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Michelson Borges e Rodrigo Silva incluem o “firmamento” entre as semelhanças dos mais antigos relatos da Criação

O detalhe é importante porque reforça a crença na doutrina bíblica de que a Terra foi criada plana, circular como um disco e coberta por um domo sólido. A cosmologia de outros povos guarda muitas semelhanças com o formato da Terra descrito em Gênesis e outros livros da Bíblia.

No capítulo “Vestígios de Deus”, do livro de entrevistas Porque Creio, Michelson Borges entrevista o arqueólogo Rodrigo Silva:

…E sobre o relato da Criação?

Importantes documentos como o Enuma Elish, o épico de Atrahasis e o Épico de Gilgamesh possuem fortes paralelos com a descrição bíblica da criação do mundo, a queda do ser humano e a vinda de um dilúvio sobre a Terra. Especialmente com relação ao Enuma Elish e o Gênesis, temos a seguinte relação de paralelos:

(1) em ambos os livros a água está presente nos estágios iniciais da Criação;
(2) no Enuma Elish, a luz emana dos deuses, enquanto no Gênesis é Yahweh quem a cria;
(3) o firmamento é criado;
(4) aparecem as terras secas;
(5) as luminárias celestiais são estabelecidas;
(6) o homem é criado no sexto dia, enquanto no Enuma Elish a Criação é descrita no tablete número 6; e
(7) no Enuma Elish os deuses descansam após a Criação e a celebram, enquanto no Gênesis, Deus também “descansa” no sétimo dia e celebra a Criação.

Por causa dessas similaridades, alguns historiadores têm sugerido que o relato bíblico não passa de um plágio de documentos mais antigos. Entretanto, as diferenças (que são muito mais significativas que as similaridades fazem supor não uma cópia de material, mas antes uma referência múltipla aos mesmos eventos.

K. A. Kitchen escreveu, em Ancient Orient and Old Testament: “A suposição comum de que este relato [bíblico] é simplesmente uma versão simplificada de lendas babilônicas é um sofisma em suas bases metodológicas. No antigo Oriente Próximo, a regra é que relatos e tradições podem surgir (por acréscimo ou embelezamento) na elaboração de lendas, mas não o contrário. No antigo Oriente, as lendas não eram simplificadas para se tomar pseudo-história, como tem sido sugerido para o Gênesis.”

Muitos pesquisadores, como Levi Strauss, que consideram o relato da Criação um mero mito, admitiram que uma grande surpresa e perplexidade surge do fato de que esses temas básicos para os mitos da Criação são mundialmente os mesmos em diferentes áreas do globo.

A. G. Rooth analisou cerca de 300 mitos da Criação encontrados entre tribos indígenas norte-americanas e concluiu que, a despeito de certa variação de costumes e outros fatores culturais, os mais variados grupos concordavam em alguns
temas principais.

Por que essas similaridades de ideias míticas e imagens são abundantes em culturas tão distantes umas das outras? A resposta, creio, não poderia ser outra senão a de que todas as tradições se encontram num mesmo evento real que, de fato, ocorreu em algum ponto da história antiga. Esse evento tem que ver com a criação divina do planeta Terra e a conseguinte queda moral da humanidade, que então se coloca à espera da redenção prometida.

Mas as “coincidências” não se restringem ao Oriente Próximo e às tradições indígenas norte-americanas…

De fato. Antigos hinos pertencentes à mais remota tradição do povo Karen, da Birmânia, foram traduzidos de um primitivo dialeto sino-tibetano para o inglês do fim do século 13. Uma
das estrofes litúrgicas diz que um deus chama­do l’wa deu ordens bem detalhadas, mas Um-kaw-lee, o ser rebelde, enganou duas pessoas, fazendo-as comer o fruto da tentação. Por causa disso, os homens ficaram sujeitos à doença, envelhecimento e morte.

No norte de Calcutá, na India, viviam dois milhões e meio de pessoas conhecidas como o povo Santhal. Sua antiguíssima tradição conta que um deus chamado Thakur Jiu criou o primeiro homem chamado Haram e a primeira mulher, chamada Ayo. Eles foram colocados num jardim bonito, chamado Hihiri Pipiri. Ali, um ser malvado chamado Lita fez cerveja de arroz e ofereceu ao casal. Eles não deviam ter bebido, mas o fizeram e acabaram dormindo. Ao acordarem, descobriram que estavam nus.

O estudioso Merryl Unger conclui que “essas não são tradições peculiares aos povos e religiões semitas que se desenvolveram a partir de características comuns. Elas são tradições comuns a todas as nações civilizadas da anti­guidade. Seus elementos coincidentes apontam o tempo em que a humanidade ocupou o mesmo espaço e praticou a mesma fé. Suas seme­lhanças se devem a uma mesma herança, onde cada grupo de homens manteve, de geração em geração, os históricos orais e escritos da história primeva da raça humana”. O Gênesis, portanto, se torna o elemento de convergência literária dessas semelhanças e esboça a forma original dessas tradições hoje espalhadas pelo mundo.

Alguns podem supor que o relato bíblico ape­nas ecoou uma coleção de lendas primitivas. Acho que isso seria bastante improvável. Primeiro, pela própria universalidade que vemos
em relação a esses relatos. O fato de se acha rem presentes em culturas tão diversas e distan­ciadas pelo tempo e pela geografia, aponta mais para a transmissão de um antigo acontecimento do que para a interdependência de mitos.

Em segundo lugar — e aqui vou direto ao relato bí­blico –, é bastante estranho (do ponto de vista da interdependência histórica) que a Bíblia apenas ecoasse outros mitos quando a mola mestra de sua teologia é o monoteísmo, que se choca frontalmente com a cosmovisão politeísta encontrada nos demais textos.

Sobre Max Rangel

Servo do Eterno, Casado com Arlete Vieira, Pai de 2 filhas, Analista de Sistemas, Fundador e Colunista do site www.religiaopura.com.br.

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