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Teólogos adventistas discutem se Jesus Cristo voltará pelo “buraco negro de Órion”

Nenhum dos três autores dos textos publicados a seguir — André Reis, Rodrigo Silva e Evandro Schulz –atentou para a narração inspirada de que, segundo a Bíblia, o firmamento irá se enrolar como um pergaminho, Sol e Lua serão desligados, as estrelas cairão de seus lugares no segundo Céu e o Filho de Deus se manifestará sobre as nuvens do Céu para os habitantes desta Terra plana e, então, todo olho, de fato, O verá.

“E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue; E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.

“E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro.” Apocalipse 6:12-16.

“Chegai-vos, nações, para ouvir, e vós povos, escutai; ouça a terra, e a sua plenitude, o mundo, e tudo quanto produz.
Porque a indignação do Senhor está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o exército delas; ele as destruiu totalmente, entregou-as à matança. E os seus mortos serão arremessados e dos seus cadáveres subirá o seu mau cheiro; e os montes se derreterão com o seu sangue. E todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um livro; e todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e como cai o figo da figueira.” Isaías 34:1-.

“E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.” Mateus 24:29-31.

O que diz Ellen G. White

Comentários adicionais de Ellen White sobre o que acontecerá por ocasião da volta de Cristo com o domo, fiirmamento ou cúpula celeste, que separou as águas de cima das águas debaixo no segundo dia da Criação:

“Durante o dia olhamos para o céu mas não vemos estrelas. Ali se acham, fixas no FIRMAMENTO, mas os olhos não as distinguem. À noite lhes contemplamos o genuíno brilho.” Serviço Cristão, pág. 49.

“Há um grande terremoto ‘como nunca tinha havido desde que há homens sobre a Terra; tal foi este tão grande terremoto1. Apoc. 16:18. O FIRMAMENTO parece abrir-se e fechar-se. A glória do trono de Deus dir-se-ia atravessar a atmosfera. As montanhas agitam-se como a cana ao vento, e rochas irregulares são espalhadas por todos os lados. … A terra inteira se levanta, dilatando-se como as ondas do mar. Sua superfície está a quebrar-se. Seu próprio fundamento parece ceder. Cadeias de montanhas estão a soçobrar. Desaparecem ilhas habitadas. Os portos marítimos que, pela iniqüidade, se tornaram como Sodoma, são tragados pelas águas enfurecidas. … Grandes pedras de saraiva, cada um “do peso de um talento”, estão a fazer sua obra de destruição. (Apoc. 16:19 e 21.) … ” Eventos Finais, pág. 271.

“… A crise aproxima-se furtava e gradualmente de nós. O Sol brilha no FIRMAMENTO, fazendo seu ordinário percurso, e os céus declaram ainda a glória de Deus.” O Desejado de Todasas Nações, 475 e 476.

“…’Quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas’. S. Mat. 24:33. Depois destes sinais S. João contemplou, contemplou como o grande acontecimento a seguir imediatamente, o céu retirando-se como pergaminho que se enrola, enquanto a Terra tremia, montanhas e ilhas se removiam dos lugares, e os ímpios procuravam, aterrorizados, fugir da presença do Filho do homem. (Apoc. 6:12-17) .” O Grande Conflito, 332 e 333.

“As nuvens recuam, e se vêem os constelados céus, indescritivelmente gloriosos em contraste com o FIRMAMENTO negro e carregado de cada lado. A glória da cidade celestial emana de suas portas entreabertas.” Maranata! – Meditação Matinal, pág. 284.

O FIRMAMENTO abria-se e fechava-se, e estava em comoção. As montanhas oscilavam como a cana ao vento, e lançavam rochas escabrosas por todo o redor. O mar fervia como uma panela, e atirava de si pedras sobre o solo. E ao dizer Deus o dia e a hora da vinda de Jesus, e pronunciar o concerto eterno a Seu povo, dizia uma sentença e depois fazia pausa enquanto as palavras rolavam através da Terra.” Mensagens Escolhidas – Volume 1, pág. 75.

“É ouvida pelo povo de Deus uma voz clara e melodiosa, dizendo: 1Olhai para cima’; e, levantando os olhos para o céu, contemplam o arco da promessa. As nuvens negras, ameaçadoras, que cobriam o FIRMAMENTO se fendem e, como Estêvão, olham fixamente para o céu, e vêem a glória de Deus, e o Filho do homem sentado sobre o Seu trono. Divisam em Sua forma divina os sinais de Sua humilhação; e de Seus lábios ouvem o pedido, apresentado ante Seu Pai e os santos anjos: “Aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo.” João 17:24. Novamente se ouve uma voz, melodiosa e triunfante, dizendo: ‘Eles vêm! eles vêm! santos, inocentes e incontaminados. Guardaram a palavra da Minha paciência; andarão entre os anjos’; e os pálidos, trêmulos lábios dos que mantiveram firme a fé, proferem um brado de vitória.” O Grande Conflito, pág. 636.

O FIRMAMENTO parece abrir-se e fechar-se. A glória do trono de Deus dir-se-ia atravessar a atmosfera. As montanhas agitam-se como a cana ao vento, e anfractuosas rochas são espalhadas por todos os lados. Há um estrondo como de uma tempestade a sobrevir. O mar é açoitado com fúria. Ouve-se o sibilar do furacão, semelhante à voz de demônios na missão de destruir. A Terra inteira se levanta, dilatando-se como as ondas do mar. Sua superfície está a quebrar-se. Seu próprio fundamento parece ceder. Cadeias de montanhas estão a revolver-se. Desaparecem ilhas habitadas. Os portos marítimos que, pela iniqüidade, se tornaram como Sodoma, são tragados pelas águas enfurecidas. A grande Babilônia veio em lembrança perante Deus, “para lhe dar o cálice do vinho da indignação da Sua ira”. Apoc. 16:19 e 21. Grandes pedras de saraiva, cada uma “do peso de um talento”, estão a fazer sua obra de destruição. As mais orgulhosas cidades da Terra são derribadas. Os suntuosos palácios em que os grandes homens do mundo dissiparam suas riquezas com a glorificação própria, desmoronam-se diante de seus olhos. As paredes das prisões fendem-se, e o povo de Deus, que estivera retido em cativeiro por causa de sua fé, é libertado. — O Grande Conflito, pág. 637.

“Enquanto estas palavras de santa confiança ascendem a Deus, as nuvens recuam, e se vêem os constelados céus, indescritivelmente gloriosos em contraste com o FIRMAMENTO negro e carregado de cada lado. A glória da cidade celestial emana de suas portas entreabertas. Aparece então de encontro ao céu uma mão segurando duas tábuas de pedra dobradas uma sobre a outra. Diz o profeta: ‘Os céus anunciarão a Sua justiça; pois Deus mesmo é o juiz.’ Salmo 50:6. Aquela santa lei, a justiça de Deus, que por entre trovões e chamas foi do Sinai proclamada como guia da vida, revela-se agora aos homens como a regra do juízo. A mão abre as tábuas, e vêem-se os preceitos do decálogo, como que traçados com pena de fogo. As palavras são tão claras que todos as podem ler. Desperta-se a memória, varrem-se de todas as mentes as trevas da superstição e heresia, e os dez preceitos divinos, breves, compreensivos e autorizados, apresentam-se à vista de todos os habitantes da Terra.” O Grande Conflito, pág. 639.

“A 16 de dezembro de 1848, o Senhor me deu uma visão acerca do abalo das potestades do céu. Vi que quando o Senhor disse ‘céu’, ao dar os sinais registrados por Mateus, Marcos e Lucas, Ele queria dizer céu, e quando disse: ‘Terra’, queria significar Terra. As potestades do céu são o Sol, a Lua e as estrelas. Seu governo é no FIRMAMENTO. As potestades da Terra são as que governam sobre a Terra. As potestades do céu serão abaladas com a voz de Deus. Então o Sol, a Lua e as estrelas se moverão em seus lugares. Não passarão, mas serão abalados pela voz de Deus.” Primeiros Escritos, pág. 41.

Órion e os Eventos Finais

A nebulosa de Órion ocupa um lugar especial no coração Adveta. Desde 1848, quando Ellen White mencionou Órion no livro Primeiros Escritos, os Adventistas têm ansiosamente focado seus olhos, binóculos e telescópios para esse lugar no céu em busca de sinas e evidências da Segunda Vinda. A passagem em questão diz:

André Reis
Cursou Teologia no Unasp-2 de 92-95, durante esse período foi tradutor e assistente de pesquisas
no Centro White UNASP-2 de 1992-95.
Cursa Ph.D. em Teologia pela Universidade Adventista de Avondale.

A nebulosa de Órion ocupa um lugar especial no coração Adventista. Desde 1848, quando Ellen White mencionou Órion no livro Primeiros Escritos, os Adventistas têm ansiosamente focado seus olhos, binóculos e telescópios para esse lugar no céu em busca de sinais e evidências da Segunda Vinda. A passagem em questão diz:

Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto. (PE, 41).

Vejamos alguns aspectos dessa citação.

Pano de Fundo Histórico

Entre 1846 e 1848, Ellen White teve três visões que  mostraram eventos no céu. A primeira ocorreu em novembro de 1846 em Topsham, Maine, na qual ela descreveu uma viagem pelo Cosmos onde viu planetas com suas luas. Presente ali estava o capitão e astrônomo amador, José Bates. Embora nenhum relato oficial exista sobre aquele episódio, sabemos através do relato de John Loughborough[1] e Ella Robinson[2] (neta de Ellen White) que foi Bates quem descreveu o que Ellen White viu em 1846. Quando ela mencionou um planeta com 4 luas, Bates disse, “Ela está vendo Júpiter!” Quando ela vê um planeta com 7 luas, Bates exclama: “Ela está vendo Saturno!”[3]

Após isso, Ellen White descreve algo que se assemelha aos “céus que se abrem“, que haviam interessado Bates há alguns meses (abaixo veremos porque). Segundo ele, a descrição de Ellen White desses “céus que se abrem” era a mais incrível que ele já tinha ouvido, especialmente porque ela lhe havia dito que nunca sequer havia consultado um livro de astronomia e não conhecia nada do assunto. [4] Bates concluiu: “Isso é obra de Deus!”[5] Como resultado, Bates passou a crer no dom profético de Ellen White. A visão tinha um propósito específico: impressionar Bates a tomar uma decisão. Deus tinha um plano para ele pois foi um dos grandes pioneiros que introduziu a verdade do sábado para Ellen e Tiago White.[6]

É importante ressaltar que em maio do mesmo ano, ou seja, seis meses antes da visão, Bates havia publicado um panfleto intitulado “Os Céus Que Se Abrem”[7] no qual ele analisou a relação entre astronomia e a Bíblia e procurou determinar exatamente onde era estava o “paraíso de Deus e a Nova Jerusalém“. O panfleto foi fruto de várias noites observando Órion na casa de um amigo que havia recentemente comprado um telescópio. Bates se baseou em menções de uma “abertura” em Órion descoberta por outros astrônomos tais como Parsons, Huygens and Ferguson. Mais de cem anos antes, Huygens havia descrito Órion como abrindo-se para outra “região mais iluminada.”[8]No seu panfleto, Bates equipara o “céu aberto” de João 1:51 à nebulosa de Órion e como o ponto ao leste onde “o mundo logo verá  o que o crente no Segundo Advento tem ansiosamente aguardado.”[9] Ele finaliza o panfleto dizendo que a “Nova Jerusalém… o Paraíso de Deus … está agora prestes a descer do “terceiro céu”, através da porta aberta … de Órion.”[10] Tudo indica então que, embora Ellen White não tenha citado Órion especificamente na visão dos planetas em novembro de 1846, Bates concluiu que ela falara dos “céus que se abrem” em Órion, expressão que ele havia usado várias vezes. Mais tarde em sua autobiografia (1864), Bates estava ainda mais seguro da relação entre Órion e o céu quando concluiu que: “Essa abertura no céu é sem dúvida a mesma mencionada nas Escrituras. João 1:51; Apo. 19:11. O centro dessa constelação (Órion) está no centro, entre os polos do céu.”[11] Aparentemente, essa certeza pode ter partido do pressuposto de que Ellen White viu Órion em sua visão de 1846, algo que nunca foi confirmado por ela.

A segunda visão ocorreu em dia 3 de april de 1847 também em Topsham, Maine e tratou da Segunda Vinda (Veja Primeiros Escritos, p. 32-35). A descrição da visão é bastante similar à que estamos estudando porém, sem mencionar Órion: “Nuvens negras e pesadas se acumularam e se chocavam umas contra as outras. Mas havia um espaço claro de glória indescritível, de onde veio a voz de Deus como de muitas águas, a qual fez estremecer os céus e a Terra.”(p. 34).

A terceira visão, cuja descrição contém a menção de Órion, foi recebida em Rocky Hill, Connecticut no dia 16 de dezembro de 1848. Vamos agora analisar algumas das implicações da menção de Órion por Ellen White ao interpretar essa visão.

Aula de Astronomia

Não é difícil imaginar porque os astrônomos do passado se maravilharam com Órion; suas cores e brilho continuam a atrair astrônomos. Junte essa curiosidade com conhecimento de teologia, e não é difícil entender porque Bates concluiu mais do que depressa que Órion era a porta do céu. Durante a segunda parte do século 19, avanços em astronomia começaram a elucidar o que realmente acontece em Órion. Desde 1990, quando o telescópio espacial Hubble (diga-se RRÃ-bôl) entrou em órbita, suas imagens de alta definição revelaram mais nitidamente o que outros já haviam suspeitado: não existe nenhum “espaço aberto” na constelação de Órion. Ela é formada de estrelas, gases e poeira cósmica que aos olhos de astrônomos do passado com seus telescópios limitados, parecia a entrada para um lugar ainda mais luminoso.

Órion, embora seja uma das constelações mais próximas da Terra, está a 1.500 anos-luz[12] de distância, o que equivale a aproximadamente 14 quatrilhões de kilômetros. A luz de Órion que vemos hoje foi gerada 1.500 anos atrás! Em outras palavras, para que víssemos algo se abrindo em Órion hoje, esse evento teria que ter ocorrido há 1.500 anos para que a luz desse evento chegasse a tempo até nós. Nosso sistema solar inteiro poderia caber dentro da extensão da nebulosa de Órion no mínimo 20.000.000 de vezes! A estrela Betelgeuse em Órion, por exemplo, é de 400-1.000 vezes maior do que o Sol.

Quando consideramos  esses fatos, cabe perguntar: Seria possível observar alguma coisa passando através de Órion? Vejamos: a Cidade Santa segundo Apocalipse 21:16 tem o comprimento de 12.000 estádios. Vamos considerar esse número como literal para efeito de ilustração, o que equivale a 2.200 kilômetros. Assim, considerando-se que Órion tem 100 trilhões de kilômetros de área, se Jesus com seus anjos ocupassem uma área como a Nova Jerusalém, seria impossível vê-los passando através de Órion, mesmo com os mais potentes telescópios hoje. Seria mais fácil alguém num Boeing 747 a 10 km de altura achar uma agulha no meio na Amazônia a olho nu. Além disso, para que Jesus e seus anjos pudessem fisicamente atravessar Órion e chegar até a Terra, eles teriam que viajar à velocidade de no mínimo 14 quatrilhões de km/hr, ou seja, 14 milhões de vezes acima da velocidade da luz!

Não estamos questionando se os anjos podem ou não alcançar tais velocidades, nem tampouco querendo substituir a fé pela ciência. A pergunta na verdade deveria ser, Por quê eles sequer se limitariam a percorrer tal distância?[14]

Um detalhe na descrição porém, creio que anula de uma vez por todas a possibilidade de Órion ser o lugar por onde Jesus desce: Ellen White interpreta que a voz de Deus vem do “espaço aberto” em Órion. Vejamos alguns fatos sobre essa possibilidade: Se a luz de Órion demora 1500 anos para alcançar a Terra, o som da voz de Deus demoraria 1.000.000 de vez mais já que o som viaja a 340 m/s e a luz a 300.000 km/s, ou seja o som da voz de Deus saindo de Órion demoraria 1 bilhão e quinhentos milhões de anos para chegar à Terra. Na realidade, esses cálculos são interessantes mas irrelevantes, já que o som não se propaga no vácuo. Conclusão, a voz de Deus vindo por Órion jamais seria ouvida na Terra.

Ninguém precisa ser doutor em astronomia para compreender a implausibilidade de que algo que acontece em Órion possa impactar a Terra durante a vinda de Cristo.

Eu gostaria de sugerir que a relação entre a Terra e o Céu é em termos de “dimensão” e não em distância, localização ou pontos de acesso. A complexidade dessa idéia é exemplificada por Paulo em 2 Cor. 12:2: “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu.” Paulo não sabia como havia chegado ao Céu, obviamente porque o Céu está em outra dimensão incompreensível para meros mortais.  Creio que a experiência de João em Patmos oferece uma explicação sobre como isso ocorre; note queantes de entrar em visão em Apo. 4:1, João vê uma porta se abrir no céu e é chamado por Jesus a entrar por ela. A entrada às sala do trono de Deus se dá pelo Espírito (v. 2), mas a porta ou ponto de acesso entre as duas dimensões aparece antes de ele ser arrebatado.

A conclusão a que chegamos nesse ponto do estudo é que o conhecimento atual de astronomia a priori descarta a inclusão de uma estrutura cósmica extremamente remota no abalo dos poderes do céu por ocasião da vinda de Cristo; segundo a Bíblia, esse abalo deve impactar somente a esfera terrestre (Sol, Lua, estrelas cadentes e a atmosfera Terra).

Revendo a Visão

Vamos retornar brevemente à primeira visão dos planetas em 1846. Neste período do movimento Adventista (década de 1840), Bates e o casal White passaram muito tempo juntos como pioneiros adventistas. Como astrônomo amador, Bates já havia mostrado seu entusiasmo pelo assunto perante seus irmãos mileritas.[15] É muito provável então que Bates tenha compartilhado com Ellen White os seus estudos de astronomia e sua convicção de que Órion era de fato os “céus que se abrem” da Bíblia e da sua visão. Esse detalhe provavelmente explica porque dois anos depois, em 1848 ela interpreta a visão do “espaço aberto” no céu durante a vinda de Cristo como sendo Órion. Digno de nota também é o fato de que Ellen White frequentemente prefere a expressão “opening heavens” segundo José Bates para descrever o que na Bíblia, versão King James, é “heaven open“.

Um pouco mais do pano de fundo histórico confirma que após 1844, alguns mileritas ensinavam que o abalo das potestades do céu não se referia ao nosso céu literal, mas simbolizavam as nações da Europa. O editor da revista milerita Day Star desafia: “Por que fitais os olhos ao céu; podeis discernir de onde Jesus está voltando?” Em parte, Bates escreveu seu panfleto sobre o “espaço aberto” em Órion por onde Jesus virá para refutá-los.[16] É interessante que Ellen White se une a Bates contra esse erro confirmando que o que ela viu em visão acontece literalmente na atmosfera terrestre: “Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou.”Descrevendo a mesma cena em 1847, ela substitui “atmosfera” por “céus agitados”, o que confirma que são os céus terrestres (e não uma suposta atmosfera em Órion).

Portanto, tudo indica que a referência a Órion em 1848 era a interpretação de Ellen White da visão e não a visão em si. Essa é uma distinção crucial para se entender a revelação profética. Geralmente, o profeta recebe uma visão e só às vezes recebe ajuda para interpretá-la, como no caso de João (Apo. 17) e Daniel (Dan. 8). Na maioria dos casos, porém, a interpretação fica por conta do profeta ou dos leitores/ouvintes. Nesse caso, não temos evidência inequívoca de que Deus revelou-lhe de maneira específica e literal que o “espaço aberto” era a nebulosa de Órion, já que ela descreve a mesma cena outras vezes sem mencioná-la, como, por exemplo, na visão da mesma cena de 1847.[18] Além disso, a menção da Cidade Santa na descrição da visão é um parêntese na fala e confirma que Ellen White está em realidade interpretando a visão, haja vista que, enquanto a visão em si trata dos eventos durante a Segunda Vinda de Cristo, a Cidade Santa só descerá após o Milênio (Apo. 21) e não poderia estar descendo durante a vinda de Cristo.

Como vimos acima, Bates foi o primeiro a concluir que Órion era a porta do Céu e que a Cidade Santa desceria por ali. Há, portanto, fortes evidências de que isso influenciou Ellen White naquele momento da sua experiência. No entanto, o entendimento da visão aumentou com o tempo, ajudado por outras visões semelhantes, razão pela qual Ellen White citou Órion uma única vez e não o fez posteriormente. Ao descrever a mesma cena no livro Spiritual Gifts, vol. 1, p. 205, publicado em 1858, Ellen White descarta Órion da interpretação e repete termos que usou em 1847 para descrever a vinda de Cristo por um “espaço claro de glória.” A mesma terminologia é usada no livro O Grande Conflito (edições de 1888 e 1911), considerado o relato final e autoritativo por Ellen White dos eventos finais, onde ela descreve a mesma cena novamente sem a menção de Órion:

Nuvens negras e pesadas sobem e chocam-se umas nas outras. Em meio dos céus agitados, acha-se um espaço claro de glória indescritível, donde vem a voz de Deus como o som de muitas águas, dizendo: “Está feito.” Apoc. 16:17. (GC 636).

Ellen White poderia ter incluído Órion na descrição do Grande Conflito mas não o fez, obviamente porque o suposto “espaço aberto” que em 1848 ela entendeu como Órion através de José Bates, agora deu lugar ao “espaço claro de glória indescritível“. Note a diferença entre espaço “aberto” e espaço “claro”; parece que ela procura criar uma distinção entre sua interpretação anterior que tinha relação com o “espaço aberto” de Órion.

Torna-se, portanto, evidente que a influência dos estudos de José Bates sobre a relação entre teologia e astronomia oferece a explicação mais plausível para a menção de Órion na interpretação da visão do “espaço aberto” em 1848. Vários estudiosos adventistas têm chegado à mesma conclusão. Kheon Yigu realizou uma pesquisa pela Universidade Sahmyook em que analisou o desenvolvimento da relevância de Órion para os Adventistas e também conclui que a menção posterior do “espaço claro” no Grande Conflito deve substituir Órion.[18] Martin Carey cita o fato de que já em 1864, o astrônomo Huggins focalizou seu telescópio para Órion e descobriu que a suposta “abertura” não passava de gases e poeira cósmica.[19] Os Drs. M. Sprengel e D. Martz, ambos professores de ciências no Pacific Union College analisam numa série de 3 artigos na Revista Adventista[20](Review and Herald) a citação de Órion e como o entendimento dos astrônomos foi aumentando através dos avanços da ciência. Eles concluem que a comparação do “espaço aberto” com Órion é fruto da influência de José Bates.

A Dinâmica da Revelação

Em um artigo que analisa o entendimento gradual por Ellen White das suas visões, os depositários do White Estate concluem:

A jovem Ellen, aparentemente não entendeu completamente todas as implicações das suas primeiras visões. Ela teve que operar dentro da mentalidade do seu tempo, bem como dentro da capacidade mental de uma adolescente. Dessa forma, assimilar tudo o que compunha suas primeiras visões levaria tempo para a jovem Ellen, assim como levou tempo para seus contemporâneos.[21]

Nas palavras da própria Ellen White:

Com freqüência me são dadas representações que a princípio eu não compreendo, mas depois de algum tempo elas se tornam claras pela reiterada apresentação dessas coisas que a princípio eu não entendi, e de certas maneiras que fazem com que o seu significado seja claro e inconfundível. (Carta 329, 1904; ME 3, 56).

Essa progressão do entendimento da revelação faz parte de um princípio articulado por Ellen White ao dizer que Deus revelou-se aos seres humanos levando em conta seu contexto e o momento de sua experiência:

…à medida que Deus, em Sua providência, via apropriada ocasião para impressionar o homem nos vários tempos e diversos lugares … a fim de chegar aos homens onde eles se encontram… na linguagem dos homens. (ME 1, 19, 20).

Isso significa que Deus leva em consideração a capacidade do profeta de assimilar ou não o que ele está revelando enquanto permite conceitos e pressuposições locais do profeta como elementos periféricos para “emoldurar”, por assim dizer, verdades mais profundas. A moldura é um detalhe somente, a verdade revelada é axiomática e absoluta. O teólogo adventista Alden Thompson descreve esse princípio revelatório assim: “Os limites de tempo e circunstâncias, cultura e conhecimento humano, estabelecem os marcos dentro dos quais a revelação pode ser eficaz. … O bom ensino sempre envolve ilustrações eficazes, que são concretas, compreensíveis, adaptadas para as necessidades do estudante. Elas apontam para a verdade mas não devem ser confundidas com a verdade.”[22]

Como vemos esse princípio na Bíblia? Por exemplo, Moisés classificou o coelho como um animal ruminante (Lev. 11:6), hoje sabemos que ele não é. Isaías disse que a Terra tinha “quatro cantos” (Isa. 11:12).[23] João, além de citar os mesmos quatro cantos (Apo. 7:1), descreve a Nova Jerusalém cercada de um muro e portas, algo que reflete a estrutura da Jerusalém que ele conhecia no primeiro século. Jesus disse que, como sinal da proximidade da Sua Vinda, “as estrelas cairão do céu” (Mar. 13:25); hoje sabemos que não é possível uma estrela cair para a Terra, ele só poderia estar se referindo ao que conhecemos hoje como meteoritos e não a estrelas de verdade.

Como vemos esse princípio na menção de Órion por Ellen White ao interpretar a visão de 1848? Deus mostrou a ela que Júpiter tinha 4 luas (conhecimento corrente da época) enquanto hoje sabemos que Júpiter tem 63 luas! Saturno tinha 7 luas, novamente referindo-se ao conhecimento da época, enquanto hoje sabemos que Saturno tem 60 luas! É claro que Bates não acreditaria nela se ela dissesse que Saturno na verdade tinha 60 luas.[24] No livro Educação, Ellen White diz que as estrelas refletem a luz solar (Ed 14); hoje sabemos que estrelas possuem luz própria. Sendo assim, Ellen White estava convencida de que  “espaço aberto” de Órion, que José Bates defendia inclusive pela Bíblia como sendo a porta do céu, era de fato o ponto no céu por onde Cristo passará, de onde vinha voz de Deus e por onde a Cidade Santa vai descer após o Milênio. Essa suposta “abertura” que eles pensavam existir na época era o melhor exemplo de uma entrada para o Céu onde Deus e Seus anjos estão. Esse era o entendimento que ela tivera da visão em seu contexto e em suas limitações na época, haja vista que não temos evidência que Deus revelou-lhe que o espaço aberto era Órion especificamente. Órion era relevante para eles naquele momento; hoje sabemos que essa suposta “abertura” em Órion não existe, ela não se abre para nehuma região mais iluminada do Cosmos, como se fosse a porta do Céu. Órion é uma nebulosa como qualquer outra, cheia de gases, estrelas e poeira cósmica. Por outro lado, a título de consistência, insistir no “espaço aberto” em Órion implica defender não só que Júpiter só tem 4 luas, mas que a Terra tem quatro cantos e que as estrelas cairão do céu.

Vale a pena também relembrar um outro princípio de interpretação do Espírito de Profecia articulado por Ellen White que trata de levar em conta o “tempo e lugar” dos textos, veja: “Quanto aos testemunhos … o tempo e o lugar, porém, têm que ser considerados.”[25] Sem dúvida o “tempo e lugar” da visão de 1848 justificaram o uso de Órion, algo que foi substituído posteriormente pela expressão genérica “espaço claro” que em nada diminui o sentido da visão já que ele não é o centro da visão, a descrição do retorno de Jesus é.

Finalmente, o uso de fontes e a influência de outros autores nos escritos de Ellen White em questões não essenciais são exemplificados no processo pelo qual passou a primeira edição do Grande Conflito (1888). Na sua segunda edição em 1911, o livro passou por uma revisão para corrigir algumas discrepâncias históricas. Esse processo foi liderado e impulsionado pela própria Ellen White: “Quando me chegou a atenção que o livro o Grande Conflito deveria ser reimpresso, decidi que teríamos que examinar tudo minuciosamente a fim de estabelecer se as verdades ali contidas foram expressas na melhor maneira possível e para convencer aqueles que não são da nossa fé que o Senhor me guiou e susteve ao escrever essas páginas.“[26] (O referido artigo do White Estate explica as revisões.)

Fica evidente então o fato já delineado anteriormente que Ellen White não recebeu inspiraçãoverbal. Ela teve visões em estilo de imagens estáticas rápidas[27] e precisou interpretá-las e descrevê-las em sua própria linguagem como as havia entendido naquele momento. Em muitos casos ela também se valeu da linguagem de outros autores da época para expressar os pontos essenciais das visões. Com o passar dos anos, o Espírito Santo a fez entender essa visão (bem como outras visões) de maneira diferente, através de repetidas representações, o que posteriormente ela descreveu no livro Spiritual Gifts em 1858 e no Grande Conflito em 1888 sem citar Órion.

Conclusão

Ellen White interpretou o “espaço aberto” no céu como Órion somente em 1848 porque isso era o melhor que ela (através dos estudos de José Bates) conhecia sobre a relação entre astronomia e a Bíblia. Ao descrever a mesma cena no livro Spiritual Gifts, vol. 1, p. 205 (1858), Ellen White descarta Órion da interpretação e repete termos que usou em 1847 para descrever a vinda de Cristo por um “espaço claro de glória indescritível.” A mesma terminologia é usada na primeira edição do Grande Conflito em 1888. Para todos os efeitos, Órion deixou de ter qualquer relevância para os eventos finais na interpretação de Ellen White já em 1858.

O presente estudo evidencia a necessidade de entendermos a dinâmica da revelação nos escritos de Ellen White e aplicarmos princípios corretos de interpretação do Espírito de Profecia a fim de evitar interpretações extremas que levem ao  sensacionalismo. Muitas especulações têm surgido através dos anos sobre o que estaria acontecendo em Órion, desde sons de trombetas, luzes inexplicáveis, sons de cavalos marchando ou até que as Três Marias estão se afastando para dar lugar à vinda de Cristo. Nada disso tem base em fatos concretos.[28] Infelizmente, essa passagem tem sido um prato cheio para alguns em nosso meio que tendem ao sensacionalismo. Sem dúvida o anseio pela vinda de Jesus é louvável. Porém, lembremo-nos que Jesus virá Segunda Vez porque Ele prometeu. Nossa fé não deve depender de cataclismas, de abalos, de nebulosas, de problemas do meio ambiente ou crises políticas e religiosas mas sim da crença firme na promessa de Jesus: “Virei outra vez”. No dizer de Pedro: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em q­ue habita a justiça.” (2 Ped. 3:13).

Um abraço. André Reis

Fonte: http://www.adventismohoje.com/2010/10/combatendo-o-sensacionalismo-profetico.html

Rodrigo Silva: Uma outra compreensão sobre Órion

A razão deste breve ensaio sobre o artigo do pastor André Reis se deveu aos muitos e-mails que recebi quando de sua divulgação, especialmente depois que o mesmo ganhou destaque no blog Advir . Não se trata de uma resenha acadêmica, são apenas algumas ponderações que intentam mostrar que há outra maneira de entender o assunto.

Alguns esclarecimentos, no entanto, se fazem necessários. Primeiramente em relação ao pastor André Reis. Quero dizer que respeito muito sua capacidade acadêmica e afirmo que o mesmo foi um dos melhores alunos do SALT – UNASP. Além disso, nossos encontros nos EUA sempre foram pautados pela cordialidade, mesmo quando num breve e-mail eu afirmei que discordava de parte de sua interpretação a respeito de Órion.

Não se trata, portanto, de uma reação ortodoxa contra qualquer tipo de “heresia”. De jeito nenhum. Não estamos aqui tratando de nenhuma coluna fundamental do adventismo, mas de um aspecto de nossa herança religiosa que pode acomodar diferentes interpretações. Não é meu interesse prolongar um extenso debate sobre o assunto ou levar os leitores a “ficarem do meu lado”. Meu intento é mostrar que, em que pese meu respeito pelo articulista, há outra maneira de interpretar a questão. Como dizia Agostinho: “No essencial: unidade, no não essencial: diversidade, mas em tudo: caridade”.

E por falar em caridade/respeito, embora não se trate de uma reação ao livro do pesquisador Yuri Mendes (Os mistérios de Órion), uma vez que o mesmo será nominalmente citado aqui, cabe também uma palavra a seu respeito. Quando seu livro foi publicado, nós trocamos alguns poucos e-mails aonde eu expus as razões porque discordava de pontos centrais de sua publicação e do temor que eu nutria de que a esse livro, uma vez publicado pela CPB, desse às suas posições ar de oficialidade eclesiástica uma vez que a editora oficial da igreja publicou suas pesquisas. Contudo, tanto o Yuri Mendes quanto o André Reis foram tremendamente corteses para comigo e creio que esta nota de seu caráter merece ser trazida a público. Também foram éticos e jamais fizeram qualquer divulgação panfletária a meu respeito.

Pontos de acordo

Eis os pontos de acordo entre mim, e os autores Reis e Mendes: concordo que deva haver um rigor acadêmico maior no momento de palestrantes e pregadores apresentarem certas declarações, especialmente envolvendo a área de ciência e religião. Também concordo que sempre houve no seio do adventismo a tendência para o surgimento de certas lendas urbanas que produziram tradições incomprovadas (para não dizer “mentirosas”) e que muito atrapalham na pregação da Verdade Presente. Costumo dizer a meus alunos que não devemos “fabricar evidências”. Ademais, pior do que um oponente negando minha fé, é um companheiro de igreja defendendo o que creio, mas com argumentos estapafúrdios.

Eu mesmo já fui vítima de certas lendas urbanas ao ser usado como autor de frases que não disse ou, se disse, foram num contexto bem diferente do divulgado. Em relação a Órion, por exemplo, alguém tomou uma antiga palestra (de mais de 10 anos), aonde apresento os sons de Saturno capitados pela Voyager (na verdade são ondas plásmicas de vento solar que se assemelham a uma orquestra afinando seus instrumentos). Então ligaram essa palestra, não sei de que forma, a outra palestra que fiz sobre Órion, chegando a afirmar que eu havia declarado haverem sons de trombetas celestiais saindo do túnel de Órion. Uma versão mais sofisticada disse que a Veja publicou isso e que eu até citei esse tema numa das entrevistas do Jô Soares. Absurdo completo.

Definitivamente, é bom que se diga: Os cientistas não estão medindo nenhum buraco se abrindo em Órion e que a cada ano se torna maior que no ano anterior. Isso é mito. Também não há sons de trombeta ecoando de lá, muito menos formas angelicais aparecendo em sua região.

Pontos de desacordo

Meu desacordo com o prof. André (e em parte também com a obra de Yuri Mendes) reside no método de sua pesquisa e em sua interpretação quanto à influência de Bates sobre Ellen White, o que toca no delicado assunto da inspiração profética. Antes, porém, é importante ressaltar que nenhum de nós é um astrônomo profissional. Somos teólogos. O mais capacitado dentre nós seria, sem dúvida, o Yuri Mendes, mas ele mesmo se apresenta como astrônomo amador. No que diz respeito a mim (e creio poder incluir o prof. André nisso) falta-me treinamento adequado em astronomia para se posicionar quanto a algumas questões de Física que envolvem essa temática e, sendo assim, não se deve esperar dessa resenha, um posicionamento quanto a questões técnicas de astronomia.

Contudo, posso perfeitamente colocar a posição de astrônomos e físicos de prestígio que procurei ler ao longo dos anos. E este é o principal problema, a meu ver, do método de pesquisa e coleta de dados que encontro nos escritos de André Reis e Yuri Mendes: há uma quase absoluta inexistência de material indexado sobre astronomia. No que diz respeito à história do Adventismo as fontes do prof. Reis estão bem, mas quanto à astronomia, afirmações são feitas sem nenhuma comprovação bibliográfica que permita ao leitor, ao menos, checar as fontes de sua conclusão. Nem o livro do Yuri Mendes encontrei uma bibliografia que se espera de uma pesquisa deste nível. Ainda se tratando de um livro não acadêmico, aquelas citações de revistas populares, de enciclopédias escolares e até de um ufólogo místico, com total abscência de artigos científicos ou material indexado empobrecem, a meu ver, o conteúdo e a argumentação. E quando vamos ao material indexado descobrimos que as coisas não são bem assim. Não nego que os autores fizeram exaustivas pesquisas para escrever seu material, mas senti uma imprecisão de ambos na hora de apresentar certas informações ao leitor comum.

Veja por exemplo: Yuri Mendes afirma veementemente em seu livro (pag. 86) que a Nasa jamais divulgou ou aceitou que houvesse um buraco negro em Órion, que isso é uma especulação infundada dita apenas na igreja. Será? Embora seja verdade que a Nasa não é a única a centralizar a informação astronômica (nisto Yuri Mendes está corretíssimo), seu site oficial (www.nasa.gov [1]linka artigos de vários observatórios e universidades ao redor do mundo, de modo que é perfeitamente possível encontrar ali uma fotografia ou texto científico, por exemplo, creditado não à própria Nasa, mas ao pessoal do National Optical Astronomy Observatory[2] . Portanto, não seria de todo errado oferecer a Nasa como fonte de algumas declarações, embora, como eu disse, seja verdadeira a advertência do autor de que se atribui à Nasa declarações que nem ela, nem nenhum observatório espacial jamais fizeram.

Não obstante, contrariando o que a afirmação de Yuri Mendes, físicos respeitados já trabalharam com a hipótese de Órion conter um buraco negro. Isto não é algo “inventado” por pregadores adventistas. Ainda que tal idéia não esteja hoje tanto em vigor (afinal o saber científico é cíclico e “provisório”) ela já foi cientificamente defendida por especialistas como Robert E. Wilson do departamento de Astronomia do Sul da Flórida[3] , Douglas S. Hall do Dyer Observatory (Vanderbilt University) e Loring M. Garrison Jr. do Kitt Peak National Observatory (Tucson, Arizona) [4]. E. A. Antokhina, N. Z. Ismailov e A. M. Cherepashchuk, do P. K. Shternberg State Astronomical Institute de Moscow, também afirmaram em um artigo conjunto a hipótese de vários astrônomos de que a BM Orionis era uma ótima candidata a ser um buraco negro[5] . Veja, eu mesmo não tenho credenciais acadêmicas para afirmar que exista ou não um buraco negro em Órion, isso fugiria à minha especialidade. Fiz referência a esses autores apenas para mostrar que nem tudo é “invenção de pregadores leitos adventistas”. Não estou afirmando que existe ou não existe buraco negro em Órion, estou apenas dizendo que essa tese já foi defendida por gente de peso. Meu ponto é o seguinte: se o buraco negro em Órion é uma bobagem, é uma bobagem que já foi defendida por físicos de prestígio.

André Reis também segue uma argumentação semelhante quanto afirma que o Hubble comprovou “o que outros já haviam suspeitado: não existe nenhum ‘espaço aberto’ na constelação de Órion.” Bem, em primeiro lugar devemos lembrar que “espaço” no “Espaço” não é o mesmo que nos diz o senso comum. Do mesmo modo que Buraco Negro, não é “buraco” nem é “negro” [6]. Ellen White, embora não fosse cientista, estava usando uma linguagem descritiva limitada, como aliás até mesmo o cientista é obrigado a usar. Ninguém escapa totalmente do senso comum na hora de descrever o mundo em redor. Eu mesmo não conheço nenhum físico que ao invés de falar “do raiar ou do por do sol” prefere dizer: “Amanhã eu lhe encontro a tantos graus do movimento de rotação terrestre em torno de seu eixo”. Ninguém fala assim. Ora, se a ciência pode até hoje chamar de átomo o que não é átomo, por que Ellen White que era leiga não podia falar de “espaço aberto em Órion” se essa era a aparência do que ela via? E será que não há realmente nenhum espaço ali?

Curiosamente uma grande quantidade de artigos acadêmicos, talvez usando uma descrição de senso comum semelhante àquela utilizada por Ellen White, também fala claramente de “cavity” (cavidade) e “open cativy” (cavidade aberta) em Órion [7]. Entre os que usam essa expressão encontra-se Massino Robberto[8] , respeitado membro da European Space Agency (ESA) e do Space Telescope Science Institute em Baltimore, EUA. Aliás, o próprio site oficial do telescópio Hubble[9] também oferece a mesma descrição e até mesmo o site de notícias doHerschel Space Observatory que divulga oficialmente as fotos tiradas pelo Satélite Herschel publicou o seguinte título sobre Órion: “NGC1999 – A hole in space” (Um buraco no espaço[10] . A NGC1999, apenas para constar, é uma nebulosa na constelação de Órion! Veja o modo como o artigo argumenta em uma de suas partes: “The astronomers think that the hole must have been opened when the narrow jets of gas from some of the young stars in the region punctured the sheet of dust and gas that forms NGC 1999”.[11] Veja se os astrônomos falam de buraco em Órion que foi aberto, ainda que se diga que estariam usando uma linguagem de senso comum, porque deveríamos ter tanto repúdio à expressão “espaço aberto” ou afirmar que está provado que não existe nada que se assemelhe a isso. Veja, novamente, quero esclarecer: não se trata de afirmar que existe um buraco ali em Órion como um rasgo feito num lençol. Mas posso sim dizer que existe, segundo a descrição dos Físicos, existe ali algo que aparenta ser um espaço/buraco. Ainda que figuradamente, a descrição não é irracional.

A influência de Bates

A suposta influência de Bates sobre Ellen White para mim é hipotética e não assertiva. Em que pesem as argumentações da ausência de “Órion” no livro O Grande Conflito ou o folheto de Bates escrito antes da visão, devo dizer que para mim esses não são elementos conclusivos para afirmar a dependência de Ellen White em relação ao capitão Bates.

Em primeiro lugar, note-se que existem descontinuidades importantes entre os dois. Bates fala o tempo todo de “gap” e não de “open space”. Aliás percebi que em nenhum lugar ele fala de “space” como algo específico de Órion. As ocorrências desse vocábulo em seu artigo são sempre dentro de outro contexto. Em Órion, mais especificamente na espada do caçador, há, segundo Bates, uma “gap” (uma brecha). Sua tese, portanto, é de que haveria uma brecha, um rasgo, entre o céu e a terra. Esse rasgo como se fosse um zíper se abriu várias vezes no passado para permitir a comunicação dos homens com os seres celestiais. Parte de sua argumentação residia no fato de Deus ter colocado Querubins com espadas de fogo no caminho do Éden. Ora, se o Éden foi arrebatado para o céu e pode ser (segundo Bates) conectado ao Santuário e à Nova Jerusalém. É de se esperar que ele mesmo venha à terra pela mesma brecha por onde entrou. Ora, se Deus colocou anjos com espadas no caminho do paraíso e hoje temos no céu um caçador (Órion) com uma espada na mão. Aquele, sem dúvida é o caminho da Nova Jerusalém ou o Éden prestes a regressar.

Mas veja que nem de perto encontramos tal tipo de argumentação em Ellen White. Esse não era, aliás, o modo como ela apresentava as “evidências bíblicas” para uma tese, muito menos o jeito de sustentar suas visões. Reconheço que muitas vezes o profeta reflete o seu tempo. O prof. André está certo quanto a isso. Mas devemos ter critérios claros para saber quando o profeta está refletindo o meio em que viveu e quando está descrevendo aquilo que Deus lhe revelou, a despeito do meio. Do contrário, podemos incorrer no erro de relativizar ou humanizar em demasia toda a sua mensagem. Muitas declarações de Ellen White feitas como frutos de sua visão vinham justamente depois que os pioneiros apresentavam suas teorias doutrinárias conforme entendiam peloestudo da Bíblia. Assim foi com o sábado, com o Santuário, com a abstinência do porco, com o sentido de Daniel 8:14 etc. Suas visões corrigiam ou endossavam o que eles tinham dito antes. O endosso ou a correção poderiam ser apenas parciais e não necessariamente exaustivos (ainda havia espaço para nova luz sobre o assunto). Esse me parece ser o contexto de Órion, primeiramente em Bates, e depois nas visões de Ellen White. O conceito de Alden Thompson (citado por Reis) quanto à inspiração profética não me parece muito convincente, mas isso é matéria para outra discussão. Veja a crítica feita a esse autor por Richard Davidson, professor de Antigo Testamento da Andrews University[12] .

Quando o profeta Isaías fala, por exemplo, “dos quatro cantos da Terra”, está, de fato ecoando a descrição de uma época, mas note que esses “ecos culturais” são geralmente anotações paralelas ou digressões periféricas não essenciais à mensagem. Isaías não usa esse tipo de informação cultural dizendo “o senhor me mostrou que há quatro cantos na terra”. Jesus também chamou o grão de mostarda a menor de todas as sementes quando na verdade não é! Igualmente Ellen White descreveu uma visão que teve da aparência do diabo e anotou que ele tinha uma testa larga indicando “grande inteligência”. Ora isso é um conceito de frenologia, hoje totalmente ultrapassado. Tamanho e formato de testa não têm nada a ver com capacidade intelectiva ou com potencialidade de QI. Mas veja que, diferente dos exemplos dados, a declaração de Órion é muito forte e central. Não se trata de informação periférica. O senhor lhe mostrou o abalo e lhe explicou o significado. Na visão sobre os planetas foi Bates e outros que afirmaram que ela estava em Júpiter, ela mesma não disse isso. Aqui não: ela mesma declara que estava vendo Órion!

Num e-mail que trocamos (o prof. André e eu) admiti que o silêncio de Ellen White em anos seguintes acerca desse assunto é, de certa forma desconcertante. Mas isso não é motivo para se concluir que ela cometera um erro. Se ela errou, aonde estaria sua retratação? Note que em várias ocasiões Ellen White mostrou que havia cometido um erro e não titubeou em admitir suas imprecisões num ou noutro ponto. Também não hesitou em apresentar suas mudanças de conceito. Isso não se dá aqui. O que temos é uma declaração única seguida de nenhuma correção. Se tomarmos seu silêncio como indício de retratação ou discordância, então teremos de aceitar a argumentação dos antitrinitários de que o fato dela nunca ter mencionado a palavra Trindade seus escritos seria um indício de que ela mesma não creu nesta doutrina.

Curiosamente, Yuri Mendes parece chegar a uma conclusão diferente da de André Reis: para ele não se trata de descrição equivocada influenciada por Bates. Ela realmente viu Órion, mas em seu entender o que Ellen White provavelmente quis dizer é que “a volta de Jesus será na direção da constelação de Órion” (pág. 90). Mais uma vez é bom dizer que nenhum dos dois autores intentam desmerecer o dom profético de Ellen White. Até aonde eu saiba são escritores adventistas compromissados com as doutrinas de nossa igreja. O que tenho em seu material são tentativas de compreender o que Ellen White quis dizer e não afirmações de dúvidas quanto ao seu ofício profético. Neste ponto nós três estamos igualmente de acordo.

Por fim uma nota sobre a questão do Mistério. Concordo com Reis que ficar apelando para um suposto mistério em Órion como argumentação última a favor de um significado profético da região é sem sentido. Mas gostaria de fazer duas observações, a situação de “não mistério” não anula o fato de que ali possa ser um lugar/evento especial. Veja, muitos sinais do fim que cumpriram profecias bíblicas já há muito deixaram de ser um mistério para os cientistas. Explicações claras já foram dadas para o escurecimento do Sol em 1780 e a queda das estrelas de 1833. Nenhum desses fenômenos é hoje um “mistério” para a ciência. E mais: eles não são, de modo nenhum, eventos inéditos. Todo ano, lá pelos meses de outubro ou novembro, o mesmo evento de 1833 se repete e nova chuva de estrelas acontece. É a terra passando pelos restos de um cometa chamado Leonids, veja que a história já registrou outras curiosas chuvas de estrelas (na verdade meteoros cadentes) em 1866, 1899 e 1933. Nem todas é claro podem ser vistas a olho nu. O significado profético, portanto, não está na inexplicabilidade nem na unicidade do evento. Um médico forense pode arriscar a causa mortis de Jesus, aliás, o Filho de Deus não foi o único crucificado pelos romanos. Contudo havia algo maior naquele evento aparentemente comum que o diferenciava dos demais, ele tinha um significado dentro da história da redenção que escapava ao olhar do historiador. Órion pode ser mais uma entre muitas constelações e ao mesmo tempo ser única!

Mas note que ainda existe um espaço para o assombro. Os cientistas não estão tão esclarecidos sobre Órion como supõem Reis e Mendes. O Dr. Malin ao comentar uma foto da Nebulosa de Órion tirada em 15 de janeiro de 1999 declarou: “Esta imagem de telescópio revela uma intrigante nebulosidade que parece consistir de nuvens de poeira iluminadas não por luz estelar mas pela luz da própria Nebulosa de Órion”[13] .

Esse mesmo especialista define ainda como “intrigante nebulosidade” o que acontece naquela região espacial e revela-nos que ainda há muitos mistérios sobre aquele lugar. Mistérios não encontrados em outras partes do universo. C. R. O’Dell, um dos maiores especialistas sobre o assunto, chegou a definir Órion como um “Elefante para Cegos” – uma paródia da parábola de vários cegos que apalpavam diferentes partes de um elefante e, por isso, afirmavam coisas contraditórias sobre ele. Seu artigo indexado foi apresentado numa conferência sobre astronomia realizada na Cidade do México em 2001.[14]

As questões sobre a luz que é emitida de um astro e o tempo que demora para chegar até a terra já foram discutidas pelo físico Russell Humphreys no livro Starlight and Time. Não devemos nos prender a isso como motivo para afirmar que seria impossível Jesus vir com a Nova Jerusalém pelo espaço aberto em Órion ou que eles teriam de ter uma velocidade muito superior à velocidade da Luz etc. Ora, um cidadão português do século 17 acharia impossível uma viagem do Rio de Janeiro para Lisboa durando apenas algumas horas. Se é um erro limitar as potencialidades do futuro com base nas limitações do presente, muito mais seria limitar a onipotência de Deus devido às limitações humanas. Mas disso o prof. André demonstra-se consciente em seu artigo, já o livro de Mendes nem tanto.

Observações finais sobre o Texto de Ellen White

Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto. Vi que as potestades da Terra estão sendo abaladas agora, e os acontecimentos ocorrem em ordem. Guerras e rumores de guerra, espada, fome e pestilência devem primeiramente abalar as potestades da Terra, e então a voz de Deus abalará o Sol, a Lua e as estrelas, e também a Terra. Vi que a agitação das potências na Europa não é, como alguns ensinam, o abalo das potestades do céu, mas sim o abalo das nações iradas. Vida e Ensinos, 111.

Vamos ver trecho por trecho:

“Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si.” Essa informação, a princípio, realmente me pareceu estranha. Embora eu não entenda nada de mecânica de fluídos, achei confusa a informação de que nuvens (que são formadas de gases) pudessem se chocar entre si. Elas não são corpos sólidos, são fluídos. Contudo, é essa a descrição que muitos fazem de Órion. Veja à guisa de ilustração a descrição feita por A.S.B. Schultz: “The surface of the nebula is not smooth, but composed of a variety of wisps, bubbles, and ridges, whose brightness and spectra are dependent mainly on their distance from the Trapezium (Wen & O’Dell 1995). The nebula is also the site of at least two systems of Herbig-Haro (HH) objects. HH objects are by-products of star formation: emission nebulae formed when an outflow from a young star impacts surrounding material, shocking both outflowing and ambient material. The southern system (HH 202 – 204) probably has its source(s) in the vicinity of the Trapezium, while the northern system includes the fast, optically-emitting “fingers”, detailed below (O’Dell 1997). ”[15] Veja também uma descrição de foto de Órion feita pelo Hubble: “Many of the filamentary structures visible in this image are actuallyshock waves – fronts where fast moving material encounters slow moving gas. The Orion Nebula spans about 40light years and is located about 1500 light years away in the same spiral arm of our Galaxy as the Sun.”[16]

“A atmosfera abriu-se e recuou”. Yuri Mendes e André Reis entendem que esta seria a atmosfera terrestre. Talvez seja. Mas é possível aventar outra interpretação, a de que seria a atmosfera da própria região de Órion. A palavra atmosfera lembra, no vocabulário de nós leigos em Física, apenas uma fina camada que envolve planetas ou no máximo luas. Pelos padrões leigos da época de Ellen White era de se perguntar: como poderia haver “atmosfera” no espaço aberto de Órion? Hoje, contudo, sabemos que se pode falar de atmosfera galáctica e que esta tão ou mais complexa que a de um planeta[17] . Hoje é sabido que Nebulosa de Órion possui hidrogênio, oxigênio e enxofre.[18]

“pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto” – Ellen White não parece endossar a idéia de Bates de que a espada de Órion seria uma brecha que se abre e fecha para a passagem de anjos como um zíper de uma bolsa. Também não parece advogar um sinal da brevidade da volta de Cristo. Note que ela jamais usa o futuro ao falar da abertura. Ela não diz, “um espaço se abrirá no Órion [por ocasião da vinda de nosso Senhor]”. Sua declaração é simples: “pudemos olhar para o espaço aberto” … “a santa cidade descerá [futuro] por aquele espaço aberto”. Não há nada no texto que indique uma abertura futura por ocasião dos eventos ali mencionados, muito menos um abre e fecha constante do passado. A Nova Jerusalém descerá (no futuro) pelo espaço já aberto (hoje).

Como se dará isso? De que forma ocorrerá? Essas são perguntas que talvez nunca responderemos com os critérios dessa vida. Talvez um dia no céu… Embora, a meu ver, terei coisas mais interessantes na eternidade do que ficar desvendando as especulações aqui da terra. Bem essa é a minha interpretação, o meu entendimento. Minhas considerações não estão completas, é claro, apesar das oito páginas! Tenho outras motivações para pensar assim, que não foram apresentadas neste texto. Mas acredito ter dito o suficiente. Eu ainda creio que Órion é o lugar! E dali virá meu Senhor! Mas quer entremos por Órion ou por outra “porta qualquer”, o importante é que André, Yuri e eu possamos estar juntos na multidão de remidos. E naquele dia, pouco importará quem de nós estava ou não com a razão.

Rodrigo P. Silva

  1. Existe ainda o hattp://apod.nasa.gov. Esse site costumava linkar informações de pesquisadores de outras agênciasespaciais e universidades fora da Nasa.
  2. Cf. http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap070527.html que linka a páginahttp://www.noao.edu/entre outras.
  3. Robert E. Wilson, “The Case for a Black Hole in BM Orionis” in Astrophysics and Space Science 19 (1972), 165-171. BM Orionis é uma das estrelas do Trapezio localizado na grande Nebulosa de Òrion. Veja esta definição em http://www.hposoft.com/EAur09/BMOrionis.html.
  4. Douglas S. Hall e Loring M. Garrison Jr. “BM Orionis, The Eclipsing Binary in the Trapezium” Astronomical Society of Pacific, July 22 (1969), 771 – 792. Provided by Nasa Astrophysics Data System disponível emhttp://www.hposoft.com/EAur09/EAUR%20pdfs/BM%20OrionisHall.pdf.
  5. Antokhina, E. A., Ismailov, N. Z., & Cherepashchuk, A. M; “Parameters of the Eclipsing Binary System Bm-Orionis a Member of the Trapezium – THETA-1-ORIONIS” SOVIET ASTR.LETT.(TR:PISMA) V.15, NO. 5/SEP, P. 362, 1989 disponível em http://adsabs.harvard.edu/full/1989SvAL…15..362A.
  6. http://www.inape.org.br/astronomia-astrofisica/mitos-e-verdades-sobre-os-buracos-negros.
  7. Cf. http://hubblesite.org. Ele diz: “The Orion Nebula is a picture book of star formation, from the massive, young stars that are shaping the nebula to the pillars of dense gas that may be the homes of budding stars. The bright central region is the home of the four heftiest stars in the nebula. The stars are called the Trapezium because they are arranged in a trapezoid pattern. Ultraviolet light unleashed by these stars is carving a cavity in the nebula and disrupting the growth of hundreds of smaller stars.” (http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2006/01/image/a) Veja também: “The Orion Nebula is a perfect laboratory to study how stars are born because it is 1500 light-years away, a relatively short distance within our 100 000 light-year wide galaxy. Astronomers have a clear view into this crowded stellar maternity ward because massive stars in the centre of the nebula have blown out most of the dust and gas in which they formed, carving a cavity in the dark cloud.” (http://hubble.esa.int/science-e/www/object/index.cfm?fobjectid=38598). ““Packed into the center of this region are bright lights of the Trapezium stars, the four heftiest stars in the Orion Nebula. Ultraviolet light unleashed by these stars is carvinga cavity in the nebula and disrupting the growth of hundreds of smaller stars. The dark speck near the bottom, right of the image is a silhouette of an edge-on disk encircling a young star. Another whitish-looking disk is visible near the bottom, left, just above the two bright stars. This disk is encased in a bubble of gas and dust.” (http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2006/01/image/e/)
  8. http://www.spacetelescope.org/images/html/heic0601b.html
  9. Cf. http://hubblesite.org. Ele diz: “The Orion Nebula is a picture book of star formation, from the massive, young stars that are shaping the nebula to the pillars of dense gas that may be the homes of budding stars. The bright central region is the home of the four heftiest stars in the nebula. The stars are called the Trapezium because they are arranged in a trapezoid pattern. Ultraviolet light unleashed by these stars is carving a cavity in the nebula and disrupting the growth of hundreds of smaller stars.” (http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2006/01/image/a) Veja também: “The Orion Nebula is a perfect laboratory to study how stars are born because it is 1500 light-years away, a relatively short distance within our 100 000 light-year wide galaxy. Astronomers have a clear view into this crowded stellar maternity ward because massive stars in the centre of the nebula have blown out most of the dust and gas in which they formed, carving a cavity in the dark cloud.” (http://hubble.esa.int/science-e/www/object/index.cfm?fobjectid=38598)
  10. http://herschel.cf.ac.uk/results/ngc1999-hole-space
  11. Idem.
  12. Revelation/Inspiration in the Old Testament: A Critique of Alden Thompson’s ‘Incarnational’ Model.” In Issues in Revelation and Inspiration. Adventist Theological Society Occasional Papers. Vol. 1. Edited by Frank Holbrook and Leo Van Dolson, 105-135. Berrien Springs, Mich.: Adventist Theological Society Publications, 1992.
  13. O texto completo em ingles seria estes “This telescopic imagereveals an intriguing nebulosity which seems to consist of dust clouds illuminated not by starlight but by the light of the Orion Nebula itself. In non-telescopic views, the bright group of stars near the top appear as the northernmost star in Orion’s sword. They are seen here illuminating the nearby dust clouds. Yet the yellowish streamers of dust across the middle reflect the light of the Orion Nebula, which lies just off the bottom edge of the photo”. Fonte:http://apod.gsfc.nasa.gov/apod/ap990115.html. O comentário é em co-autoria com os professores Robert Nemiroff(MTU) e Jerry Bonnell (USRA). O astrônomo amador Andrew James, reconhecendo que a luz está na própria nebulosa tenta uma explicação para o fenômeno. Ele diz: “We know it as the same nebulosity illuminated by stars and making the individual parts luminescent. In reality, this nebula is so bright because of the molecules and atoms contained within the nebula. The excitation of this matter is by many nearby hot stars that are radiating strong UV radiation and causing the fluorescent glow. The main portion of M42 is possibly illuminated by the star known as Becklin’s object, which is unseen due to absorption of light by the bulk of the nebula.” Disponível emhttp://homepage.mac.com/andjames/Page204.htm.
  14. C. R. O’Dell, “The Orion Nebula: An Elephant for the Blind”, RevMexAA (serie de conferências), 10 (2001),1-8.
  15. The Secret Inner Life of the Orion NebulaEletronic Publication of Astronomical Society of Australia, volume 18 no. 1 (http://www.atnf.csiro.au/pasa/18_1/schultz/paper/node3.html).
  16. (http://apod.nasa.gov/apod/ap040713.html)
  17. Ronald Reynold “When Stars Collide” in Scientific American – Janeiro de 2002
  18. http://apod.nasa.gov/apod/ap040713.html

Fonte: http://bemvin.org/orion-por-rodrigo-silva-introduco.html

Constelação de Órion e a Volta de Jesus

Para quem é membro da instituição Adventista do Sétimo Dia entenderá bem essa questão. Trata-se de um mal-entendido desenvolvido e pregado – até mesmo por pastores (mais no passado que no presente) – a respeito de uma interpretação de texto equivocada de um parágrafo que Ellen G. White escreveu no livro “Primeiros Escritos”. Porém, com boas intenções, pois geralmente apenas replicaram uma ideia que alguém contou, sem verificar se a ideia era verdadeira.

O trecho:

“Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto.”

(página 41)

O mito (mal-entendio):

O mito diz algo parecido com: “Que há um espaço negro crescendo em Órion (mesmo nos dias de hoje), e que os cientistas isso e aquilo, e que será por esse ‘espaço’ que Jesus irá voltar.” Ao mesmo tempo, se associa implicitamente a ideia de quanto mais aumenta o espaço, mais Jesus está próximo de voltar. Não é exagero dizer que, por vezes, tudo que ocorre/relaciona em Órion, estes acabam por relacionar com a volta de Jesus e este texto. Porém, não como algo que lhes fazem ‘lembrar da ideia do texto’, mas como se fossem ‘evidências comprovando de que algo deste tipo está acontecendo’.

A realidade:

Esse mito pode ser facilmente quebrado se lermos com atenção o texto com seu contexto. No contexto, Ellen G. White está se tratando de uma visão que teve sobre os abalos das potestades da Terra e do céu, antecedendo os instantes antes da volta de Jesus. Veja:

“A 16 de dezembro de 1848, o Senhor me deu uma visão acerca do abalo das potestades do céu. Vi que quando o Senhor disse “céu”, ao dar os sinais registrados por Mateus, Marcos e Lucas, Ele queria dizer céu, e quando disse: “Terra”, queria significar Terra. As potestades do céu são o Sol, a Lua e as estrelas. Seu governo é no firmamento. As potestades da Terra são as que governam sobre a Terra. As potestades do céu serão [verbo: futuro] abaladas com a voz de Deus. [causa] Então o Sol, a Lua e as estrelas se moverão em seus lugares. [primeiros fenômenos observados] Não passarão, mas serão abalados pela voz de Deus.” (idem)

Então, após esta sequencia de eventos que acabamos de ler. Decorre que:
“Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto.”

Abalo dos corpos celestes

No que o texto diz, no evento da Volta de Jesus, e não gradualmente (como se argumentaria estar ocorrendo hoje) – ou seja, no momento em que Jesus for voltar -, acontecerá um evento magnífico de ordem astronômica, inconfundível e que não será necessário pesquisas e cientistas da NASA para tomar conhecimento, pois será visual e nitído a contemplação do homem comum. [O texto não faz qualquer alusão que será um evento que apenas os sofisticados instrumentos da NASA poderão detectar.] Bem, sabemos que o Sol, a Lua e as estrelas estão constantemente se movendo assim como a Terra, porem seguem uma ‘trajetória natural’ a qual podemos observar, (como referencia o observador), o sol nascendo no leste se pondo no oeste, o trajeto da lua e das estrelas também, se for observar uma noite a dentro.

Pelo contexto deste texto, não dá para saber se, de fato, o Sol, a Lua e as estrelas são os objetos que irão se movimentar (isto é, sair da sua trajetória natural para algo mais bizarro, o que promoveria muitos eventos gravitacionais estranhos – os quais Deus poderia conter), ou se haveria alguns eventos na superfície da Terra, de modo que, para o ponto de vista do “observador” [o que dá a entender, pois a visão é descrita, como ela observando estes eventos], ao olhar para tais corpos, notaria que eles se moveriam estranhamente (a ideia de refração da luz já abre uma janela de possibilidades de hipóteses de possíveis variações para descrever esta imagem para o observador). Ao mesmo tempo, não dá para se saber se essa imagem seria global ou regional [não por este texto], apesar da volta de Jesus seria de uma visão global, como a Bíblia afirma – mas, no contexto, Ellen G. White não fala sobre isso. Porém, é de supor que se houvesse abalo do Sol para o lado da Terra que é dia, é lógico de se esperar que haveria um abalo observável na Lua e talvez nas estrelas, para o lado da Terra que é noite – ao mesmo tempo.

Bem, então, após esse evento do abalo do ‘movimento/trajeto estranho’ do Sol, Lua e Estrelas:

“Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus.”

Em primeiro lugar, vale lembrar que no parágrafo anterior diz que devido ao “soar da voz” é que os eventos ocorreriam. Que eventos? O Sol, a Lua e as estrelas se moveriam; ao mesmo tempo, na própria atmosfera da Terra (ou algo que de algum modo se assemelharia a isto, talvez exoterrestre) aconteceria algum fenômeno muito estranho, que provavelmente de algum modo pudéssemos ver as estrelas (em especial as que identificam Órion); e talvez não todas se moveriam; pois caso as estrelas da constelação de Órion se movesse, não conseguiríamos identificá-la, pois a constelação perderia sua forma e referências para nós (observadores). E, isto é um ponto importante que fique claro: apenas APÓS esse fenômeno ter ocorrido (sendo que a voz de Deus teria soado); é que então identificaríamos: “PUDEMOS ENTÃO OLHAR através do espaço aberto em Órion”.

Mas o que significa isso?

O que é um “espaço aberto”? Pelo contexto não tem nada a ver com “Buraco Negro”. Pois por definição, buraco negro tem esse nome porque não emite luz. A teoria é que ela possua uma massa tão alta e comprimida, que sua gravidade é extrema de modo que nem a luz escapa. Logo, se fosse um “buraco negro” nós não veríamos NADA; visto que buracos negros, praticamente só são identificados computacionalmente, não são facilmente identificados. Aliás, empiricamente nem se sabe ao certo se de fato existem; é apenas o que a teoria e os dados sugerem. [Como Matemático um pouco mais ligado as Ciências Físicas, afirmo que, ainda hoje, há muitos físicos que não acreditam que os Buracos Negros existam e há outras propostas teóricas para o fenômeno observado.] Além que é totalmente controverso a ideia da cidade de Deus “sair” de um Buraco negro, visto que tal, em geral, considera-se por ‘engolir’ (não que signifique ter uma ‘barriga’) as coisas, ao invés de vomitá-las. Claro, Deus, por ser Onipotente pode nos impressionar e sair de um ‘buraco negro’. Porém, para nós, observadores da Terra, ao ver isso, não saberíamos que Ele estaria saindo de um buraco negro, pois um buraco negro não é observável para nós. Nós não olhamos para o céu e apontamos o dedo e dizemos: “Olha! Veja aquele buraco negro ali.” Logo, é de se esperar que este “espaço aberto” será algum tipo de fenômeno visual para nós, observadores, promovido por Deus; e, qualquer teoria sobre tal, é algo que tende a ser 100% especulação.

Também, fique claro, isto não tem nada a ver com supernovas e estrelas, pois tais não formam “nenhum espaço aberto” (algo que se pode entender como uma porta aberta, ‘um buraco’, visível ao observador humano); a grosso modo, tais só emitem luz. Quando olhamos para o Sol que nos emite muito mais luz perceptível ao olho humano, não identificamos ou notamos nada que nos remete a uma ideia de ‘buraco’ ali. A ideia que se tem é que parece um tipo de portal, ou objeto de transporte; do qual poderíamos ver e distinguir (ou seja, EMITIRIA LUZ particular, distinguível, perceptível a olho nu, mesmo para um néscio, assim como quando vemos uma estrela cadente) o que há dentro dele; e que esse “buraco/passagem” seria aberto nesse momento, após o abalo das potestades dos céus que deveria atrair a atenção de quase todo mundo; e, assim as pessoas notariam aquele buraco sendo aberto. Há sim a teoria não comprovada empiricamente dos Buracos de Minhocas, que talvez os buracos negros pudessem produzir caminhos/portais para outros Universos ou regiões do Universo (há muitas especulações sobre isto); porém, ainda assim, tal estaria num buraco negro, e por definição, não emitiria luz, ou seja, não veríamos/identificaríamos este buraco. Logo, é necessário que o que ocorrerá será algo que está além do que aquilo que a nossa atual compreensão dá a um buraco negro.

A ideia que esse trecho mais me propõe é a de comparar a estarmos dentro de um planetário totalmente escuro, breu total, apenas as estrelas vemos; e sem notarmos onde podemos ver a constelação de Órion, e, de repente, uma porta é aberta, ao mesmo tempo, conforme vai abrindo-a, a luz do outro lado (dentro do comodo que a porta nos separa) vai penetrando nosso ambiente escuro e assim vamos vendo aquela “porta se abrindo”. [esta experiência fica claro se alguma vez já pode ir num planetário] Se for isso, é totalmente oposto a ideia de um buraco negro.

Note que a visão foi tão estranha que, Ellen G. White não encontrou palavras para descrever. O melhor modo que pode expressar foi “um espaço aberto”. Ao meu ver, me assemelha mais a ideia que se via em alguns desenhos antigos, em que se abriam uns tipos de “portais dimensionais” (como nomeavam) no espaço, ou se podia ver ‘a nossa dimensão’, ou melhor, o nosso espaço-tempo, se quebrando como um espelho. Claro, isso nem mesmo são suposições, apenas algumas ilustrações, para compreender a unica lógica no contexto do texto, para um observador comum e a olho nu, que faria algum sentido isso na perspectiva atual.

O que é esse espaço aberto? Eu não sei, e não tem como saber. Só na hora saberemos. E tal, a grosso modo, não será em Órion. A Constelação de Órion está a uma distância astronômica da Terra – claro não podemos limitar o poder de Deus em questão a velocidade da luz e tudo o mais. Porém, não faz sentido ser em Órion que não é “um lugar especifico” (não existe uma placa: Bem-vindo a Órion… ou “Divisa de … com Órion”) tal é apenas uma constelação que espacialmente não tem sentido, mas que apenas no ponto de vista do observador na Terra (apenas é uma referência visual). E visto que as dimensões de Órion (além de não ser definido e calculado) são astronômicas. Mas sim o que faz sentido, é que Órion apenas representa a “direção”, a “referência visual” do observador.

Exemplo:

Vá para o litoral; chegue no mar. Avance vários metros da margem. E coloque ali uma bóia grande e alta com um sinalizador bem forte. Depois pegue um barco e se afaste vários quilômetros da margem. E olhe para o sinalizador. Você poderá até dizer que aquela luz vem da praia, da areia, da curta planície, ou da cadeia de montanhas ao fundo.

Pois para o observador, aqui na Terra, visualmente, não faz diferença se a coisa está lá em Órion, seja entre as 3 marias, ou entre alguma delas e Betegeuse; ou se está a muitos e muitos anos luz dali, mais próximo a Terra. Não faz diferença. A única coisa clara que sabemos é que a “referência do observador” e não necessariamente “o local do evento” é Órion.

Cientificismo enganoso
Alguns pastores, entre outros adventistas tomam uma atitude incorreta e incoerente com sua profissão de fé, querendo dar credito às profecias de Ellen G. White por meio de um cientificismo enganoso/forçado e absolutamente especulativo – até mesmo contraditório; criando um contexto muito imaginativo e sensacionalista. De modo que se você for buscar no Google por Constelação de Órion, na primeira página você irá encontrar um monte de coisas (comentários e coisas da Igreja Adventista acerca disso) envolvendo “dados científicos” para induzir o leitor, a entender que lá em Órion, “os cientistas observam [passado/presente] que está acontecendo algo que Ellen White antecipou.” – MENTIRA! ENGANO! – E há quem faz isso apenas para tentar dar credibilidade a sua argumentação, palestra, ou simplesmente ao adventismo.

Esta não deve ser a ação/atitude de um adventista. Mas antes estudar atentamente o que diz a Bíblia e os livros de Ellen G. White sem fazer incursões especulativas que removam o contexto criando fantasias absurdas.

Há um bom tempo eu postei o seguinte vídeo no youtube:

E o que aconteceu? Ele foi bombardeado por um monte de supostos adventistas dizendo que “Jesus voltaria dali”, “é ali que Jesus habita”, e que “os cientistas já comprovaram isso e aquilo…”, entre vários outros. (visões distorcidas e especulativas). Ao mesmo tempo, muitas pessoas que não conheciam essa baboseira, comentavam ora pergunta o “Por que falavam isso…”, ora ridicularizando. Pois por fim, a pessoa leiga ouve isso de um pastor, acha que é uma super informação e dado cientifico que ninguem no mundo sabe, acha a coisa incrivel – como eu achei – e ai sai falando; porém, no final, isso acaba ridicularizando, sujando a mensagem. Imagine se um astronomo mesmo vê uma coisa dessa? Certamente, ficará com mais receio ainda de dar ouvidos para um adventista sobre a volta de Jesus.

Logo, faço um apelo para os Adventistas, para todos aqueles que gostem ou não dos maravilhosos escritos de Ellen G. White, assim como de suas profecias:

Falem da volta de Jesus como a Bíblia e os escritos de Ellen G. White falam;

  • Não falem desta maneira indevida;
  • Não façam usos enganosos/indevidos de cientificismo como propaganda;
  • Se querem colocar algo científico no corpo da mensagem, usem e contatem fontes confiáveis. Se possível, contate alguns cientistas que conhecem o assunto com escolas de pensamento diferentes; se informem com eles sobre as informações;
  • Tente entender, analisar, dirigir um pouco a ideia;
  • Verifique, analise, na medida do possível, o que a referência/texto e contexto, de fato, querem dizer sobre aquilo;
  • Verifique e tenha consciência de até onde o que você diz tem embasamento;
  • Leia primeiro os textos aos quais se refere. Mesmo podendo ser uma informação verdadeira e um fato, se você pegar tal e usá-lo para relacionar com outra coisa que não tem absolutamente nada a ver, aumenta exponencialmente o risco de estar cometendo um grande equivoco, de fazer comparações e conclusões indevidas.

CONCLUSÃO
Todos esses eventos descritos por Ellen G. White sobre a Volta de Jesus, abalos no céu e espaço aberto observável em Órion, nós não sabemos como será. Como todo mundo irá ver isso? Eu não sei. Como o sol irá mudar de lugar? Não sei. Como a lua? Não sei. Como será essas nuvens negras? Não sei. Como será a atmosfera se abrindo como pergaminho? Não faço a menor ideia. Que fenômeno ocorrerá para que todo (ou parte) o mundo possa ver as estrelas e identificar Órion ao mesmo tempo? Não sei. Como será esse “espaço aberto”? Não sei (mas tenho meus palpites que não comento). Como será a voz de Deus que promoverá todos esses eventos? Não sei, todavia estou louco para breve ouvir.

O que sei é o que as Escrituras Sagradas revela: “O que ninguém nunca viu nem ouviu, e o que jamais alguém pensou que podia acontecer, foi isso o que Deus preparou para aqueles que o amam.” (I Cor. 2:9) O mesmo será a volta de Jesus, não especulemos pois; não limitemos com a nossa atual imaginação e conhecimento este evento imensuravelmente GRANDIOSO, pois tudo será inédito para nossos olhos, nossos ouvidos e nossos mais intangíveis sonhos.

Um grande abraço! Evandro C. O. Schulz

Fonte: http://ociokako.blogspot.com.br/2009/11/constelacao-de-orion-e-volta-de-jesus.html

Bate Papo com Rodrigo Silva Sobre Órion

Meu colega o Dr. Rodrigo Silva publicou hoje no Advirum artigo que propõe uma intepretação diferente da que eu propus no meu artigo “Órion e os Eventos Finais“. Na verdade, o artigo procura confirmar a interpretação tradicional adventista sobre o papel de Órion nos eventos finais.

Abaixo meu comentário sobre o texto do Dr. Rodrigo Silva.

Olá Amigos,

Primeiramente gostaria de reafirmar meu apreço pela pessoa do Pr. Rodrigo; nos conhecemos desde os tempos do Unasp e temos ótimo relacionamento e reitero aqui o mesmo desejo de que o diálogo seja positivo e construtivo, como tem sido por e-mail. Agradeço as palavras lisonjeiras sobre minha pessoa, a admiração é mútua. Não tenho nenhuma intenção de causar celeuma, minha curiosidade pelo conhecimento suplanta o ensejo de “ganhar adeptos”.

Também me sinto honrado de ter meu artigo “Órion e os Eventos Finais” analisado por um acadêmico respeitado como o Pr. Rodrigo. Não é sempre que, como escritor, desfruto de leituras criteriosas de meus textos. Acima de tudo, foi dele que ouvi pela primeira vez a frase da pena de Agostinho: “No essencial: unidade, no não essencial: diversidade, mas em tudo: caridade”. Posso dizer que ele tem vivido esse preceito com seus colegas intelectuais.

Repito aqui o que expressei ao meu amigo Pr. Rodrigo: “O mais importante do debate talvez não será em termos de conteúdo, mas sim COMO nos portaremos no diálogo.”

Alguns têm a noção equivocada de que todos os adventistas precisam ver as coisas de maneira idêntica e que se houver idéias divergentes, de certa forma a igreja está desunida, apostatada ou tem doutrinas idéias confusas. A esses eu gostaria de citar Ellen White quando disse: ” O fato de não haver controvérsias ou agitações entre o povo de Deus, não deveria ser olhado como prova conclusiva de que eles estão mantendo com firmeza a sã doutrina Há razão para temer que não estejam discernindo claramente entre a verdade e o erro. Quando não surgem novas questões em resultado de análise das Escrituras, quando não aparecem divergências de opinião que instiguem os homens a examinar a Bíblia por si mesmos, para se certificarem de que possuem a verdade, haverá muitos agora, como antigamente, que se apegarão às tradições, cultuando nem sabem o quê. E há muitos na igreja que contam por certo que compreendem aquilo em que crêem, mas que até surgir uma discussão, ignoram sua fraqueza.”(Obreiro Ev. 298).

Abaixo vão alguns pontos sobre as observações do Pr. Rodrigo. As mesmas foram repassadas a ele através de nossa contínua e positiva interação por email:

1. O livro de Yuri Mendes. Embora o Rodrigo tenha incluído em seu texto observações sobre o livro “Mistérios de Órion” (CPB 2004), gostaria de ressaltar que meu texto difere em abordagem e conclusões do livro de Mendes. A única citação ao livro no meu artigo é ao capítulo que lista as verdadeiras “lendas urbanas” sobre Órion (capítulo 6 do livro). Para tanto, Yuri Mendes foi citado no meu texto como historiador e não como astrônomo amador.

2. O método de pesquisa. O Pr. Rodrigo comenta que no meu texto ” há uma quase absoluta inexistência de material indexado sobre astronomia.” Gostaria de ressaltar dois pontos: a) o artigo foi escrito tendo como alvo o público adventista leigo e para isso foi escrito de maneira concisa sem infindas notas de rodapé; b) apesar disso, o artigo contém várias referências que lidam com astronomia, a primeira é a página do Hubble no site da NASA que analisa todos os aspectos de Órion e que pode ser visto na referência http://hubblesite.org/gallery/tours/tour-orion/ citada no meu texto p. 1. Esse site também lista artigos sobre Órion. A segunda referência é do livro Agnes Clarke, A Popular History of Astronomy During the 19th Century, p. 22. Ainda outros artigos listados no meu texto abordam astronomia como a série artigos dos cientistas Adventistas Martz e Sprengel publicados na Revista Adventista de 1976 (veja nota de rodapé n. 21).

É também prática nos círculos acadêmicos não prover notas de rodapé para conhecimento considerado “universal”, como por exemplo, a velocidade da luz, o qué um ano-luz, quantos metros tem um kilômetro etc. Para esses dados uma mera menção é suficiente.

Por outro lado, vejo que o meu amigo Rodrigo utilizou algumas fontes no seu artigo do período anterior ao telescópio Hubble (1972, 1969, 1989) o que causa dificuldades, já que a maior parte do nosso conhecimento sobre o que ocorre de fato em Órion provem das imagens do Hubble lançado em 1990.

3. A cavidade de Órion. Rodrigo Silva ressalta o fato de que certos artigos usam linguagem semelhante à linguagem de José Bates e Ellen White ao descrever a “cavidade” ou o “o buraco” de Órion (veja notas de rodapé 7-10). Ele argumenta que possa haver um paralelo entre o que Ellen White “viu” ocorrendo em Órion, um “espaço aberto” e o que os astrônomos vêem hoje.

Outro exemplo é o “buraco negro” que Silva parece entender como tendo implicações para a questão. Meu texto não tratou de um suposto buraco negro em Órion, portanto não vou tratar dele exaustivamente aqui. Só vou citar dois pontos: a) a meu ver, é irrelevante se há ou não um buraco negro em Órion, já que um buraco negro é, por definição “invisível”, e a visão de Órion trata de coisas que são “visíveis” por ocasião da vinda de Cristo; b) não há consenso entre astrônomos quanto à existência ou não de buracos negros no universo, diferentemente da existência de nebulosas ou galáxias.

Portanto, cai por terra um suposto paralelo entre a linguagem de Bates e Ellen White e os astrônomos, já que a intenção de Bates foi provar que Órion tinha um buraco ou espaço aberto que se abria para as regiões celestes enquanto os astrônomos da NASA estão descrevendo o que ocorre nas nuvens de gás e poeira cósmica em Órion: elas formam uma espécie de “cavidade” ou “caverna” pela formação de estrelas dentro da nebulosa. As fotos de Órion demonstram exatamente isso. Embora usem linguagem semelhante, a intenção de Bates diverge violentamente da dos astrônomos. Pelo menos Rodrigo Silva parece estar cônscio dessa diferença fundamental.

4. A dependência de Bates. Concordo com Rodrigo Silva que não podemos afirmar com 100% de certeza de que Ellen White seguiu Bates ao mencionar Órion. Meu artigo não fez tal afirmação. Eu disse que “tudo indica”, ou seja, quando consideramos as evidências, creio que elas são fortíssimas na direção de uma influência de Bates que na época estava seguro pelas suas observações astronômicas de que Órion era a porta do céu.

Silva ressalta que Ellen White muitas vezes somente confirmava o que outros já haviam descoberto na Bíblia, como o sábado, o Santuário etc., e acredita que possa ser o mesmo caso de Órion: Bates descobriu e Ellen White confirmou.

Ele está correto no que tange às doutrinas bíblicas. Porém, não é o caso de Órion, já que não podemos provar pela Bíblia que Órion é a porta do céu e isso não é uma doutrina bíblica. O problema em aceitar que Órion é “sem dúvida a porta do céu” como afirmou Bates é que teríamos que concluir que Bates recebeu uma revelação “especial” sobre Órion, já que ele concluiu ANTES de Ellen White que a Nova Jerusalém viria por Órion e por isso, deveria ser também considerado de certa forma um profeta adventista. Essa “revelação” não provêm do estudo da Bíblia, ela teria que ter sido uma revelação especial para Bates, em visão ou sonho. Não é o caso, as conclusões de Bates provêm de suas impressões sobre Órion usando um telescópio bem limitado da época.

Silva vê problemas em aceitar a influência de Bates porque isso teria implicações sobre “intepretação profética”. Note porém que o livro Grande Conflito utiliza vastamente historiadores da sua época em questões periféricas. (Veja Apêndice A, ME vol. 3, 433). Poderíamos dizer que Ellen White foi influenciada por historiadores da época ao citá-los no Grande Conflito? Será que isso diminui sua autoridade profética, como questiona o Pr. Rodrigo?

Não creio que seja esse o caso. Ellen White se valeu de molduras periféricas como detalhes históricos para relatar mensagens mais profundas. Centenas de correções foram feitas no Grande Conflito de uma edição para a outra sem que a mensagem central fosse perdida.

5. O profeta e seu contexto. Silva concorda comigo sobre o fato de que os profetas atuam dentro de um contexto. Ele concorda com a definição de detalhes “periféricos” no caso de Isaías mencionar os “quatro cantos da Terra” como um conhecimento equivocado da época e não essencial à mensagem. Ele argumenta também que Isaías não diz “O Senhor me mostrou que há quatro cantos na terra.” O mesmo é verdadeiro sobre Ellen White, ela não disse: “O Senhor me mostrou que Órion é a porta do céu.”

Silva porém não articulou por quê Órion seria “essencial” à mensagem. Silva argumenta que Ellen White recebeu uma revelação verbal que o que ela viu em visão foi Órion. Ele conclui, sem base no texto, de que o “Senhor mostrou o abalo e EXPLICOU o que era”. Não é o que Ellen White diz, e não temos base para tal afirmação. Raramente Deus EXPLICA visões para o profeta (Veja Daniel e Apocalipse). Ellen White não diz, “O senhor me explicou”. O entendimento vinha através de REPETIÇÃO e não epxlicação, veja: “Com freqüência me são dadas representações que a princípio eu não compreendo, mas depois de algum tempo elas se tornam claras pela reiterada apresentação dessas coisas que a princípio eu não entendi, e de certas maneiras que fazem com que o seu significado seja claro e inconfundível. (Carta 329, 1904; ME 3, 56).

Silva não explorou essa possibilidade em seu texto.

Também creio que a dificuldade se cria por não entendermos que as visões de Ellen White eram como “fotos estáticas” (Veja Mensagens Escolhidas, vol. 3, 447, traduzido incorretamente como “rápidas visões”). Suas visões não eram filmes, eram fotos, como slides. Daí a importância de entender que sua menção de Órion por Ellen White faz parte da INTERPRETAÇÃO da visão e não da visão em si. Ou seja, o Senhor não veio e disse: “A volta será por Órion.” Essa diferença deve ser ressaltada, o que eu fiz no artigo.

Creio que a ausência de Órion na descrição da vinda de Cristo no Grande Conflito é evidência de que o entendimento daquela visão de 1848 se aperfeiçoou com o tempo. Em vez de mencionar Órion, Ellen White apenas diz: ” Em meio dos céus agitados, acha-se um espaço claro de glória indescritível, donde vem a voz de Deus como o som de muitas águas, dizendo: “Está feito” ( GC 636).

Sem dúvida a repetição da visão SEM ÓRION no Grande Conflito demonstra um maior entedimento por parte de Ellen White.

Outra pergunta que surge aqui é: Por quê Silva considera os “quatro cantos de Isaías” como não essenciais à mensagem central, mas Órion é essential? Ele também cita a testa de Lúcifer como refletindo idéias de frenologia da época e conclui que isso reflete o contexto já que tamanho de testa não tem nada a ver com inteligência. Mas não seria essa informação da testa de Lúcifer “forte e central” já que Ellen White está usando isso para descrever sua capacidade intelectual?

Silva também cita a semente de mostarda como não sendo a menor semente e que Jesus refletiu um conhecimento da época. Mas não seria essa informação da semente também “forte e central” na fala de Jesus? Oras, se Jesus usou uma semente que não era na realidade a menor do mundo, não cairia por terra sua mensagem sobre o tamanho da fé verdadeira?

Ellen White também afirma que as estrelas refletem a luz do Sol (Ed. 14). Não deveríamos considerar essa informação “forte e central” à mensagem de que as “estrelas” do pensamento secular também refletem a luz de Cristo?

Jesus mencionou que as “estrelas” cairão do céu. Veja que Jesus não falou de “meteoros” e sim de “estrelas”. Ora, estrelas são milhões de vezes maiores que a Terra e não podem “cair nela”. Mas não deveríamos considerar essa informação “forte e central” na mensagem de Jesus?

Note que eu não tenho problemas em aceitar esses detalhes periféricos acima como molduras de verdades mais essenciais. A diferença nas nossas leituras está em seletivamente escolher o que é detalhe periférico e o que é “forte e central”.

Não podemos confundir detalhes periféricos como Órion com o cerne da mensagem: a realidade vinda de Cristo literal.

6. A correção de erros por Ellen White. Silva questiona por quê então, se Órion não fez parte da revelação especial, Ellen White não corrigiu posteriormente um suposto “equívoco” nas edições do Primeiros Escritos. Silva argumenta que não houve mudança no entendimento de Órion.

Eu argumentei que a ausência de Órion do Grande Conflito deve servir como correção da interpretação anterior sobre a visão da vinda de Cristo. Meu argumento é baseado no fato de que Ellen White na maioria das vezes não corrigia edições de seus livros que continham discrepâncias, porém retificava conceitos em publicações posteriores de outros livros. Aqui vão alguns exemplos:

a) No Spiritual Gifts vol. 2, 183-184, ela diz que João Batista estava morto em Mat. 4:18-22; no Desejado ela corrige ao dizer que ele estava na prisão, segundo a Bíblia;

b) No Spiritual Gifts vol. 1, 58 ela diz que os pregos da cruz furaram osso e carne, no Desejado, ela corrige dizendo que os pregos furaram somente a carne de Jesus;

Por outro lado, o livro Educação afirma que a Lua E AS ESTRELAS refletem a luz do Sol. (Ed. 14) e Ellen White não corrigiu essa discrepância astronômica; o Patriarcas e Profetas (PP 134) diz que Quedorlaomer tinha 4 aliados, Gênesis 14:1-9 diz que eram somente 3 aliados.

Creio que a resposta a isso é que assim como a Bíblia, Ellen White foi dada para fins práticos (ME vol. 1, 19-20), e não como uma enciclopédia de conhecimento científico-teológico.

Em resumo, três razões pelas quais Órion deve ser descartada: a) a ausência de Órion das descrições posteriores da visão no Grande Conflito; b) implausibilidade astronômica e lógica para tal evento segundo o conhecimento moderno de astronomia.

  1. O que ocorre em Órion. Silva menciona alguns artigos que parecem defender a idéia de que há algo “inexplicável” na luminosidade de Órion. Por outro lado, astrônomos da NASA explicam que a luminosidade da nebulosa provem de três grandes estrelas do chamado Trapézio, o que é apoiado por outros astrônomos (Veja http://hubblesite.org/gallery/tours/tour-orion/ ; Lada, E. A.; et al. (1996). “Circumstellar Disks in the Trapezium Cluster”. Bulletin of the American Astronomical Society 28: 1342; Poveda, Arcadio; et al. (2005). “Low-Mass Runaway Stars from the Orion Trapezium Cluster”. Astrophysical Journal 627 (1): L61–L64). Além disso, Órion sendo uma “estufa” de estrelas, contêm mais de 1000 estrelas o que seria outra fonte de luminosidade natural.É interessante que um dos artigos citados por Silva, a saber, C. R. O’Dell, “The Orion Nebula: An Elephant for the Blind”, RevMexAA (serie de conferências), 10 (2001), descreve a luminosidade de Órion como sendo resultado das estrelas do Trapézio (p. 3).8. Dados astronômicos. Silva também acredita que é possível (ou necessário) que os anjos e Jesus viajem a 14.000.000 de vezes acima de velocidade da luz para justificar a interpretação de Órion. Meu artigo tomou uma linha diferente, argumentei que não é necessário que eles se limitem a percorrer tal distância, o que necessariamente os “limitaria” em termos de velocidade. Meu ponto foi, se o ponto de acesso ao céu depende de um ponto específico no universo, Órion, então temos que fatorar na equação distância e velocidade já que Órion e a Terra são dois celestes separados por 14 quatrilhões de kilômetros e a luz leva 1500 anos para percorrer a distância.

Aqui novamente o ponto não é se os seres celestiais podem ou não alcançar tal velocidade para percorrer a distância incomensurável de Órion até a Terra, 14 quatrilhões de kilômetros. A pergunta é: Por que eles seriam limitados pela “velocidade”? Com certeza o movimento angélico no universo está fora das leis naturais, já que eles vivem em um nível elevado de existência. Os anjos precisariam viajar a 14 milhões de vezes acima da velocidade da luz se Órion é uma “necessidade”. E outro detalhe: qualquer objeto que viaja acima da luz não pode ser visto, já que a luz da imagem do objeto estaria “atrasada”. Assim, quando o cortejo que acompanha Jesus passa por Órion a 14 quatrilhões de quilômetros/hora, é impossível vê-los já que a luz está a somente 1 bilhão de km/hr.

Ao mesmo tempo, dizer que nada é impossível para Deus nos leva a perguntar então por que Deus estaria limitado a utilizar Órion como porta do céu? Ao mesmo tempo se essa porta é NECESSÁRIA, não faria também mais sentido que ela estivesse ou nas galáxias mais antigas do Universo (13 bilhões de anos-luz) já que o céu estava ali antes delas ou do nosso lado no nosso sistema solar para facilitar o acesso? Meu artigo argumenta que o céu está em outra dimensão, mas isso é assunto para outra conversa.

O tamanho de Órion apresenta tremendas dificuldades para que algo que ocorre ali seja visto a olho nu pelos habitantes da Terra. Esse ponto foi abordado no artigo. A área da nebulosa de Órion é quase idêntica à distânca de lá até aqui: 14 quatrilhões de km2 (1600 anos luz); caberiam aí aproximadamente 20 milhões de sistemas solares. Além disso, as imagens que vemos de Órion hoje são uma composição de várias imagens de telescópios, incluindo de raios infra-vermelhos etc. Em resumo, não é possível detectar, luminosidade inexplicável, nuvens negras ou sequer um “espaço aberto” em Órion a olho nu.

Silva não abordou os obstáculos desses dados científicos no seu texto e por isso, sua argumentação não esgota as dificuldades.

9. A “atmosfera” de Órion. Silva cita artigos que parecem apoiar a idéia de que Órion possui “atmosfera” e que a menção de Ellen White da atmosfera que abriu e recuou-se na visão era em Órion. Note que o artigo citado no seu texto não apóia essa conclusão, já que o articulista meramente descreve a poeira cósmica existente na nebulosa e não compara Órion com as nuvens da atmosfera terrestre.

Porém o contexto do Primeiros Escritos, p. 41 elucida a menção de atmosfera e nuvens. Como mencionado no meu artigo, a menção de “nuvens densas e atmosfera” foi uma tentativa de demonstrar que o fim ocorrerá “literalmente” na atmosfera terrestre e não de forma “mística” como queria o autor da revista milerita Day Star em 1847. Dúvidas quanto a isso surgiram na literatura milerita da época e Bates e Ellen White se uniram para combater o erro daí a menção de “nuvens e atmosfera” por Ellen White. Ellen White critica a conclusão do articulista do Day Star de que o “abalo das potestades so céu” se referia às nações da Europa (Veja Primeiros Escritos, 41) e depois descreve a literalidade do evento impactando a atmosfera terrestre. Não seria incoerente tentar provar que Jesus aparecerá literalmente na Terra valendo-se de movimentos na “atmosfera” de uma nebulosa longínqua cuja luz demora 1.500 anos para nos alcançar.

Silva não respondeu essa questão em seu texto e também não abordou esse pano de fundo histórico sobre a visão de 1848 o que teria elucidado o uso dos termos. Apesar da clareza das intenções de Ellen White no livro Primeiros Escritos p. 41, Silva conclui que essa “atmosfera” é em Órion. Creio que ele também não demonstrou como seria possível que algo que acontece a uma distância de 1.500 anos da Terra possa ser visto em tempo real.

  1. O “espaço aberto” em Órion hoje. A leitura de Silva conclui que o espaço está aberto “hoje” já que Ellen White usa o verbo no presente. Porém, Ellen White está descrevendo claramente eventos que ocorrerão por ocasião da vinda de Cristo, ou seja, no futuro; Ellen White também usa verbos no passado: a voz de Deus “vinha” (passado came in inglês) através do espaço aberto. Com certeza esse passado não se refere a um momento passado quando se ouviu a voz de Deus e nem que não estamos ouvindo a voz de Deus “hoje” através desse espaço.

Portanto o espaço aberto tem a ver com o que está acontecendo na visão, ou seja, “no futuro”: durante a vinda de Cristo. A menção da Cidade Santa na passagem pode ser entendida de duas maneiras: 1) como um parêntese na descrição, valendo-se dos estudos de Bates de que a Nova Jerusalém está em Órion e descerá também pelo espaço aberto de onde Cristo e os anjos vêm, ou: 2) Ellen White se refere ao cortejo que acompanha Jesus como a “Cidade Santa”. Creio que a segunda opção é a mais plausível, já que os eventos da visão tratam dos sinais da vinda de Cristo.

Um detalhe na descrição porém, creio que anula de uma vez por todas a possibilidade de Órion ser o lugar por onde Jesus desce: Ellen White interpreta que a voz de Deus vem do “espaço aberto” em Órion. Vejamos alguns fatos sobre essa possibilidade:

Se a luz de Órion demora 1500 anos para alcançar a Terra, o som da voz de Deus demoraria 1.000.000 de vez mais já que o som viaja a 340 m/s e a luz a 300.000 km/s, ou seja o som da voz de Deus saindo de Órion demoraria 1 bilhão e quinhentos milhões de anos para chegar à Terra. Na realidade, esses cálculos são interessantes mas irrelevantes, já que o som não se propaga no vácuo. Conclusão, a voz de Deus vindo por Órion jamais seria ouvida na Terra.

Ninguém precisa ser doutor em astronomia para compreender a implausibilidade de que algo que acontece em Órion possa impactar a Terra durante a vinda de Cristo.

  1. Infalibilidade de EGW. Finalmente a implicação mais séria em querer manter uma interpretação implausível de que Órion é a porta do céu é a idéia de que Ellen White recebeu inspiração verbal, era inerrante e infalível. Note que Ellen White nunca pretendeu ser infalível ou inerrante e insistir nisso trará problemas sérios para o entendimento do Espírito de Profecia. Sobre as novas revelações que continuamente viriam à Igreja ela disse:

“Não devemos pensar, “Temos a verdade, entendemos os pilares principais da nossa fé, podemos descansar sobre esse conhecimento.” A verdade é progressiva, e devemos andar na luz progressiva. (Conselhos a Editores p. 33)

“Não há desculpas para alguém tomar a posição de que não há mais luz a ser revelada e quetodas as nossas exposições das Escrituras são inerrantes. O fato de que certas doutrinas têm sido mantidas como verdade por muitos anos pelo nosso povo, não é prova de que nossas idéias são infalíveis. O tempo não fará o erro verdade… Nenhuma doutrina verdadeira perderá alguma coisa pela investigação minuciosa. (Conselhos a Editores, 35).

Ellen White demonstrou esse princípio em sua vida, cabe a nós seguirmos o seu exemplo.

_________________

Agradeço novamente ao meu amigo Pr. Rodrigo Silva e ao Advir a oportunidade do debate construtivo. Não tenho dúvidas de que ele trará benefício para a Igreja.

Um grande abraçø!

André Reis

Fonte: http://www.adventismohoje.com/2010/12/bate-papo-com-rodrigo-silva-sobre-orion.html?view=classic

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Sobre Max Rangel

Servo do Eterno, Casado com Arlete Vieira, Pai de 2 filhas, Analista de Sistemas, Fundador e Colunista do site www.religiaopura.com.br.

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