“They Live”: A Revolucionária Subversão do Evangelho Contra a Ideologia Dominante do Cristianismo

“They live” é um filme B de 1988, do diretor John Carpenter (um dos meus filmes favoritos hahaha) e baseado no conto chamado “Eight O’Clock in the Morning” de Ray Nelson. O filme conta a história de “John Nada”, um sem-teto vivendo de bicos que, por um acaso, encontra numa igreja recém abandonada, uma caixa de óculos que, ao serem colocados, revelam a real mensagem contida nas publicidades, notícias, mercadorias e até mesmo no dinheiro.


Na trama, os óculos revelam para “John Nada” que, apesar da aparente liberdade vivida pelos homens, uma classe dominante já controlam todas as nossas ações. Ele descobre que a classe dominante é de um grupo de alienígenas escondendo sua aparência e manipulando as pessoas para gastar dinheiro, criar e aceitar o status quo com mensagens subliminares nos meios de comunicação.

A analogia entre a história do filme e nossa sociedade parece óbvia ao tratarmos da questão da ideologia do senso comum e do capitalismo. Numa das cenas do filme isso fica claro, quando um padre discursando numa praça diz: “Fora dos limites da visão, eles se alimentam de nós”. Observe que a ideologia da propaganda, publicidade, da televisão, etc., é criada para um objetivo claro no filme, para que os aliens possam explorar a raça humana sem que os explorados se deem conta disso. Assim como na vida real, o sistema monta justificações que, por terem força material, já que são fruto de uma dada forma de sociabilidade, visam adequar nossa visão de mundo, a fim de conservar o mundo como é – ou ainda mais além, reproduzi-la, naturalizá-la diretamente.

Se levarmos esta analogia para o “cristianismo” (como sistema ideológico/político, de controle social e como projeto de poder), e até mesmo para um tipo de “adventismo sistemático tradicionalista” – entendemos com mais clareza o conflito existente entre Evangelho e Religião, entre a “Religião Farisaica” e o ensino de Cristo.

O “cristianismo”, fundado por Constantino, é um projeto de poder que, aliado a política, alimenta uma classe dominante e controla uma sociedade de maioria religiosa que entende estar sendo governada por líderes instituídos pelo próprio Deus. Neste cenário, o sistema capitalista ganha uma proporção mais sólida e abrangente, já que a exploração da fé ainda é a maior ferramenta de controle social do nosso mundo. Com isso, o ensino do Evangelho torna-se secundário, e a figura de “Jesus” torna-se uma franquia ou uma “commodity” – que alimenta as engrenagens dos sistemas e interesses políticos e econômicos de poderosos e de classes dominantes. Esse controle pode acontecer através de pautas moralistas e exegeses seletivas que corroborem determinados interesses e posicionamentos. Pode até mesmo “justificar” um governo totalitário, a escravidão, a guerra e o nazismo – tudo isso usando a Bíblia e o nome de Deus como ferramentas.

Da mesma forma, a “teologia”, muitas vezes, encontra abrigo entre privilegiados e classes dominantes que exploram a fé em busca de ganhos ou em busca de justificativas para os seus preconceitos pessoais.

Assim como “John Nada”, Jesus, um humilde carpinteiro, teve a ousadia de viver contra o status quo de Sua época. Ele não só revolucionou os conceitos teológicos, sociais e espirituais, como deixou à nossa disposição os “óculos” ou as “lentes” que nos permitem enxergar a verdadeira essência do mundo que nos cerca. Com esses “óculos”, podemos ver além da religião, além da política, além das nossas diferenças – podemos enxergar a verdade que nos liberta.

Como bem escreveu Amin Rodor:

“Do ponto de vista dos líderes religiosos do Seus dias, Jesus era considerado altamente “inconveniente”. Uma pessoa “difícil” de se ter por perto. Incorrigivelmente provocativo e nada “ortodoxo”, um “antidenomicional”. Para tais líderes, Jesus significava uma séria ameaça ao status quo. Além disso, Ele era visto como uma “influência negativa” para o povo comum, que começou a admirá-Lo e segui-Lo. Aqui nos deparamos com um dos grandes paradoxos de Jesus Cristo: Ele era o Criador da genuína espiritualidade, o Pai da legítima cultura religiosa de Israel, e ao mesmo tempo, considerado pelo estabelecimento religioso uma ameaça à “religião”, na presença de Quem os líderes se sentiam inseguros. Em contraste, aqueles que foram atraídos por Jesus, e inclinados a recebê-Lo, se sentiram aceitos, incluídos e libertos de enormes fardos impostos pela religião farisaica.

Considere o caráter SUBVERSIVO de Suas parábolas, respondendo de maneira inesperada questões fundamentais: Como é Deus? Ele se interessa pelos pecadores e os ama? O que Ele espera de nós em nossos relacionamentos? O que é pecado? Como somos admitidos em Seu reino? O que realmente é importante na vida? O que significa ser Seu discípulo? – Imagine o golpe extraordinário de Sua teologia, ao considerar que publicanos e meretrizes, grupos desprezados e malditos, estavam mais próximos de Deus do que os que se consideram justos e já aceitos (Mateus 21:31)? Pense no choque ao ouvi-Lo dizer que “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus” (Mateus 19:24), quando se cria que uma pessoa era rica precisamente porque Deus a favorecia e estava do seu lado. Jesus inverteu a pirâmide do poder: grandes são os que servem. Os primeiros serão os últimos e os últimos os primeiros. Segundo Ele, não nos arrependemos para que Deus nos ame, mas porque Ele nos ama e aceita é que somos levados ao arrependimento. Não é por acaso que Jesus foi odiado e amado. Não é de surpreender que Ele trouxe simultaneamente esperança e julgamento. A Rocha continua a mesma: é a nossa atitude em relação a ela que faz toda diferença”.

E você? Está pronto para colocar as lentes de Cristo e tornar-se um subversivo em nome do amor e da verdade?

Sobre Max Rangel

Servo do Eterno, Casado, Pai de 2 filhas, Analista de Sistemas, Fundador e Colunista do site www.religiaopura.com.br.

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