efeitos colaterais da quinina incluem aumento dos batimentos cardíacos, náuseas, confusão, visão embaçada, tonturas, hemorragias e problemas no fígado.

CONQUISTAS, POLÍTICA E RELIGIÃO

1638 – A história registra que neste ano,1 a condessa de Chinchón, esposa do vice-rei espanhol no Peru, foi acometida de forte febre terçã. Ao ingerir uma poção feita pelos índios chamada “quina-quina” a febre cedeu e a continuidade do tratamento a deixou curada. Este evento pode ser estabelecido como o início de uma história de desenvolvimentos, experimentações e enganos, envolvendo alguns dos maiores nomes da ciência dos últimos 470 anos.

A partir deste relato, padres jesuítas da missão espanhola levaram o pó para a Europa para vendê-lo como um medicamento, que depois ficou conhecido como “pó dos jesuítas”. Em 1679, o Rei Charles II da Inglaterra foi vitimado por uma forte febre, porém sendo protestante, preferia morrer a tomar um medicamento católico, por melhor que ele fosse. Neste contexto, surge Robert Talbor com um medicamento “protestante” que o rei não hesitou em tomar. Ficou curado e como agradecimento sagrou Talbor, cavaleiro e médico real. Alguns anos depois foi revelado que o remédio protestante de Talbor era na verdade o “pó dos jesuítas” apenas em uma formulação diferente.

Hoje sabemos que o mal que afligiu a condessa e o rei, era a malária. Este nome tem origem na expressão italiana “mala aria” (ar ruim),2 pois se acreditava que a doença era transmitida pelo ar contaminado proveniente de pântanos e esgotos. Na verdade a malária é causada pelo protozoário Plasmodium falciparum, descrito em 1880 pelo médico francês Charles Louis Alphonse Laveran, sendo transmitida pela picada das fêmeas do mosquito do gênero Anopheles.3

A árvore de Cinchona tem cerca de 20 m de altura, pertence à família das Rubiáceas, que possui entre outros membros, o café e as gardênias. Os europeus, em homenagem à condessa Chinchón, classificaram o gênero como Cinchona do qual as espécies mais importantes são: Cinchona ledgeriana, C. officinalis, C. calisaya e C. pubescens .

Até 1820, apenas um pó feito com as raízes da árvore era comercializado. Nesse ano, Pelletier e Caventou isolaram deste pó,4 um alcaloide com extrema atividade contra a malária, ao qual deram o nome de quinina. Após a descoberta, inúmeros métodos foram desenvolvidos para extrair o alcaloide e vendê-lo como medicamento. A extração e exportação para a Europa era um processo tão lucrativo que o governo peruano proibiu a exportação de semente de Kina (nome indígena da árvore) para manter o controle sobre este mercado. No entanto, ingleses e alemães contrabandearam algumas sementes e formaram novas plantações: os alemães na ilha de Java, Indonésia e os ingleses na Índia e no Ceilão (Sri Lanka). Para azar dos contrabandistas, as sementes contrabandeadas não eram das espécies que possuíam as maiores porcentagens de quinina (C. calisaya pelos alemães e de C. pubescens pelos ingleses) e assim a extração das árvores amazônicas continuou. Finalmente, os alemães compraram por US$ 20,00 uma libra de sementes (453,592 g) de Cinchona ledgeriana, que possui a maior porcentagem de quinina e rapidamente estabeleceram plantações extensivas desta espécie, dominando o mercado mundial. Em 1918, a maior parte do mercado mundial era suprido pelos alemães que obtiveram enormes lucros com este comércio, enquanto o Peru e a Bolívia, de onde o medicamento foi originado, quase nada receberam.

 

QUININA: A MOLÉCULA REVELADA

A extração da quinina a partir da casca de Cinchona não rende tanto quanto a extração a partir da árvore inteira. Assim, a obtenção comercial da quinina quase levou à extinção as árvores amazônicas, as quais, ironicamente foram replantadas a partir de sementes obtidas das mesmas plantações formadas pelo contrabando.

A necessidade de obter a quinina de maneira mais fácil e mais barata deu um grande impulso para o desenvolvimento da ciência e da indústria química, tal como a conhecemos. Após o isolamento por Pelletier e Caventou em 1820,4 Louis Pasteur em 1852 observou que a molécula era levorrotatória,5 porém nesta época ainda não se tinha nem o conhecimento da fórmula molecular e nem da estrutura espacial da quinina. Em 1854, Strecker determinou que a fórmula molecular da quinina era C20H24N2O2 .6

 

A HISTÓRIA SE DIVIDE!

Neste ponto a história bifurca: William Henry Perkin,7 aos 18 anos, fez a primeira tentativa de obter a quinina sintética. No seu pequeno laboratório montado em casa, Perkin tentou obter a quinina a partir da oxidação da aliltoluidina (1), cuja fórmula molecular é C10H13N. Uma vez que a aliltoluidina (1) tinha todos os elementos químicos necessários a menos de duas moléculas de água, Perkin tentou obter a quinina pela dimerização oxidativa da aliltoluidina (1). Isto demonstra bem o parco domínio da química na época (Figura 1).

 

 

O produto obtido foi um precipitado escuro, “grudento” e intratável! Para simplificar o experimento, Perkin substituiu a aliltoluidina (1) pelo sulfato de anilina e repetiu a oxidação,8 obtendo mais uma vez um precipitado escuro. No entanto, a extração deste novo precipitado com etanol deu origem a uma solução de cor púrpura, profunda e consistente, que ele chamou de Púrpura Tiriana, por referência à antiga púrpura extraída em Tiro, e os franceses chamaram de mauve.

Perkin em seguida fez alguns testes com o tingimento de papéis e tecidos e fundou uma pequena fábrica para produzir o corante para as fábricas de tecidos, então em plena revolução industrial. Isto deu origem à moderna indústria química de corantes, perfumaria e medicamentos. Sua descoberta influenciou o destino de várias empresas, principalmente a BASF (Badische Anilin-& Soda-Fabrik), AGFA (Aktiengesellschaft für Anilinfabrikation) Bayer e Hoechst, que diversificaram sua produção em vários outros segmentos importantes da indústria química. Perkin recebeu o título de Sir em 1906 e morreu em 1907 de causa desconhecida.

Na verdade só foi possível elucidar a estrutura química da mauveína em 1994, utilizando técnicas modernas de purificação e análise estrutural. Meth-Cohn purificou e analisou uma amostra do corante originalmente feito por Perkin,9,10 isolando dois compostos diferentes: a mauveína A e mauveína B. Em 2007, Seixas de Melo e colaboradores reproduziram a síntese de Perkin e isolaram dois outros novos compostos: mauveína B2 e mauveína C,11 os quais estavam também presentes em uma amostra original obtida no Museu de Ciências de Londres (Figura 2).

 

 

SÍNTESE DA QUININA: UM MITO?

O segundo ramo da bifurcação nos traz de volta à síntese da quinina. Entre 1907-09, Paul Rabe determinou a conectividade correta entre os átomos da quinina (2),12 no entanto, a determinação da estereoquímica absoluta teve que esperar até 1967 quando foi possível a elucidação por cristalografia de raios-X (Figura 3).13

 

 

Em 1853, Louis Pasteur, fez o tratamento da quinina (2) com ácido sulfúrico e isolou a d-quinotoxina (3) (Figura 4).14

 

 

Em 1918, Paul Rabe e Karl Kindler publicaram um artigo intitulado “Partial Synthesis of Quinine. The Cinchone Alkaloids. XIX”,15 onde descreveram, com poucos detalhes experimentais, a transformação inversa àquela realizada por Pasteur. Ou seja: partindo da d-quinotoxina (3), obtiveram a α-halocetona (4), que foi transformada na quininona (5), a qual foi reduzida formando a quinina (2) (Figura 5). Em 1939, Rabe recuperou uma amostra do trabalho de 1918, recristalizou e caracterizou mais uma vez a quinina (2), obtida pelo método acima.

 

 

No entanto, com a invasão da Polônia em 1939 e o início das hostilidades que levaram à Segunda Guerra Mundial, havia grande interesse na obtenção da quinina (2) sintética, uma vez que as plantações comerciais estavam localizadas na ilha de Java na Indonésia, então sob domínio japonês.

Neste contexto de guerra, Robert Burns Woodward, tido como um dos “pais” da síntese orgânica, publicou em 1944 um trabalho com o título “Total Synthesis of Quinine” em colaboração com William von Eggers Doering.16 Este trabalho, apenas uma comunicação inicial, foi seguido por uma publicação completa em 1945 e deu origem a uma das grandes controvérsias do século XX.17 Nas duas publicações, Woodward e Doering recorreram ao trabalho de Rabe e Kindler para afirmar que haviam sintetizado a quinina (2). Na verdade, o que Woodward e Doering obtiveram foi a síntese do homomeroquineno (6) racêmico e também a quinotoxina (3) (Figura 6). Uma vez que Rabe já havia transformado a quinotoxina (3) na quinina (2), Woodward aparentemente acreditou ser suficiente a referência ao trabalho de Rabe e Kindler, no que hoje seria conhecido como uma síntese formal.

 

 

Porém em 1944, Gilbert Stork, também um dos grandes nomes da síntese orgânica, escreveu a Woodward perguntando se ele havia reproduzido o trabalho de Rabe e Kindler para a obtenção da quinina (2). Não obteve resposta. Em 2000, Stork declarou em uma entrevista a C & EN News,18 que a síntese da quinina (2) por Woodward em 1944 não passava de um “mito acreditado por muitos“. Em 2001, Stork publicou um artigo intitulado “The First Stereoselective Synthesis of Quinine“,19 onde, a partir de um único estereocentro definido no material de partida, todos os outros estereocentros foram construídos. Neste trabalho, Stork comenta que “Eram tempos de guerra. Os Estados Unidos haviam sido expulsos da Indonésia e assim perdido acesso às raízes de cinchona. Esta ansiedade pode explicar as notícias e um notável entusiasmo no lugar de uma análise sóbria e racional, a qual criou a impressão “quasiuniversal” de que a construção do homomeroquineno, significava que a quinina havia sido sintetizada. Notavelmente, a confusão promovida por este e por centenas de outros artigos contemporâneos persistiu até os dias de hoje“.

Em 2007, Seeman publicou uma revisão no Angewandte Chemie,20 analisando não apenas a controvérsia criada em torno da síntese da quinina (2) mas também os homens envolvidos, sua ética e a credibilidade dos resultados publicados. Assim, observando a história e entrevistando alguns dos personagens envolvidos ainda em atividade, Seeman pode deduzir que Woodward e Doering21 haviam sim obtido o homomeroquineno (6) bem como a quinotoxina (3) e que apenas não enxergaram razões para repetir o trabalho de Rabe e Kindler. Tendo em mente que em 1939 Rabe recuperou uma amostra feita em 1918, a recristalizou e caracterizou não há porque duvidar que a quinina (2) não tenha sido parcialmente sintetizada em 1918.

Em janeiro de 2008, Smith e Williams repetiram o trabalho de Rabe e Kindler,22 apresentando uma última surpresa: na última etapa executada por Rabe em 1918, está descrita a redução com alumínio em pó. Em 2008, 90 anos depois, esta reação não forneceu o resultado esperado. Smith e Williams então pensaram que tipo de alumínio um químico do início do século XX teria usado? Certamente não seria um alumínio extra puro adquirido de uma companhia especializada. Fizeram então a mesma reação com alumínio “aerado” e o resultado obtido foi a síntese da quinina (2) como descrito por Rabe e Kindler em 1918.

Assim, em 2008, 470 anos depois de iniciada, chegou ao fim a história registrada desta molécula, que foi importante para o ciclo de colonização europeu e esteve envolvida em disputas religiosas; sua descoberta ocasionou o contrabando de sementes, plantações equivocadas e exploração predatória; a tentativa de obter sua síntese deu origem, mesmo que por desconhecimento, ao desenvolvimento da indústria química moderna e foi a base da indústria de corantes; sua síntese em 1944 foi feita (ainda que parcialmente) sem equipamentos de FT-RMN, coluna flash, CLAE ou T.L.C.;

Talvez a melhor maneira de encerrar essa história seja com o comentário de um dos principais atores que ainda está em atividade,23 Gilbert Stork:24 “O valor da síntese da quinina essencialmente não tem nada a ver com a quinina em si. É parecido com a resolução de um teorema matemático muito antigo, cuja solução foi procurada durante muito tempo. Amplia o conhecimento“.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. A. Barisson pelas inúmeras revisões e discussões sobre o tema. Ao CNPq, Capes e Fundação Araucária pelo suporte financeiro.

 

REFERÊNCIAS

1. Brunton, L.; Lazo, J.; Parker, K.; Goodman and Gilman’s the Pharmacological Basis of Therapeutics; 11th ed., McGraw-Hill: New York, 2006.         [ Links ]

2. Le Couter, P.; Burreson, J.; Os Botões de Napoleão: As 17 moléculas que mudaram a história; trad. Borges, M.L.X. de A., Jorge Zahar ed.: Rio de Janeiro, 2006.         [ Links ]

3. Os machos se alimentam de néctar e outras fontes de açúcar. Já as fêmeas, além dessa alimentação, necessitam se alimentar de sangue para o desenvolvimento dos ovos.

4. Pelletier, P. J.; Caventou, J. B.; Annales de Chimie et de Physique 1820XV, 289.         [ Links ]

5. Pasteur, L.; Comptes Rendus Hebdomadaires des Seances de l’Academie Sciences 185337, 110.         [ Links ]

6. Strecker, A.; Justus Liebig’s Annalen der Chemie 185491, 155, doi:10.1002/jlac.18540910204.         [ Links ]

7. Garfield, S.; Mauve: How One Man Invented a Color that Changed the World, W. W. Norton & Company: Scranton, 2001.         [ Links ]

8. Para obter o corante, Perkin fabricou sua anilina pela rota da nitração do benzeno. Porém, na época, o benzeno era destilado do alcatrão de hulha (carvão mineral) e usualmente vinha contaminado com tolueno. Esta mistura foi submetida a uma reação de nitração (HNO3/H2SO4) e o produto obtido reduzido com ferro em ácido acético. Isto resultava em uma mistura de anilina, o– e p– toluidina, que não foi purificada mas colocada para reagir com um oxidante (dicromato de potássio), formando um corante púrpura.

9. Meth-Cohn, O.; Smith, S.; J. Chem. Soc., Perkin Trans. 11994, 5, doi:10.1039/P19940000005.         [ Links ]

10. Meth-Cohn e Smith receberam duas amostras, uma vinda da fábrica de Perkin da coleção de Perkin em Zeneca e a outra foi concedida pelo British Museum.

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21. William von Eggers Doering é professor associado do Department of Chemistry and Chemical Biology na Harvard University.

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24. Gilbert Stork é professor associado do Department of Chemistry na Columbia University (NY).

Fonte: http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=828&sid=7

Sobre Max Rangel

Servo do Eterno, Casado, Pai de 2 filhas, Analista de Sistemas, Fundador e Colunista do site www.religiaopura.com.br.

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